sexta-feira, 27 de novembro de 2009

QUANTO MAIS QUENTE MELHOR (SOME LIKE IT HOT) - BILLY WILDER

Considerada a melhor comédia do cinema de todos os tempos, “Quanto Mais Quente Melhor” (Some Like It Hot), é daqueles filmes que encanta pela genialidade das situações cômicas, por diálogos ambíguos e imprevisíveis, pela música e pelo carisma dos atores.
Visto através do tempo, cinco décadas depois da sua estréia nos cinemas, o filme parece ingênuo, em uma primeira leitura, mas no decorrer da agilidade das cenas, revela-se uma surpresa constante, que inspirou muitas outras comédias do cinema mundial. Sua originalidade abalou os costumes da época, fazendo com que entrasse para a categoria das grandes obras cinematográficas.
A ousadia de Billy Wilder transformou Tony Curtis em uma sofisticada mulher e Jack Lemmon em uma atrapalhada e divertida garota. Ambíguo, o filme é uma sátira mordaz aos tempos da Lei Seca, trazendo caixões que transportam bebidas alcoólicas clandestinas, criminosos que se reúnem em velórios e festas de hotéis, advogados corruptos; tudo regido por uma confusão compulsiva, marcada pelas circunstâncias e atos das personagens, fazendo-as envoltas nas teias da mentira, numa inteligente e inesperada trama.
Quanto Mais Quente Melhor” é considerado a obra-prima de Billy Wilder. Recebeu várias indicações para o Oscar, incluindo a de melhor diretor e ator (Jack Lemmon). Iniciou uma parceria feliz entre o diretor e Jack Lemmon, que por mais de duas décadas, resultaria em bons filmes e excelentes momentos do cinema. Registra momentos antológicos da sétima arte, como Marilyn Monroe cantando doce e sensualmente a canção “I Wanna Be Loved By You”, que se tornou um clássico do mito. Ou a cena final, em que Daphne (Jack Lemmon), revela para seu admirador, Osgood Fielding III (Joe E. Brown), ser um homem, e, para surpresa da platéia, não ver sinal de repúdio no milionário apaixonado.
Nada é o que parece no filme. As mulheres são homens, as de aparência comportadas trazem um vulcão e bebem languidamente em plena hipocrisia da era da Lei Seca. Os hóspedes são mafiosos. Os sentimentos são tecidos pelas mentiras que envolvem a verdadeira identidade das personagens. Situações imprevisíveis são desencadeadas e conduzidas com habilidade, em um roteiro inteligente e bem alinhavado, com cenas de desfechos hilariantes. O filme demarca a linha tenaz da habilidade de Billy Wilder em transitar por uma grande comédia ou um drama excepcional, como o mítico “Crepúsculo dos Deuses” (Sunset Boulevard), fazendo dele um dos mais geniais diretores de todos os tempos, e de “Quanto Mais Quente Melhor”, a maior das comédias.

A Fuga no Trem de Josephine e Daphne

Na efervescente Chicago de 1929, a Lei Seca, que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos, gera a subversão e a formação de grandes gângsteres. É neste cenário que nos é apresentado o saxofonista Joe (Tony Curtis) e o contrabaixo Jerry (Jack Lemmon), músicos e amigos, que passam dificuldades financeiras. Desempregados, eles conseguem um trabalho extra para tocar no baile de uma universidade na noite de São Valentin. Para chegar ao local, os dois conseguem um carro emprestado de um amigo. Na garagem onde está estacionado o automóvel, os dois presenciam um acerto de contas entre gângsteres da Máfia de Chicago.
No local errado, na hora errada, Joe e Jerry testemunham quando Spats Colombo (George Raft), chefe dos criminosos da delegação do sul, conhecido por suas polainas brancas, e os seus homens, executam os criminosos da delegação do norte, chefiados por Toothpick Charlie (George E. Stone). Ao perceber que o seu crime tinha testemunhas, Spats Colombo inicia uma frenética perseguição aos músicos. Está desencadeada a confusão da trama.
Acossados, Joe e Jerry decidem despistar os criminosos de uma maneira original: travestem-se de mulheres. Na fuga, juntam-se às alegres meninas da banda feminina de Sweet Sue (Joan Shawlee), que embarcam em um trem a caminho da Flórida. Na estação ferroviária, combinam os nomes, Joe seria Josephine e Jerry Geraldine.
É numa cena antológica na estação, que Marilyn Monroe é inserida na trama. Como Sugar Kane, ela caminha deslumbrante, femininamente provocante, seguida pelos olhares seduzidos de Jerry e Joe, quando é quase atingida nas ancas pelo vapor do trem. A atriz encontrava-se no auge da sua beleza, no esplendor balzaquiano que duraria mais três anos, até a sua morte trágica. Apesar de já ter feito um filme de sucesso de Billy Wilder, “O Pecado Mora ao Lado” (The Seven Year Itch), em 1955, a atriz não foi a primeira opção do diretor, que pensou em Mitzi Gaynor para o papel.
A confusão começa já na entrada do trem, quando Joe apresenta-se como Josephine, e Jerry, inesperadamente, como Daphne, fugindo ao combinado, que seria Geraldine. Tony Curtis empresta sofisticação e elegância a Josephine, enquanto que Jack Lemmon faz uma desajeitada e alegre Daphne, em uma interpretação divertida e hilária. Jack Lemmon foi daqueles atores que brilhou com desenvoltura tanto pela comédia quanto pelos dramas que interpretou. O papel foi pensado para que Frank Sinatra o interpretasse, mas caiu, para sorte e alegria das platéias do mundo, como uma luva na mão de um dos mais completos atores do cinema. O à vontade de Jack Lemmon é surpreendente. Valeu-lhe a indicação para o Oscar de melhor ator, além de arrebatar o Globo de Ouro na mesma categoria.
No trem, Josephine e Daphne travam amizades com as meninas da banda. A caminho de Miami, as comportadas meninas, quando todos dormem, tomam bebidas clandestinas, cantam e fazem uma grande festa. Maliciosamente, Daphne/Jerry divide a mesma cama com a sedutora e ingênua Sugar Kane. A bela loira fala da sua pouca sorte com os homens e da vontade de encontrar um milionário na Flórida, e tê-lo como marido. A viagem de trem continua alegre, sendo um dos melhores momentos do filme.

Assédios e Paixões Sutis

A chegada ao hotel, em Miami, parece tranqüila, e a fuga dos músicos bem sucedida. Na entrada, Josephine caminha com elegância, enquanto que Daphne tropeça no salto, sendo amparada pelo veterano Osgood Fielding III, milionário que se sente atraído por ela. Aproveitando-se da condição de mulher, Daphne/Jerry dá a sua mala para o embebido apaixonado carregar. No elevador, ao ouvir uma proposta indiscreta, uma indignada dama dá uma bofetada em Osgood, que se apaixona irremediavelmente por ela.
Como se não bastassem os problemas em se travestir como Josephine, Joe, fascinado pela beleza de Sugar, cria uma nova personagem: a do milionário Junior Shell, herdeiro de empresas petrolíferas. Assim, ele investe na conquista ao coração da ingênua Sugar. Um dos momentos mais deliciosos do filme é quando Sugar canta “I Wanna Be Loved By You”. Naquele momento, Josephine/Joe sente-se irremediavelmente encantado pela doçura sedutora de Sugar. Marilyn Monroe deslumbra a platéia, fazendo suspirar o mais rígido dos espectadores.
O jogo de sedução e de paixões improváveis prossegue.
Em paralelo, Osgood Fielding III assedia com veemência a alegre Daphne. Sugar e Daphne dividem em suas farsas, o título de Cinderelas, a primeira por pensar ter encontrado um jovem, belo e milionário amor; a segunda, por ter atraído um dos homens mais ricos do país. Se Sugar tem o seu amor frustrado pela falsa fortuna de Joe/Junior Shell, Daphne é a própria farsa de uma suposta mulher.
Frases ambíguas, de duplo sentido, permeiam a genialidade dos diálogos. Jerry, ao mesmo tempo em que foge do assédio de Osgood, deixa-se levar pelo fascínio de ser Daphne, e pela fantasia de ter um milionário aos seus pés. Uma das cenas mais hilariantes do filme é o tango que Daphne e Osgood dançam, com uma rosa entre os dentes, que sutilmente troca de bocas. Na parte final do tango, Daphne dobra o corpo de Osgood, tomando, inesperadamente, a posição de homem na dança. Jack Lemmon arranca aplausos naquele momento de puro delírio do riso.
Osgood Fielding III presenteia Daphne com flores e jóias. Joe/Junior Shell rouba os presentes ao amigo e os dá a Sugar. Joe mantém a farsa através do sucesso do assédio que tanto assusta Jerry. Deixando-se levar pela fantasia, Daphne/Jerry apresenta o anel de noivado a um espantado Joe. Com muito humor, realidade e fantasia mesclam-se, fazendo com que as personagens se distanciem cada vez mais do seu eu verdadeiro, abraçando uma vida dentro de outra vida. Todos enganam a todos. Sugar, por ver no amor de Junior Shell os cifrões do sonho da Cinderela; Joe, por se fazer “amiga” e confidente da jovem, ao vestir-se de Josephine, e de milionário apaixonado ao se passar por Junior Shell; Jerry, que apesar de fugir aos assédios de um milionário, deixa-se levar pelo deslumbramento dos presentes e das jóias, que não recusa; Spats Colombo, que ao eliminar rivais, transita como mafioso honrado e cidadão respeitável; e, Osgood Fielding III, que insiste em ver em Daphne a perfeição da mulher fatal, longe da sua real condição de homem.

“Ninguém é Perfeito”

A farsa de enganos caminharia perfeita, não fosse uma fatalidade do destino: no mesmo hotel em que se hospedam os músicos, em Miami, ocorrerá a “10ª Convenção dos Amigos da Ópera Italiana”, na verdade uma reunião de mafiosos, chefiada pelo poderoso chefão Little Bonaparte (Nehemiah Persoff), que vieram para resolver o massacre ocorrido em Chicago. Entre eles está o temido bandido de polainas brancas, Spats Colombo. A trama fica cada vez mais quente.
Não se pode assistir ao filme, sem estar atento à sutileza das suas insinuações; à agudeza do humor mordaz das falas; à ingenuidade aparente e inocência disseminada na malícia de Sugar Kane e Jerry/Daphne. O príncipe é um sapo, a Cinderela tem o pé grande e voz grave. Nada é perfeito, tudo é farsa, deslumbre e fantasia, que se esvai ao som de tiros das armas mortais dos mafiosos.
Numa perseguição frenética, gângsteres e músicos enchem a grande tela. É a luta entre a força bruta e os frágeis, a inteligência e a aspereza criminosa, a astúcia e os gatilhos das armas, a mentira e a sedução, homem másculo e o seu lado feminino, os sonhos e as ambições.
A fuga final das personagens desemboca no iate do milionário Osgood Fielding III. É a hora da verdade. Se Joe não é o milionário Junior Shell, é o músico mentiroso e frágil dos enganos de Sugar, o estereótipo do amor que ela tanto recusa, mas que reflete a verdadeira luz dos seus sentimentos e jeito de amar.
Mas se em Joe e Sugar os opostos se atraem de maneira irreversível, o mesmo não acontece entre Jerry e Osgood. A hora da verdade entre o casal mais divertido da história traz o final mais surpreendente de todos os filmes. No iate, em plena fuga, Osgood insiste na idéia do casamento com Daphne. Acossado, Jerry/Daphne tenta dar várias desculpas em um diálogo hilariante:

Osgood – Eu falei com a mamãe. Ela está muito feliz e gostaria que você usasse o seu vestido de noiva.
Daphne – Eu não posso casar com o vestido dela. Nossos corpos são muitos diferentes.
Osgood – Nós podemos mandar adaptá-lo para você.
Daphne – Não, Osgood. Nós não podemos nos casar.
Osgood – Por que não?
Daphne – Em primeiro lugar, porque não sou uma loira natural.
Osgood – Isso não tem importância.
Daphne – Eu fumo muito.
Osgood – Eu não me importo.
Daphne – Eu vivo com um saxofonista há três anos.
Osgood – Eu lhe perdôo.
Daphne – Eu não posso lhe dar filhos.
Osgood – Nós podemos adotar um.

Sem saída, Daphne resolve revelar o seu segredo. Tira a peruca da cabeça, e com a voz grave revela: “Eu sou homem!”. Para surpresa de todos, Osgood Fielding III mantém-se imperturbável e ainda apaixonado, respondendo prontamente: “Afinal ninguém é perfeito”. De maneira imprevisível, encerrava-se a mais eloqüente e ambígua de todas as comédias. E assim como começou, mostrou que quanto mais quente, melhor a genialidade de um grande diretor e um elenco talentoso, onde a maior farsa é o ridículo moralista, e a maior verdade o riso.

Ficha Técnica:

Quanto Mais Quente Melhor

Direção: Billy Wilder
Ano: 1959
País: Estados Unidos
Gênero: Comédia/Musical
Duração: 122 minutos / preto e branco
Título Original: Some Like It Hot
Roteiro: I. A. L. Diamond e Billy Wilder, baseado em história de Michael Logan e Robert Thoeren
Produção: Billy Wilder, I. A. L. Diamond e Doane Harrison
Música Original: Adolph Deutsch, Bert Kalmar, Matty Malneck e Herbert Stothart
Música Não Original: A. H. Gibbs
Direção de Fotografia: Charles Lang
Direção de Arte: Ted Howorth
Decoração de Set: Edward G. Boyle
Figurino: Bert Henrikson e Orry-Kelly
Maquiagem: Agnes Flanagan, Emile LaVigne, Alice Monte e Allan Snyder
Edição: Arthur P. Schmidt
Efeitos Visuais: Milt Rice e Daniel Hays
Som: Fred Lau
Estúdio: United Artists / Ashton Productions / Mirisch Company
Distribuição: United Artists
Elenco: Marilyn Monroe, Tony Curtis, Jack Lemmon, George Raft, Pat O’Brien, Joe E. Brown, Nehemiah Persoff, Joan Shawlee, Billy Gray, George E. Stone, Dave Barry, Mike Mazurki, Harry Wilson, Beverly Wills, Barbara Drew, Edward G. Robinson Jr.
Sinopse: Dois músicos desempregados, Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon), testemunham involuntariamente, na Chicago de 1929, um crime cometido pelo temível Spats Colombo (George Raft). Para fugir da mira do criminoso, os dois vestem-se de mulher, conseguindo trabalho numa banda de mulheres. Joe adota o nome de Josephine, e Jerry torna-se Daphne. Travestidos, juntam-se à banda e seguem em um trem, para Miami. No percurso, deparam-se com a bela vocalista da banda, Sugar Kane (Marilyn Monroe). Em Miami, a confusão é geral quando Joe se faz passar por um milionário para conquistar o amor de Sugar, e um verdadeiro milionário (Joe E. Brown) apaixona-se por Daphne. Não bastasse, uma reunião dos Amigos da Ópera traz a Miami uma convenção de criminosos, entre eles está Spats Colombo e a sua gangue.

Billy Wilder

Considerado um dos maiores gênios do cinema, Samuel Wilder, conhecido como Billy Wilder, nasceu em Sucha Beskidzka, atual Polônia, em 22 de junho de 1906. Filho de uma família de judeus, Billy Wilder tinha intenções de se tornar um advogado, mas abandonou a carreira quando se mudou para Viena, tornando-se jornalista.
Foi em Berlim, na Alemanha, quando trabalhava para um tablóide, que Billy Wilder iniciou a carreira no cinema, estreando-se como roteirista, em 1929. Com a ascensão do nazismo, em 1933, o jovem roteirista viu-se obrigado a deixar a Alemanha, emigrando para a França, e depois para os Estados Unidos. A barbárie nazista atingiu a sua família, tendo a mãe e os avós mortos em Auschwitz.
Nos Estados Unidos, Billy Wilder teve que aprender o idioma inglês em um curto tempo. No início contou com a ajuda de Peter Lorre para ingressar na seleta indústria de Hollywood. Escreveu roteiros em parceria com Charles Brackett que se tornaram clássicos do cinema americano, como “Ninotchka”, de 1939. A partir de 1942, Brackett começou a produzir filmes dirigidos por Wilder. Da união dos dois, surgiram grandes produções que se tornaram míticas, como “Farrapo Humano”, em 1945, que ganhou o Oscar de melhor filme, melhor direção e melhor roteiro, e “Crepúsculos dos Deuses”, em 1950, que teve várias indicações para o Oscar, ganhando o de melhor roteiro, melhor direção de arte e melhor trilha sonora.
A partir de 1951, Billy Wilder produziu os próprios filmes. Sua filmografia é de uma genialidade impar, transitando entre grandes comédias como “O Pecado Mora ao Lado” (1955) e “Quanto Mais Quente Melhor” (1959), ao filme noir, como o imprescindível “Crepúsculo dos Deuses”. É considerado um dos maiores diretores de todos os tempos, dono de uma obra com pouca oscilação, contundente e surpreendente, marcada pela ousadia de como os temas eram propostos. Impossível apontar um único filme do diretor como sendo a sua obra-prima. Billy Wilder tem várias obras-primas.
Billy Wilder teve uma vida longa, morrendo aos 95 anos, em 27 de março de 2002, em Beverly Hills, Los Angeles, vítima de uma pneumonia, após enfrentar uma batalha contra um câncer. Deixou um legado inconfundível dentro da sétima arte, responsável pela grandiosidade de várias carreiras de ídolos de Hollywood.

Filmografia de Billy Wilder:

1934 – Mauvaise Graine
1942 – The Major and the Minor (A Incrível Susana)
1943 – Five Graves to Cairo (Cinco Covas no Egito)
1944 – Double Indemnity (Pacto de Sangue)
1945 – Death Mills
1945 – The Lost Weekend (Farrapo Humano)
1948 – The Emperor Waltz (Valsa do Imperador)
1948 – A Foreign Affair (A Mundana)
1950 – Sunset Boulevard (Crepúsculo dos Deuses)
1951 – Ace in the Hole (A Montanha dos Sete Abutres)
1953 – Stalag 17 (Inferno nº 17)
1954 – Sabrina (Sabrina)
1955 – The Seven Year Itch (O Pecado Mora ao Lado)
1957 – The Spirit of St. Louis (Águia Solitária)
1957 – Love in the Afternoon (Um Amor na Tarde)
1957 – Witness for the Prosecution (Testemunha de Acusação)
1959 – Some Like it Hot (Quanto Mais Quente Melhor)
1960 – The Apartment (Se Meu Apartamento Falasse)
1961 – One, Two, Three (Cupido Não Tem Bandeira)
1963 – Irma la Douce (Irma la Douce)
1964 – Kiss Me, Stupid (Beija-me, Idiota)
1966 – The Fortune Cookie (Uma Loura por Um Milhão)
1970 – The Private Life of Sherlock Holmes (A Vida Íntima de Sherlock Holmes)
1972 – Avanti! (Avanti… Amantes a Italiana)
1974 – The Front Page (A Primeira Página)
1978 – Fedora (As Cinzas de Ângela)
1981 – Buddy Buddy (Amigos, Amigos, Negócios a Parte)

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