terça-feira, 18 de novembro de 2014

HEFESTOS - O DEUS DO FOGO

O engenhoso artesão divino Hefestos (Vulcano), deus do fogo, dos metais trabalhados e da  metalurgia, associado ao desenvolvimento da ciência e da técnica, é filho de Zeus (Júpiter), senhor do Olimpo, e de sua ciumenta esposa, a deusa Hera (Juno). É um dos doze deuses do Olimpo que reinam ao lado de Zeus!
O mito de Hefestos apresenta-o como o mais feio dos deuses. Nasceu coxo e disforme, despertando na mãe a rejeição e a humilhação de ter gerado um deus imperfeito. Ao ver o filho recém-nascido, Hera atira-o do alto do Olimpo, dentro do mar, para não ter que apresentá-lo aos outros deuses! Salvo pela nereida Tétis e sua amiga Eurínome, é por elas criado! Adulto, Hefestos torna-se um habilidoso artesão dos metais, senhor do fogo e da forja.
Feio e solitário, Hefestos implanta a sua oficina na ilha de Lemnos, onde é auxiliado por divindades menores ligadas ao fogo e à metalurgia. Seu mito é o avesso do ideal de perfeição e de beleza da civilização grega. Uma sociedade em que ter um filho deficiente, significava rejeição e humilhação. Hefestos representava a preocupação dos gregos com a genética, sendo lido como uma forma de alerta para os perigos dos filhos deformados nascidos da união entre irmãos, como eram Hera e Zeus.
É um deus civilizatório, que ensina o homem a arte de usar o fogo e trabalhar os metais. Hefestos, coxo e disforme, representa na Grécia Antiga os inaptos para as expedições navais e para os trabalhos do campo, principais atividades daquela sociedade. Usa do trabalho e da tecnologia como fonte de conhecimento e também de poder e vingança. É através da sua habilidade de artesão divino que compensa a sua deficiência física diante dos outros deuses do Olimpo, forçando Zeus a dar-lhe Afrodite (Vênus), a mais bela de todas as deusas, como esposa. Senhor do fogo e dos vulcões, expele larvas de ira em forma de fogo, fazendo-se respeitável e temível. É o trabalho e a tecnologia compensando a deficiência física, superando o ideal de beleza perseguido por aqueles que não se enquadravam no padrão helênico do perfeito!

As Origens de Hefestos

O nascimento, a paternidade e a deformidade de Hefestos, possuem versões diferentes dos poetas
gregos. Para Hesíodo (século VIII a.C.), o deus é filho apenas de Hera, sem a participação masculina. Cansada das infidelidades do marido, da sua longa ausência conjugal, justificada em leitos das amantes, a rainha do Olimpo decide vingar-se, concebendo, em sua solidão, uma gravidez que, conforme planejara, daria origem a um deus belíssimo, que ela apresentaria aos outros deuses, como fruto das noites que passara sem o marido, denunciando-o diante dos imortais. Para isto pediu ajuda à Gaia (Terra), deusa mãe que tudo concebia. Mas, quando deu à luz ao fruto da sua solidão, Hera teve uma grande decepção, o recém-nascido Hefestos era feio, disforme e coxo. Sua vingança a Zeus estava frustrada. Não poderia apresentar tão horrenda criança aos outros deuses. Envergonhada e enfurecida, Hera, do alto do Olimpo, atirou o pequeno deus ao mar. Do fundo do mar, as nereidas Tétis e Eurínome viram quando o pequeno corpo mergulhou. Num gesto de amor, correram para apanhá-lo, levando-o para uma caverna escondida, onde cuidaram do deus deficiente, até que crescesse.
A versão de Hesíodo não deixa de mostrar o preconceito de uma civilização que, não poderia conceber a Zeus, o senhor do Olimpo, pai de deuses e heróis, um deus disforme como filho. Enquanto Zeus gera
sozinho Atena (Minerva), bela deusa da inteligência e da estratégia de guerra, Hera gera sozinha um ser deficiente. A culpa da deficiência física é dada, geneticamente, à mulher, jamais ao homem.
Na versão de Homero (século IX a.C.), Hefestos era filho legítimo de Zeus e de Hera. Na Ilíada, Homero afirma que o deus nascera coxo, e, envergonhada, a mãe atira-o ao mar. Em outra passagem do mesmo poema épico, Homero conta que Zeus, irritado com as atitudes vingativas e coléricas de Hera, amarrou o pequeno Hefestos pelas pernas com uma corda, no alto do Olimpo e jogou-o na terra. Na queda, o deus chocou-se em um rochedo na ilha de Lemnos, ficando coxo para sempre. No lugar onde supostamente tinha caído, originou-se o seu culto.
Nesta e em outras versões, a deformidade de Hefestos é vista como fruto do perigo genético que podia ocasionar quando irmãos geravam filhos. Zeus e Hera são irmãos, filhos de Cronos (Saturno), o deus do tempo, e  de Réia (Cibele).
Seja qual for a lenda que envolva o seu nascimento, Hefestos é tido como um deus solitário, feio, disforme e coxo.

Hefestos e Atena, Cultuados Juntos e Por Diferentes Classes

O mito de Hefestos é representado nas artes como um homem mais velho, de barba, trabalhando febrilmente na sua oficina na ilha de Lemnos. Em tempos mais remotos, era cultuado como deus do raio, personificando o fogo celeste. Nesta época, o movimento tortuoso do raio era visto como o andar coxo do deus. Com a evolução da civilização grega, transformou-se em deus do fogo como elemento civilizador, o fogo como trabalho árduo e benéfico no uso dos metais, no desenvolvimento da ciência e da técnica.
Artesão divino, Hefestos é obreiro, hábil metalurgista. O culto a Hefestos era feito ao lado do culto à Atena. Ambos protegiam seus trabalhos. Atena velava pelos oleiros e tecelões, Hefestos pelos ferreiros e metalúrgicos. Mesmo associados, os deuses não eram vistos pelos gregos com o mesmo poder e com a mesma dignidade. Atena personificava a inteligência criadora, deusa protetora das artes nobres. Hefestos representa a inteligência aplicada à técnica, ao trabalho, jamais à criação, assim sendo, é um deus obreiro, protetor dos trabalhadores que não estavam aptos para a guerra, para as expedições navais, para os trabalhos do campo, e, assim sendo, eram considerados pelos gregos como trabalhadores inferiores, fisicamente deficientes. Portanto a veneração a Hefestos era menor do que a feita à Atena.
Enquanto nobres, poetas, filósofos e artistas louvavam a bela deusa Atena em numerosas festas por toda a Grécia, o feio e coxo deus Hefestos, era cultuado principalmente por artesãos e trabalhadores da forja. O centro de culto ao deus do fogo e dos vulcões, era na ilha de Lemnos, sendo ali, realizadas uma vez por ano, cerimônias expiatórias. Por nove dias estendiam-se os sacrifícios e, durante esse tempo, era vetado fazer qualquer fogo. No décimo dia de cerimônia, um navio trazia de Delos uma nova chama, reiniciando com ela o ciclo anual do fogo.

Hefestos e as Divindades Menores Metalúrgicas

Trabalhador incansável, Hefestos tem a sua oficina divina à boca do vulcão da ilha de Lemnos. Suando, anda de um lado para o outro, coxeando, sendo auxiliado por duas servas de ouro, em forma de mulher, que ele criou, dotadas de voz, força e destreza manual.
Hefestos conta com numerosos auxiliares, munidos de complexas ferramentas inventadas por ele. Entre os auxiliares, colaboram divindades inferiores, ligadas ao fogo e à metalurgia, como os Pálicos, divindades maléficas, filhos da sua união com a ninfa Etna. Cultuados perto do lago Naftia, na Sicília, eram-lhes atribuídos certos fenômenos vulcânicos. Os habitantes daquela ilha mediterrânica faziam aos Pálicos solenes juramentos que não podiam ser quebrados, sob pena de duros castigos.
Também auxiliavam o deus, os Cabiros, gênios metalúrgicos, misteriosos e hábeis artesãos dos metais, invocados para protegerem os campos e velarem pelos marujos. Os Cabiros eram filhos de Hefestos com a ninfa Cabiro. Há versões da lenda que mencionam Zeus e Calíope como progenitores dos Cabiros.
Por fim, entre os tantos auxiliares de Hefestos, estão os Dáctilos e os Telquinos, deuses menores, também venerados como metalúrgicos. Primitivamente, os Dáctilos eram três: Ácmon, que representava a bigorna, Célmis, a fornalha e Damnameneu, o martelo. No decorrer do tempo, o número dos Dáctilos aumentou. Eram cultuados na ilha de Creta, a quem a população atribuía haverem lhes ensinado a arte de usar o fogo e os metais. Os Telquinos, filhos de Poseidon (Netuno) e Gaia, eram gênios, a princípio civilizadores, depois com o decorrer do tempo, foram celebrados como maléficos, que além das habilidades metalúrgicas possuíam dons de feitiçaria, assumindo as formas que desejavam, provocando chuvas e nevascas. Foram cultuados em Rodes. Reza a lenda que teriam sido exterminados por Zeus ou por Apolo.

Hefestos Vinga-se de Hera

Deus solitário, coxo, disforme, a divindade mais feia do Olimpo, Hefestos usa da sua habilidade para criar adornos e instrumentos úteis aos deuses e aos homens. Mas sua engenhosidade de artesão divino servi-lhe como arma de imposição, e mesmo, de vingança, para que se lhe compense a deficiência física e o isolamento ao qual foi confinado desde que rejeitado pela mãe.
Hefestos cresceu sob a proteção de Tétis e Eurínome, nereidas que o salvara das profundezas do mar, quando atirado por Hera do alto do Olimpo. O deus cresceu, assumiu a sua posição entre as doze divindades do Olimpo, mas jamais perdoou o que lhe fizera a mãe.
Decidido a pôr em prática a sua vingança de filho rejeitado, Hefestos confeccionou um ardiloso e sumptuoso trono de ouro. Terminada a obra magnífica, enviou-a de presente a Hera, a rainha do Olimpo. A visão do trono maravilhou todos os deuses do Olimpo. Deslumbrada, a deusa sentou-se em êxtase sobre o trono. Passados os momentos de euforia, a mãe de Hefestos percebe o ardil, está presa no trono, sem poder sair. Desesperada, ela lança gritos terríveis, que ecoam em todo o Olimpo e pelos quatro cantos da terra.
Zeus é o primeiro a vir em socorro à esposa divina. Mas não consegue libertá-la do trono maldito. Aos poucos, chegam todos os deuses em socorro à Hera, mas, um a um, falham na tentativa de libertá-la. Hera permanece presa dias a fio no trono de ouro.
Então o senhor do Olimpo ordena que se lhe traga à presença o forjador do trono e autor do presente à esposa. Logo vêm-lhe a verdade, a ardilosa obra tinha sido confeccionada por Hefestos, o deus do fogo. Era a forma pela qual o artesão divino usara para vingar-se da mãe que o rejeitara!
Após uma longa conferência entre os deuses, chegou-se à conclusão de que se teria que convencer Hefestos a deixar a sua oficina na ilha de Lemnos, fazendo-o subir ao Olimpo.
Ares (Marte), apresenta-se prontamente para ir buscar Hefestos na ilha de Lemnos e trazê-lo a qualquer custo diante de Zeus. Vigoroso, senhor da guerra, o destemido deus parte em sua missão. Mas, inesperadamente, tem uma recepção preparada para recebê-lo, ao pisar a ilha vulcânica, é atingido por tochas incendiárias, fabricadas pelo deus do fogo e arremessadas de engenhosa máquina. Mais uma vez a astúcia e a técnica de Hefestos vence o vigor e a determinação dos deuses, fazendo com que Ares regresse ao Olimpo levando apenas o fracasso da sua força bélica.
Será a astúcia embriagante de Dioniso (Baco), deus do vinho e da embriaguez, que vencerá a engenhosidade técnica de Hefestos. Dioniso parte para a ilha de Lemnos, colhendo as uvas especiais que plantara naquele fértil solo vulcânico. Prepara um vinho especial, oferecendo-o ao deus do fogo. Horas depois, Dioniso volta ao Olimpo, puxando um asno branco, no lombo do animal, jazia embriagado o poderoso e vingativo filho de Hera e Zeus.
Quando a lucidez retorna à cabeça de Hefestos, ele acorda assustado, diante do poderoso Zeus e de todos os deuses do Olimpo. Acossado, ele percebe o ardil que se lhe aplicara o deus do vinho. Mesmo sob ameaças do senhor do Olimpo, o artesão divino não demove o seu plano de vingança. Após horas de debates e discussão, Hefestos propõe a solução definitiva para libertar da prisão do trono de ouro sua colérica mãe, só o faria se lhe fosse dada em casamento Afrodite (Vênus), a deusa do amor e a mais bela de todo o Olimpo.
Zeus pensa uns instantes na proposta. Decidido a punir Afrodite pela deusa ter-lhe recusado o amor, ele decreta que ela se case com Hefestos, o deus feio, disforme e coxo.
Afrodite revolta-se com Zeus, mas, é obrigada a acatar o que se lhe impôs o senhor do Olimpo. Assim, Hera é libertada do maldito trono de ouro. O deus do fogo, tão logo liberta a mãe, atira o objeto às profundezas do mar, tal qual ela lhe fizera quando nascera.
Hefestos casa-se com a mais bela das deusas! Sente paixão e amor incondicional pela esposa. Mas a deusa do amor, escarniada pelas outras deusas por desposar o feio e coxo deus do fogo, vingar-se-ia do marido, traindo-o inúmeras vezes com os mais belos deuses, heróis e mortais.

Inteligência e Tecnologia Usadas Em Forma de Vingança

O uso da inteligência em forma de tecnologia traz ao mito de Hefestos o poder de um deus solitário, isolado na sua condição física, mas de trabalhos e invenções imprescindíveis para os homens e para os deuses. É das suas mãos engenhosas que é confeccionada a couraça de Héracles (Hércules), as flechas mortais de Apolo, o escudo invencível de Aquiles, o cetro de Agamenão, os palácios sumptuosos e intransponíveis dos deuses.
Mas serão as cenas de engenhos vingativos que o deus cria para atingir quem o fere intimamente, que demarcarão o mito de Hefestos. O trono de ouro que prendeu Hera, e, em troca da sua liberdade, valeu-lhe o casamento com a bela Afrodite, é uma das invenções mais ardilosas do artesão divino.
Contrariada com o casamento, a deusa do amor trai sem cerimônia o marido. Sua maior aventura adúltera será vivida com o impulsivo e violento deus Ares. Enquanto Hefestos trabalhava na forja, durante toda a noite, o deus da guerra visitava a bela Afrodite. Os dois viveram uma tórrida paixão. Enquanto dividiam o leito, os deuses eram guardados pelo jovem Alectrião, que vigiava a porta do palácio de Hefestos, com a missão de avisá-los antes que Hélios (Sol), chegasse. Mas numa dessas noites, o fiel guardião adormeceu. Ares e Afrodite amavam-se intensamente, quando foram surpreendidos pelos raios do dia, trazido por Hélios. Indignado, o deus Sol foi ao encontro de Hefestos e contou-lhe da traição dos amantes.
O ódio, a humilhação de marido traído, faz com que Hefestos engendre uma das suas mais ardilosas engenhosidades, a rede invisível, tecida com fios de ouro, tão resistente que nenhum homem ou deus conseguiria rompê-la. A rede foi armada no leito da desonra, onde, os deuses amantes, ao deitarem-se mais uma vez, viram-se aprisionados, sem que pudessem sair. Nus, os amantes foram apresentados presos na rede invisível, aos deuses do Olimpo pelo marido traído. Os dois só foram libertados graças à interferência do deus Apolo, que convenceu Hefestos a perdoar Afrodite e a ignorar Ares.
A forma humilhante da exposição na rede invisível, pôs fim ao amor vivido entre Afrodite e Ares. Dessa união nasceram Cupido, Deimos e Harmonia. A ira de Hefestos atingiria a formosa Harmonia, que, quando adulta, na ocasião das suas bodas com Cadmo, rei de Tebas, seria presenteada pelo deus com um colar de ouro, que entretanto, era dotado de força maléfica, causando-lhe a desgraça de todos os filhos, numa maldição épica que se abateria sobre todos os seus descendentes.   
O casamento com Afrodite, a deusa do amor não traz filho algum a Hefestos. Sua prole é construída com a formosa Anticléia, a quem amou e nela engendrou Perifetes, que se tornaria um perigoso assaltante das estradas, vindo a ser morto pelos golpes do herói ateniense Teseu; os Cabiros e as Cabírides, com a ninfa Cabira; os gênios maléficos Pálicos, com a ninfa Etna; e, Caeculus, nascido da jovem Prenesta, fecundada através de uma fagulha enviada pelo deus.

Vulcano, Deus Romano, É Associado a Hefestos

Em Roma, Hefestos foi identificado com o deus Vulcano. Esta divindade era, primitivamente, venerada pelos romanos como um deus do raio (também na Grécia, Hefestos era assim venerado nos primórdios), do sol e do calor fecundo. Era uma das entidades mais antigas veneradas no Panteão, sendo mesmo anterior ao grande Júpiter. O Vulcano primitivo foi protetor do nascimento do poderoso deus, e não seu filho. Por muito tempo Vulcano e Júpiter tinham seus mitos confundidos.
Vulcano era também associado à Maia, deusa das fontes, sendo a primeira divindade do rio Tibre. Seu primeiro templo teria sido erigido pelo lendário fundador de Roma, o rei Rômulo, no século VIII a.C. Quando unido à Vesta, deusa da castidade e do lar, era invocado como entidade das lareiras. Também foi invocado como deus da guerra, perdendo o epíteto quando do surgimento do deus Marte, que se lhe herdou as funções bélicas.
Vulcano assumiria de vez as lendas de Hefestos, sendo com ele identificado, quando o Império Romano conquistou a Grécia, importando daquela civilização os seus deuses, cultura e arte.
Em Roma, várias festas eram dedicadas ao deus no mês de agosto: as Vulcanais, as Vulturnais e as Portunais. Pequenos animais, como peixes, eram atirados ao fogo durante as comemorações.

O Mito de Hefestos Nas Artes e No Tempo

Nas artes, Vulcano ou Hefestos, é representado, tanto por romanos ou gregos, na maioria das vezes, como um ferreiro de certa idade, feio, barbudo, de peito nu ou completamente nu, pele luzida pelo suor, as mãos empunhando o martelo e as tenazes, às vezes provido de um gorro. Numa das representações mais remotas, aparece como um jovem imberbe em vasos gregos.
Incansável, Hefestos não para de criar armas e engenhosas máquinas forjadas no fogo, trazendo para a humanidade a sua contribuição de deus civilizatório. O mito da deficiência física e da rejeição por parte de uma sociedade de cultura voltada para a perseguição da perfeição do belo, retrata aqueles que não se enquadram neste conceito helênico. Hefestos é o mito que questiona o casamento entre irmãos e as suas consequências genéticas. Dos quatro filhos gerados pela união dos irmãos Hera e Zeus: Ares, Hebe, Ilítia e Hefestos, somente o último nasceu disforme e coxo, o que reflete os riscos da união. Cabe a Hefestos suprir o abandono materno, a traição constante da esposa, a rejeição dos deuses por sua figura disforme, com o trabalho árduo, engenhoso, voltado à técnica civilizatória, à inteligência construtiva, à qual lhe serve não só para criar adornos e instrumentos úteis aos deuses e à humanidade, como para executar vingança aos que se lhe humilham ou traem. Hefestos é o mais feio dos deuses, mas sua inteligência ardilosa faz com que se case com a mais bela das deusas e que se imponha soberano a todos os outros deuses do Olimpo.

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