quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A QUEDA DO MURO DE BERLIM

No dia 9 de novembro de 1989, após grandes manifestações civis de protesto, o governo da República Democrática Alemã (RDA), permitiu, pela primeira vez em mais de vinte e oito anos, que os moradores da parte oriental de Berlim, pudessem atravessar o muro que os separava do lado ocidental. Em resposta, milhares de berlinenses rumaram à imensa barreira de concreto, atravessando-a e unindo-se aos berlinenses ocidentais.
O movimento de pessoas atravessando o muro, como se fosse uma grande procissão revolucionária, atraiu todos os holofotes da imprensa internacional. O mundo pôs seus olhos àquele momento histórico. Uma grande euforia tomou conta dos berlinenses, que aos poucos, foram derrubando partes do muro e, dias mais tarde, máquinas industriais completaram a demolição. Caía o maior símbolo da Guerra Fria.
A queda do muro de Berlim, ou “Muro da Vergonha”, como era chamado por seus opositores no mundo, desencadeou o fim da Cortina de Ferro, constituída pela União Soviética e pelos países socialistas do leste europeu. Diante do silêncio do governo de Moscou, que decidiu não intervir com os seus tanques modeladores da ideologia socialista; outros países do bloco comunista quebraram as amarras e, um a um, derrubaram e extinguiram os seus regimes.
A queda do muro representou para Berlim o fim à humilhação e dor que a ambição nazista mergulhara a cidade e, à própria Alemanha. Famílias foram separadas por décadas. Rebeldes mortos na tentativa de fuga. Berlim era a capital logística da Guerra Fria, de um lado do muro os soviéticos, do outro as nações capitalistas ocidentais, no meio, a dor de um povo que levara o mundo à Segunda Guerra Mundial, e que se tornara refém da nova guerra entre duas ideologias.
A partir da queda do muro, a República Federal da Alemanha (RFA) e a RDA puderam ser reunificadas, em 1990. Berlim voltou a ser a capital da Alemanha. Sem o glamour de antes da guerra, a cidade foi totalmente reconstruída, com investimentos que possibilitaram que voltasse a ser uma grande e desenvolvida metrópole. Restava lapidar as cicatrizes de uma Alemanha dividida agora pelo aspecto social, de um lado rica (parte ocidental), de outro pobre e parada no tempo (parte oriental). Restava unir preceitos morais e sociais entre pessoas que apesar da mesma origem, diferenciavam-se por completo.
Na história recente da humanidade, a queda do muro de Berlim pôs fim à Guerra Fria, e iniciou a queda do grande império soviético, ocasionando o fim de várias nações construídas sob as dialéticas de uma ideologia que envelheceu, sendo corroída por seus erros, até que ruiu, tornando-se escombros, entulhos de um mundo que o povo começou a demolir na madrugada de 9 de novembro de 1989.

A Divisão da Alemanha e de Berlim

Em 1945 Berlim era uma cidade completamente destruída. Bombardeada incessantemente pelas tropas soviéticas, a capital da Alemanha foi transformada em um grande escombro. Hitler havia cometido suicídio no bunker da chancelaria, em 30 de abril. No dia 8 de maio, foi declarada oficialmente a rendição da Alemanha e, o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa.
Berlim tornara-se no século XX, uma das capitais culturais mais efervescentes do mundo. Atingiu o apogeu no período do governo nazista, alcançando um esplendor que fascinou o mundo. Dentro do delírio nazista, foi programada para ser a capital de um império imaginário com duração de mil anos. No fim da guerra, foi reduzida a escombros, tornando-se símbolo da punição à ambição nazista, e palco do ódio do exército soviético.
Com o fim da guerra, a Alemanha foi dividida, através do Acordo de Postdam, em quatro zonas de ocupação controladas pelas potências aliadas: União Soviética, Estados Unidos, Grã-Bretanha e França. Berlim, a capital do Reich, estava situada no interior da parte ocupada pelos soviéticos, mas foi igualmente dividida em quatro setores, tornando-se a sede do Conselho de Controle Aliado.
No decorrer dos primeiros anos pós-guerra, as relações diplomáticas da União Soviética com os outros três países aliados começaram a deteriorar. O mapa da Europa passou a ser redesenhado. O líder soviético Joseph Stalin, construiu um cinturão de nações independentes, mas controladas por Moscou. Estava nascendo o bloco socialista do leste europeu, englobando a Tchecoslováquia, Polônia e Hungria, entre outras. A Alemanha estava nos planos de Stalin para que se tornasse um país pertencente ao bloco comunista. A idéia era enfraquecer os países aliados, forçando-os a deixar os territórios germânicos ocupados.
Em poucos anos, a Alemanha estava administrativamente dividida. A parte leste, controlada pela União Soviética, teve as suas indústrias e propriedades nacionalizadas. Os soviéticos eram contrários aos planos de reconstrução da Alemanha, por temer que ela voltasse a ser uma grande potência de influência nos países do leste europeu, e que recuperasse a sua força bélica, pondo em risco o controle do governo do Kremlin. Em paralelo aos planos soviéticos, Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Holanda, Luxemburgo e Bélgica decidiram em reuniões, tornar a parte alemã não controlada por Moscou, livre de ocupação, recebendo investimentos de reconstrução, abrangidos pelo Plano Marshall.
Opondo-se aos planos dos aliados para a reconstrução alemã, e a isenção das dívidas de guerra; Stálin instituiu, em 1948, o Bloqueio de Berlim, impedindo que alimentos, materiais e suprimentos chegassem ao enclave de Berlim Ocidental. Para evitar uma tragédia, a França, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, Austrália e vários outros países promoveram uma ponte aérea sobre Berlim, a Berlin Airlift, fornecendo alimentos e outros suprimentos à parte ocidental da cidade. Ironicamente, os países aliados que outrora destruíram a cidade com as suas bombas, agora socorriam a população com toneladas de suprimentos de sobrevivência. O embargo a Berlim só seria suspenso por Stalin no ano seguinte, em 12 de maio de 1949.
A situação da Alemanha ocupada só foi definida quatro anos após o fim da Segunda Guerra Mundial. Em 23 de maio de 1949 os três blocos ocupados pela França, Reino Unido e Estados Unidos foram transformados na República Federal da Alemanha (RFA), conhecida como Alemanha Ocidental, país independente e capitalista, com a capital estabelecida em Bonn. Em 7 de outubro de 1949, os soviéticos concederam autoridade administrativa à parte que ocupava, criando a República Democrática Alemã (RDA), conhecida como Alemanha Oriental, de regime comunista subordinado a Moscou.
Com a divisão da Alemanha em dois países de regimes distintos, nascia oficialmente a Guerra Fria; travada ideologicamente entre capitalistas, liderados pelos Estados Unidos, e comunistas, liderados pela União Soviética. Berlim, situada dentro da RDA, continuou a ser uma cidade dividida. O lado oriental era controlado pelos soviéticos, sendo oficialmente a capital da Alemanha Oriental. A parte oeste da cidade, tornou-se um enclave controlado pelos capitalistas, no coração dos países da Cortina Ferro.

As Primeiras Medidas Restritivas

Dividida, Berlim transformou-se no centro de espionagem da Guerra Fria. A parte ocidental da cidade representava o incômodo enclave capitalista dentro do bloco de países europeus adjacentes ao controle soviético.
Com a divisão, a Alemanha Ocidental reergueu-se de forma extraordinária, tornando-se uma potência econômica mundial, enquanto que a Alemanha Oriental estagnou o seu crescimento econômico. O não desenvolvimento da parte leste deve-se não somente ao regime socialista nela implantada, mas a um controle rígido soviético, que temia a ascensão econômica alemã, a volta do seu poderio bélico, e, principalmente, a sua influência secular sobre os países do leste europeu, exercida no pós-guerra pela União Soviética. De uma maneira sutil, mas definitiva, a população do leste alemão foi reduzida à pastoril, com escassas indústrias.
Diante da prosperidade da Alemanha Ocidental, houve uma carência de mão-de-obra, impulsionando a migração de outros povos, como os turcos, que vieram para preencher essa carência. Do lado oriental, a população empobrecida, era proibida de atravessar a fronteira em busca de trabalho.
Com o crescimento econômico da Alemanha Ocidental, proporcionando um nível de vida dos mais altos do mundo, os alemães orientais deslocaram-se em massa para o ocidente. Nos primeiros meses de 1953, cerca de 226 mil pessoas fugiram da RDA para a RFA.
Para frear as fugas, o governo da RDA fechou definitivamente, em 1952, a Zonengrenze – fronteira entre as duas Alemanhas. Desde então, o trânsito de um lado para o outro em Berlim passou a ser restrito a alguns lugares selecionados da cidade. Em 17 de junho de 1953, trabalhadores de Berlim oriental promoveram um levante contra a ocupação russa, mas foram esmagados pela polícia soviética. Em resposta às manifestações, foi exigido dos ocidentais um passe especial para que pudessem transitar no lado oriental.
Mas as restrições e proibições não inibiram o fluxo de fuga dos habitantes do lado oriental de Berlim para a parte capitalista. Em 1957, medidas mais severas foram adotadas, com a condenação de até três anos de cárcere para os que tentassem deixar o leste da cidade sem permissão.
A fuga dos alemães do oriente para o ocidente, jamais o contrário, desacreditava o regime comunista implantado nas repúblicas do leste europeu. Mesmo com medidas repressivas, a migração continuou, proporcionando fugas épicas , bem exploradas pela propaganda dos países capitalistas contra o regime comunista, transformando a Guerra Fria em um grande palco a ser assistido pelo mundo inteiro, sem nunca dar importância aos verdadeiros sacrificados, os alemães do leste, enclausurados e empobrecidos, muitas vezes separados das suas famílias.
Para evitar a fuga e a espionagem dentro de Berlim e da própria Alemanha socialista, um plano de isolamento passou a ser arquitetado: o de uma imensa muralha que separasse os dois lados da cidade e, conseqüentemente, a fronteira entre os dois países. No horizonte berlinense, a sombra obscura de um muro separatista passou a ser vislumbrado.

A Construção do Muro

A intenção da construção de um muro que separasse Berlim em duas zonas distintas foi mantida em segredo pelo governo da Alemanha Oriental. Em 1961, Walter Ulbricht, chefe de estado da RDA na época, considerado o idealizador do muro de Berlim, negou os rumores da sua construção dois meses antes do fato concretizado.
No ocidente, os serviços secretos traziam informações de que um muro seria erguido em Berlim, e que o próprio Walter Ulbricht havia pedido ao líder soviético Nikita Khrushchov, em uma conferência dos Estados do Pacto de Varsóvia, a autorização para construí-lo. Ulbricht alegava que o contato direto dos alemães do leste com a RFA atrapalhava o crescimento do estado proletário alemão, e, através da sabotagem ideológica do ocidente, incentivava a fuga em massa da população e o seu desvio dialético.
No dia 11 de agosto de 1960, o governo da RDA autorizou o conselho dos ministros a tomar medidas necessárias para a inibição do fluxo de pessoas, tanto da população, como dos espiões das potências ocidentais, nas fronteiras entre as duas Alemanhas. No dia 12 de agosto, ficou decidido que as forças armadas seriam usadas na ocupação da fronteira, instalando gradeamentos.
Os berlinenses acordaram, na madrugada de 13 de agosto de 1961, com o movimento brusco das forças armadas da RDA, apoiadas pelos soviéticos. Todas as conexões de trânsito foram interrompidas entre Berlim Ocidental e o lado Oriental. Em apenas uma noite, ergueu-se uma enorme muralha, era o muro de Berlim.
O muro de Berlim era um gigantesco paredão com cerca de 3,6 metros de altura, com 66,5 quilômetros de gradeamento metálico. Quando ficou pronto, tornou-se um cinturão sem estética arquitetônica, envolvendo completamente a cidade, medindo 155 quilômetros, com extensão interna de 43 quilômetros, sendo 37 deles na área industrial. Foram instaladas 302 torres de observação; 20 bunkers, onde os soldados atiravam em quem se arriscasse a atravessá-lo; 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de ferozes cães de guarda.
A reação da comunidade internacional foi de repulsa, mas, nos bastidores da Guerra Fria, a construção do muro não sofreu grandes pressões, pelo contrário, foi tido como dos males o menor diante da possibilidade de uma nova guerra. Os movimentos cara a cara de tanques de guerra dos Estados Unidos e da Alemanha Oriental criaram momentos dramáticos, numa encenação bélica para o mundo, que servia para medir força entre os regimes capitalista e comunista. O muro de Berlim passou a ser o marco da divisão do mundo em duas ideologias. Diante do jogo de poder entre as nações, passaria a ser chamado pelo ocidente de Muro da Vergonha.
Em um único dia, famílias foram separadas por décadas. Nas janelas, a população civil berlinense assistia inerte à divisão da cidade. Entre lágrimas e protestos, viu o imenso paredão romper a panorâmica dos dois lados de Berlim. O símbolo arquitetônico da cidade, o Portão de Brandemburgo, ficou inteiramente isolado, tendo acesso apenas pelo lado oriental, sendo reservado às autoridades policiais e militares. Berlim, cidade idealizada para ser a capital do III Reich por mil anos, que assistira ao esplendor, horror e à queda nazista, estava definitivamente dividida. A imensa e sombria muralha viera para ficar. Só cairia quando o próprio sistema ruísse.

Fugas e Mortes

Mesmo diante da indignação do mundo e do próprio berlinense, o muro persistiu erguido por vinte e oito anos. No período, várias pessoas tentaram trespassá-lo, ocasionando mortes e prisões. O número de vítimas fatais jamais foi revelado com exatidão. Alguns relatos apontam para 192 mortos, outros para 125 ou 80. O número de feridos também diverge conforme a versão, teria sido entre 112 e 200 pessoas. Cerca de 3200 pessoas foram presas acusadas de tentativa de fuga.
Momentos dramáticos vividos pelos habitantes de Berlim diante da construção do muro, ficaram registrados para sempre pelas lentes dos jornalistas. Entre eles está a fuga do soldado Conrad Schumann. Designado para controlar a linha divisória na Rua Bernauer, no dia 15 de agosto de 1961, ainda separada somente por arames farpados, o soldado atirou fora o seu fuzil, pulando sobre o arame, passando definitivamente para o lado ocidental. A fotografia da cena correu o mundo, evidenciando a realidade da cidade.
Várias pessoas atiraram-se da janela dos prédios que faziam fronteira com o muro, fugindo para a parte ocidental. Mais tarde, os edifícios foram demolidos, dando passagem para o cinturão de concreto que dividia a cidade.
A primeira vítima fatal do muro de Berlim foi o jovem pedreiro Peter Fechter. Aos dezoito anos, ele foi alvejado mortalmente pelas costas, ao tentar atravessá-lo, na altura da rua Zimmerstrasse. O jovem pereceu diante das câmeras de vários jornalistas ocidentais, sem que nada pudesse ser feito para socorrê-lo. Recolhido pela polícia da RDA, morreria logo a seguir. No local, ergue-se nos tempos atuais, um monumento em sua homenagem.
No fim de 1963, o ator Wolfgang Fuchs reuniu um grupo de jovens, que iniciaram a construção de um túnel debaixo do muro. Foram escavados, durante dez meses, um subterrâneo de 145 metros de extensão, 80 centímetros de altura, numa profundidade de 12 metros. Nos dias 3 e 4 de outubro de 1964, 57 pessoas conseguiram fugir para o lado ocidental. No dia 5 de outubro, a polícia descobriu e fechou o túnel.
Em 1979, na noite de 16 para 17 de setembro, os casais Strelzik e Wetzel, com os seus quatro filhos entre dois e quinze anos, fugiram a bordo de um balão, alcançado a Alemanha Federal.
Outras mortes chamaram a atenção do mundo, como a de Günter Litfin. Duas crianças de 10 e 13 anos foram mortas em 1966. A última vitima fatal que tentou atravessar o muro foi Winfried Freudenberg, de 32 anos. Morreu em março de 1989, poucos meses antes da queda do muro, ao tentar a fuga através de um balão de fabricação caseira.

A Queda do Muro

Na década de 1980, as reformas políticas propostas pelo líder soviético Mikhail Gorbachev modificariam para sempre o destino das nações comunistas. Ao propor as reformas de um sistema corroído, resultou no seu desmoronamento. A Alemanha Oriental foi a primeira a ser atingida pelos ventos das reformas do sistema.
No dia 7 de outubro de 1989, quando o regime comunista comemorou o quadragésimo aniversário da RDA, enfrentou forte oposição popular. Protestos e fugas em massa alertaram os comunistas mais novos de que era preciso mudanças. Poucas semanas depois das comemorações, o chefe de Estado e de partido, Erich Honecker, foi destituído de todas as suas funções, pondo fim à liderança conservadora comunista.
A destituição de Erich Honecker não pôs fim aos protestos. O processo de mudança tinha sido desencadeado de forma irreversível, sem que as lideranças do velho sistema dessem conta dos acontecimentos.
No dia 9 de novembro de 1989, o jornalista Günter Schabowski, membro da direção do SED (Partido Socialista Unificado), interpretou erroneamente, durante uma entrevista coletiva, o comunicado do governo que anunciada a abertura das fronteiras entre a RDA e a RFA. Poucas horas depois do anúncio, milhares de pessoas dirigiram-se para o muro, obrigando a guarda fronteiriça a abrir as portas. Era a queda do muro e do sistema que gerara, por quatro décadas, a Guerra Fria. O movimento histórico foi registrado pela imprensa do mundo inteiro.
Diante das manifestações do povo alemão, Mikhail Gorbachev não quis interferir, algo inédito nas rebeliões que por décadas explodiram esporadicamente nas repúblicas do Pacto de Varsóvia. No dia 10 de novembro de 1989, os berlinenses orientais e ocidentais confraternizaram-se, numa dança eufórica em cima do muro. As fronteiras foram abertas, e o Portão de Brandemburgo, símbolo de Berlim, voltou a ser ocupado por seus moradores. Desde o dia 9 de novembro, que os orientais podiam fazer compras livremente do outro lado da cidade e, reencontrar parentes que foram separados pelas atrocidades ideológicas da história.
Aos poucos, o imenso cinturão foi sendo demolido. Pessoas munidas de martelo e cunha, ajudavam na demolição. Máquinas industriais vieram, derrubando de vez o maior símbolo da Guerra Fria. Era o fim de uma época sofrida, marcada pelo jogo do poder entre os impérios capitalistas e comunistas. Era o fim da era das ideologias e dialéticas da ditadura do proletariado. Após a queda do muro de Berlim, o sistema comunista foi, um a um, caindo, varrendo países do mapa, deixando que outros emergissem.
Em 1990, a Alemanha foi reunificada. Berlim voltou a ser a capital de uma grande potência mundial. Foi totalmente reconstruída e modernizada, voltando a ter um lugar de destaque entre as grandes capitais européias. Do vergonhoso muro, restou a linha onde ele existiu, atravessando as ruas da cidade, mostrando a enorme cicatriz que, duas décadas depois do seu fim, jamais deixará o povo daquela cidade.

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