segunda-feira, 30 de novembro de 2009

IVANI RIBEIRO - A GRANDE DAMA DAS TELENOVELAS

Ivani Ribeiro é, ao lado de Janete Clair, considerada a maior autora da história das telenovelas do Brasil. Sua obra coincide com o início das telenovelas diárias no país, em 1963. Passou pelos dramalhões de época, sem as excentricidades de Glória Magadan, deixando a adaptação de grandes clássicos da literatura brasileira, como “A Muralha”, de Dináh Silveira de Queiroz, e “As Minas de Prata”, de José de Alencar, em momentos primorosos.
Ivani Ribeiro, assim como Janete Clair, destaca a sua obra no campo da teledramaturgia, tendo contribuído para que o gênero da telenovela evoluísse, tornando-se o principal veículo de comunicação da televisão brasileira. Esteve no ar por mais de três décadas, tendo nos anos 1960, escrito treze novelas ininterruptamente, numa produção de cerca de 1600 capítulos, de sucesso garantido. Foi a primeira das grandes autoras a encontrar a linguagem necessária para a evolução do gênero. Enquanto Glória Magadan perdia-se com os absurdos dos dramalhões e Janete Clair ainda tateava o estilo que a deixaria famosa, Ivani Ribeiro evoluía com as necessidades de um público incipiente, cada vez mais exigente, e mais apaixonado pela televisão.
Sua obra revelou para o Brasil grandes ícones da teledramaturgia, como Regina Duarte, transformou atores em grandes estrelas da pequena tela, como Eva Wilma, Carlos Zara, Tarcísio Meira, Glória Menezes, Carlos Augusto Strazzer, Rosamaria Murtinho, Antonio Fagundes. Na década de 1970, quando a TV Globo tomou a liderança da audiência na televisão brasileira, Ivani Ribeiro garantiu a sobrevivência da então agonizante TV Tupi. Suas novelas competiram diretamente com as de Janete Clair, ameaçando, por várias vezes, a hegemonia da audiência global.
Passou pela TV Excelsior, sendo responsável pela maioria dos seus grandes sucessos. Atingiu sua maturidade como autora de telenovelas na TV Tupi, seguiu para a TV Bandeirantes, chegando à TV Globo, em 1982, onde esteve até a sua morte, em 1995. Na emissora de Roberto Marinho jamais teve o estatuto de grande dama, nunca escrevendo para o horário nobre, apesar de produzir grandes sucessos como as segundas versões de “Mulheres de Areia” e “A Viagem”.
Ivani Ribeiro era extremamente inquieta nos temas que abordava nas suas novelas, ousando escrever sobre os mais diversos. Escreveu sobre psicanálise, temas espirituais, ficção científica, teatro mambembe, dramas épicos, comédias. Deu grande destaque à paranormalidade, personagens com deficiências físicas, tratando-os com uma delicadeza emocionante.
Ivani Ribeiro deixou uma das mais belas obras da teledramaturgia brasileira, legando para as novas gerações de telespectadores, a garantia da qualidade no produto final do drama contado em capítulos. Seu nome é sinônimo da história bem acabada de um gênero que em pleno século XXI, parece ainda inesgotável.

Atriz, Cantora e Autora de Novelas do Rádio

Cleide de Freitas Alves Ferreira, entraria para a história da televisão brasileira com o nome artístico de Ivani Ribeiro. Nasceu no litoral paulista, na cidade histórica de São Vicente, em 20 de fevereiro, o ano diverge conforme seus biógrafos, sendo apontados por alguns em 1916, por outros em 1922.
Formada como normalista em Santos, Ivani Ribeiro deixou a baixada santista aos 16 anos, seguindo para São Paulo na intenção de cursar a faculdade de Filosofia. Na capital paulista tornar-se-ia cantora, compositora de sambas, atriz de rádio e autora de programas de variedades. Sua estréia como artista deu-se na Rádio Educadora, onde se apresentou como intérprete de sambas e canções folclóricas.
Na época em que o rádio era o principal veículo de comunicação no Brasil, Ivani Ribeiro alcançou relativo sucesso através de programas de sua autoria, como “Teatrinho de Dona Chiquinha” e “Hora Infantil”. Como atriz, interpretou “As Mais Belas Cartas de Amor”, de sua autoria. Passou pela Rádio Difusora, apresentando-se como cantora acompanhada de uma orquestra. Na ocasião, casou-se com o premiado radialista Dárcio Ferreira, com quem teria dois filhos, Luís Carlos e Eduardo.
Foi na Rádio Bandeirantes que, além de atuar como atriz, passou a adaptar peças, apresentando programas como “Teatro Romântico”, inspirado em poemas clássicos da literatura brasileira; “Os Grandes Amores da História”, dramatização da vida amorosa de vultos da história; e, “A Canção Que Viveu”, dramatização da música brasileira. Ivani Ribeiro tornou-se um grande nome do rádio, sendo a primeira mulher brasileira a ter um programa de teatro naquele veículo de comunicação.

As Primeiras Novelas na TV Excelsior e na TV Tupi

Com a inauguração da televisão no Brasil, em 1950, autores, diretores e atores, grandes nomes da rádio, migraram para o novo veículo. Seria na televisão que Ivani Ribeiro alcançaria fama como escritora de telenovelas, realizando grandes sucessos.
Foi na TV Tupi, a primeira emissora de televisão brasileira, que, em 1952, escreveu a série “Os Eternos Apaixonados”. Naquela década, dividiu-se entre as novelas escritas para o rádio, e algumas para a televisão. Na época, as telenovelas não eram apresentadas diariamente, não tendo horário definido e continuidade programada. Muitas delas eram encenadas ao vivo, dependendo das condições e improvisos que se lhe punham à frente.
Em 1963, a TV Excelsior produziu “2-5499 Ocupado”, de Dulce Santucci, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira, mãe do gênero atual. A emissora paulista criava assim, a continuidade, fazendo com que o telespectador voltasse no dia seguinte, no mesmo horário, tornando-se fiel à programação. Ivani Ribeiro escreveria a terceira novela diária da televisão, “Corações em Conflito”, adaptada do rádio, contando a história de um viúvo e os seus problemas ao realizar o seu segundo casamento. A novela, protagonizada por Carlos Zara, foi ao ar de dezembro de 1963 a fevereiro de 1964. Tinha ainda no elenco Flora Geny, Mauro Mendonça, Márcia Real e Edmundo Lopes.
No ano seguinte, a autora escreveria simultaneamente para a TV Excelsior e para a TV Tupi. Em fevereiro, foi ao ar a primeira novela diária da TV Tupi “Alma Cigana”, protagonizada por Ana Rosa, em papel duplo. A novela tornou-se um sucesso, revelando um novo galã, Amilton Fernandes. Em 1971, a TV Tupi reeditaria a novela com o nome de “A Selvagem”, tendo novamente Ana Rosa como protagonista. “Alma Cigana” dava mostras de que a telenovela diária viria para ficar.
As primeiras novelas tinham poucos capítulos, não se estendendo por mais de dois meses. Ainda em 1964, Ivani Ribeiro escreveria em simultâneo, “A Gata” e “Se o Mar Contasse”, para a TV Tupi; e, “Ambição” e “A Moça Que Veio de Longe”, para a TV Excelsior.
Foi a partir de “A Moça Que Veio de Longe”, que se conseguiu um grande sucesso entre o público e as telenovelas. A atriz Rosamaria Murtinho marcava de forma triunfante a sua estréia na televisão. Sua personagem Maria Aparecida, conseguiu grande empatia com os telespectadores. Na época as novelas eram adaptações de textos de autores latino-americanos. “A Moça Que Veio de Longe” não fugia à regra. Ivani Ribeiro transgrediu o texto original argentino, adaptando-o para a realidade brasileira, criando novas personagens e mudando o desfecho. Com isto, tornou-se a maior autora de teledramaturgia da época. A novela criaria um novo galã, Hélio Souto.
Ainda em 1964, Ivani Ribeiro escreveu um outro sucesso de público, “A Outra Face de Anita”, protagonizada por Flora Geny. Na novela, ela inseria pela primeira, um ícone das suas obras, o deficiente físico, aqui na figura de Vítor, um débil mental. A personagem, vivida por Bentinho, atingiu grande popularidade.
A partir de 1965, Ivani Ribeiro tornou-se autora exclusiva da TV Record, contribuindo para que a emissora se tornasse a maior produtora de telenovelas de qualidade daquela década. Seguiu-se “Onde Nasce A Ilusão”, que trazia o universo circense para a televisão; com uma produção milionária para a época, tendo em seu elenco Carlos Zara, Maria Helena Dias, Renato Máster, Célia Coutinho, Edmundo Lopes, Glauce Graieb e Bentinho.
A Indomável”, foi escrita em forma de comédia. Adaptação da peça “A Megera Domada”, de William Shakespeare, tinha a sua trama transportada para a São Paulo da década de 1920. Edson França e Aracy Cardoso viviam os míticos Petruchio e Catarina. A novela ganharia duas versões, “O Machão”, em 1974, e “O Cravo e a Rosa”, em 2000. O elenco contava ainda com David Neto, Nívea Maria, Fúlvio Stefanini, Edgard Franco, Yara Lins e Maria Aparecida Baxter, entre outros.
Vidas Cruzadas” trazia Carlos Zara em papel duplo, interpretando o marginal Henrique Varela, procurado pela polícia, e o do seu sósia Bruno Vieira, morto em um acidente. Henrique assume a identidade do morto, indo morar na sua casa. No elenco Irina Grecco, Márcia Real, Geraldo Del Rey, Célia Coutinho e Riva Nimitz.

Os Grandes Épicos da TV Excelsior

Em julho de 1965, Ivani Ribeiro escrevia aquela que seria a primeira superprodução da telenovela brasileira, “A Deusa Vencida”. A partir de então, os capítulos e as personagens das tramas aumentaram substancialmente. Mais longas, as novelas passaram a ter cuidados mais primorosos. “A Deusa Vencida” teve, entre outras curiosidades, trilha sonora própria, transformando-se em um romance. A história passava-se na São Paulo do fim do século XIX, relatando os desencontros amorosos entre a bela Cecília (Glória Menezes) e o jovem Edmundo Amarante (Tarcísio Meira). Diante da ruína da fortuna da família de Cecília, os jovens são separados por imposição dos pais. Cecília, para salvar a família da ruína, casa-se com Fernando Albuquerque (Edson França). Edmundo casa-se, por piedade, com Malu (Regina Duarte), jovem condenada por uma doença incurável. Durante toda a trama, cartas misteriosas geram intrigas e suspense. A autoria das cartas só é revelada no fim da novela, era a frágil Malu. O elenco era primoroso. Além do casal Glória Menezes e Tarcísio Meira, contava com Edson França, Altair Lima, Ivan Mesquita, Karin Rodrigues, Ruth de Souza, Rachel Martins, e marcava a estréia de uma jovem atriz, Regina Duarte, que conquistaria o país com o seu ar angelical e voz doce.
A Grande Viagem” trazia um grupo de pessoas que viajava em um navio luxuoso, do nordeste em direção ao sul. O navio era tomado pelo náufrago Pardini, sendo desviado para uma ilha, onde estava escondida uma fortuna. Seguindo a linha de suspense policial, trazia um grande mistério a ser desvendado, a identidade do cúmplice de Pardini. A imprensa da época revelou o mistério. Ivani Ribeiro escreveu um novo final, gravado apenas no dia em que foi ao ar. Henrique César viveu com sucesso o frio Pardini. Ainda no elenco Regina Duarte, Flora Geny, Mirian Mehler, Daniel Filho, Fúlvio Stefanini, Altair Lima, Márcia Real, Rodolfo Mayer, Mauro Mendonça, Bentinho, Riva Nimitz, Tony Vieira e a presença rara do grande ator do teatro brasileiro, Procópio Ferreira, em uma participação especial.
Em 1966, três novelas de Ivani Ribeiro iriam ao ar pela TV Excelsior: “Almas de Pedra”, “Anjo Marcado” e “As Minas de Prata”. A primeira era a adaptação da obra de Xavier de Montepin, transposta para a realidade brasileira do final do século XIX. De forma sutil, a novela questionava a opressão feminina da sua época. Glória Menezes, a protagonista, passava-se por homem, disfarçando-se com barba. No elenco Tarcísio Meira, Francisco Cuoco, Armando Bógus, Suzana Vieira, Íris Bruzzi, Silvana Lopes, Ivan Mesquita e Carminha Brandão.
Anjo Marcado” inovava na narrativa, sendo contada em flashback a partir do misterioso desaparecimento de Valquíria, protagonista interpretada por Karin Rodrigues. A novela consolidava a carreira de Regina Duarte, que atingia grande popularidade em todo o Brasil. Também criava um novo galã, Paulo Goulart. No elenco Geraldo Del Rey, Maria Izabel de Lizandra, Lolita Rodrigues, Carminha Brandão, Elizabeth Gasper, Otávio Augusto, Lurdinha Félix e Paulo Figueiredo.
As Minas de Prata”, foi até então, a novela mais longa de Ivani Ribeiro, indo ao ar de novembro de 1966 a julho de 1967. Inspirada no romance homônimo de José de Alencar, foi outra grande produção da TV Excelsior, sendo uma das mais luxuosas da década. A cidade de Salvador do século XVII foi recriada cenograficamente no sítio Alvarenga, em São Bernardo do Campo. Durante a novela, Glória Menezes, que interpretava Zana, foi substituída por Lídia Costa. Regina Duarte e Fúlvio Stefanini eram os protagonistas. No elenco Armando Bógus, Paulo Goulart, Carlos Zara, Arlete Montenegro, Renato Máster, Suzana Vieira, Ivan Mesquita, Sonia Oiticica, Maria Izabel de Lizandra, Stênio Garcia, Henrique César, David Neto, Procópio Ferreira, Silvana Lopes e Riva Nimitz. A novela inspirou “A Padroeira”, em 2001, na TV Globo.
Do épico para o suspense, a criatividade de Ivani Ribeiro não cessava. Sem pausa, escreveu “Os Fantoches”, inspirada no livro “O Caso dos Dez Negrinhos”, de Agatha Christie. A trama acontecia, quase que toda, dentro de um hotel de luxo, com um clima de suspense que atingiu o auge até o último capítulo. A pedido da emissora, a imprensa da época não revelou o autor das cartas anônimas, mantendo o total suspense até o fim. No elenco Átila Iório, Flora Geny, Regina Duarte, Paulo Goulart, Nicette Bruno, Dina Sfat, Stênio Garcia, Ivan de Albuquerque, Márcia de Windsor, Elizabeth Gasper, Yara Lins, Vera Nunes, Lídia Costa, Mauro Mendonça, Renato Máster, Edgard Franco, Sílvio Rocha e Rogério Márcico entre outros.
O Terceiro Pecado”, de 1968, marcava a estréia de Ivani Ribeiro no mundo do sobrenatural, o que seria uma constante em sua obra, a partir de então. O Anjo da Morte enviava para a Terra um mensageiro, Alexandre, para buscar a jovem Carolina. Alexandre apaixona-se pela jovem, e pede para a Morte que troque Carolina pela irmã dela, a perversa Ruth. A Morte não concorda, mas concede uma nova oportunidade a Carolina, ela poderá cometer apenas dois pecados, o terceiro causará a sua morte. Regina Duarte, mais uma vez, conquistaria o público, vivendo a doce Carolina. Nathália Timberg destacou-se no papel da Morte, e Gianfrancesco Guarnieri como o emissário Alexandre. No elenco Maria Izabel de Lizandra, Paulo Goulart, Stênio Garcia, Lílian Lemmertz, Carminha Brandão, Edgard Franco, Yara Lins, Lélia Abramo e Silvio Rocha. Em 1989, a novela ganharia uma nova versão com o título de “O Sexo dos Anjos”.
Em 1968, outro grande épico da televisão brasileira era produzido, “A Muralha”, baseada no romance de Dináh Silveira de Queiroz. Ivani Ribeiro já tinha adaptado a história duas vezes, para a TV Record, que foi ao ar em 1954 e 1958, respectivamente. A TV Excelsior finalmente produziu a novela com o esmero que o texto exigia. A muralha era a serra como obstáculo aos bandeirantes paulistas, que sonhavam em deixar o litoral e conquistar o interior do Brasil colônia do século XVI. Através da família de Dom Braz Olinto, personagens desencadeavam os acontecimentos épicos que levaram à Guerra dos Emboabas. Era a história do Brasil contada com sofisticada produção, sem perder a sua veia novelística. Uma das produções mais caras da década de 1960, contou com um elenco primoroso, em interpretações antológicas, com cenas belíssimas em tomadas externas. Mauro Mendonça e Fernanda Montenegro protagonizavam a trama, que tinha em seu elenco Rosamaria Murtinho, Gianfrancesco Guarnieri, Nathália Timberg, Arlete Montenegro, Edgard Franco, Nicette Bruno, Paulo Goulart, Maria Izabel de Lizandra, Stênio Garcia, Serafim Gonzalez, Cleyde Blota, Carlos Zara, Cláudio Correa e Castro, Paulo Celestino e Sílvio de Abreu. “A Muralha” foi uma das mais bem acabadas produções da TV Excelsior, numa qualidade de texto que se distanciava anos luz dos dramalhões que Gloria Magadan escrevia na época para a TV Globo. Em 2000, a história foi reeditada, tendo Mauro Mendonça no mesmo papel que vivera em 1968.
Em 1969, em plena época da chegada do homem na Lua, do sucesso de filmes como “2001, Uma Odisséia no Espaço”, foi inevitável que Ivani Ribeiro abordasse o tema. Surgiu “Os Estranhos”, uma novela de ficção científica, que se passava na ilha de um escritor, personagem vivido por Pelé. A ilha era visitada por extraterrestres, homens e mulheres de cor amarela e de rostos brilhantes. Apesar de fugir da realidade das novelas, a trama foi tecnicamente bem feita. Regina Duarte, Rosamaria Murtinho e Cláudio Corrêa e Castro eram os visitantes de outros planetas. Ainda no elenco Carlos Zara, Gianfrancesco Guarnieri, Átila Iório, Vida Alves, Stênio Garcia, Márcia de Windsor, Márcia Real, Serafim Gonzalez, Lídia Costa, Vera Nunes, Osmar Prado, Cleyde Blota, Roberto Maya, Lucy Meirelles e Silvio de Abreu.
Em 1969 a TV Excelsior era abatida por uma grave crise financeira, que resultaria no seu encerramento em 1970. Na fase final da emissora, Ivani Ribeiro escreveu duas tramas ao mesmo tempo, “A Menina do Veleiro Azul”, desenvolvida com o auxílio do marido Dárcio Ferreira e Teixeira Filho, que ia ao ar às 18h00 e 19h00; e, “Dez Vidas”, no ar às 19h30 e 20h00.
Com a crise que assolava a emissora, “A Menina do Veleiro Azul” teve o seu elenco escalado para duas novelas em simultâneo. Contava a história de Glorinha, em duas fases, vivida por Ana Maria Blota na infância, e por Maria Izabel de Lizandra na fase adulta. No elenco Edson França, Henrique Martins, Cleyde Yáconis, Cláudio Corrêa e Castro, Flora Geny, Lílian Lemmertz, Leila Diniz, Newton Prado, Arlete Montenegro, Márcia de Windsor, Cacilda Lanuza, Castro Gonzaga, Ronnie Von, Vera Nunes, João José Pompeu, Edmundo Lopes, Nádia Lippi, Lídia Costa, Serafim Gonzalez e Silvia Leblon. A trama marcava a estréia discreta da atriz Sonia Braga nas telenovelas.
Dez Vidas” foi a última tentativa da TV Excelsior em realizar uma grande produção. Novamente Ivani Ribeiro trazia a história do Brasil para os folhetins televisivos, desta vez contando a história da Inconfidência Mineira, tendo como espinha dorsal o herói Tiradentes, e o triângulo amoroso entre Marília, Dirceu e Carlota. Além dos problemas financeiros pelo qual passava a emissora, a trama teve problemas com a censura militar, que considerava a história de Tiradentes subversiva. A novela teve que mudar de horário e sofreu vários cortes impostos pelos censores. Regina Duarte, que vivia a personagem Pompom, descontente com os salários em atraso, deixou a novela logo no início, indo para a TV Globo, onde se tornaria a Namoradinha do Brasil. Leila Diniz substituiu a atriz. Diante da crise, os atores foram abandonando, aos poucos, a trama, mergulhando-a em um retumbante fracasso. Reza nos bastidores que no final, apenas cinco atores permaneceram no elenco. A TV Excelsior fechava, em 1970, as suas portas, “Dez Vidas” foi a última trama de Ivani Ribeiro naquela emissora. Deixava para trás épicos que ficaram para sempre na história das telenovelas.

De Volta à TV Tupi

Com o fim da TV Excelsior, a TV Globo demitiu Gloria Magadan, reformulou a linguagem das suas novelas, trouxe para o seu elenco os grandes nomes da emissora falida, transformando-se em uma potente produtora de telenovelas. Na nova fase da emissora carioca, Janete Clair firmava-se como grande novelista, conquistando o Brasil com as suas tramas movimentadas.
No mesmo período, Ivani Ribeiro transferiu-se para a TV Tupi, onde iria alcançar uma carreira excepcional. Sua primeira novela na emissora foi “As Bruxas”, em 1970. Mais uma vez a autora inovava no tema, trazendo a psicanálise como pano de fundo da sua trama. Separação de casais, adultério, a mente povoada de “bruxas”, provocando o medo, a angústia. A estréia da autora na TV Tupi bateu de frente com “Irmãos Coragem”, concorrente da TV Globo. A temática sofreu cortes da censura e foi obrigada a ser transmitida mais tarde. No elenco Nathália Timberg, Carlos Zara, Maria Izabel de Lizandra, Lima Duarte, Walter Forster, Cláudio Corrêa e Castro, Walmor Chagas, Débora Duarte, Maria Della Costa, Joana Fomm, Odete Lara, Tony Ramos, Aracy Cardoso, Denis Carvalho, Ivan Mesquita, Lélia Abramo, José Parisi, Patrícia Mayo, Kate Hansen, Juan de Bourbon e Zanoni Ferrite.
No fim de 1970, escreveu “O Meu Pé de Laranja Lima”, baseada na obra homônima de José Mauro de Vasconcelos. História leve e bem conduzida, alcançou um sucesso relativo. Marcava a estréia da atriz Eva Wilma nas tramas de Ivani Ribeiro, parceria que iria render grandes momentos. Ainda no elenco, Haroldo Botta a fazer o menino Zezé, Cláudio Corrêa e Castro, Carlos Zara, Bete Mendes, Gianfrancesco Guarnieri, Lélia Abramo, Silvio Rocha, Denis Carvalho, Nicette Bruno, Fausto Rocha, Annamaria Dias, Henrique Martins e Abrahão Farc.
Em 1971, “Alma Cigana” seria reeditava pela TV Tupi, com o nome de “A Selvagem”. A história foi reeditada para que se firmasse o plágio que Janete Clair foi acusada em “Irmãos Coragem”, com personagem de Glória Menezes a viver personalidades duplas, semelhante a que Ana Rosa tinha vivido em “Alma Cigana”. Sob o argumento de Ivani Ribeiro, a trama foi escrita por Geraldo Vietri e Gian Carlo.
Nossa Filha Gabriela”, tendo Eva Wilma como protagonista, trazia o teatro mambembe de Giuliano (Gianfrancesco Guarnieri). Gabriela, a estrela da companhia, voltava a uma pacata cidade, terra natal da sua mãe. Ali conheceria três simpáticos velhinhos, Candinho (Ivan Mesquita), Romeu (Abrahão Farc) e Napoleão (Cláudio Correa e Castro). No passado, eles tinham se casado com três irmãs gêmeas, sendo uma delas a mãe de Gabriela. O mistério da trama persiste em se descobrir quem seria o pai de Gabriela. No elenco Karin Rodrigues, Ana Rosa, Bete Mendes, Denis Carvalho, Lélia Abramo, Fausto Rocha e Carlos Zara.
Em 1972, Ivani Ribeiro, estreava simultaneamente “O Leopardo”, sob o pseudônimo de Arthur Amorim, para a TV Record, e, “Camomila e Bem-Me-Quer”, para a TV Tupi. “O Leopardo” tinha o texto escrito pelo marido da autora, Dárcio Ferreira e supervisionado por ela. Foi uma tentativa frustrada da TV Record entrar no mercado das telenovelas, tentativa iniciada com “As Pupilas do Senhor Reitor”, em 1970. No elenco Altair Lima, Maria Estela, Rodolfo Mayer, Laura Cardoso, David Neto, Jonas Mello, Silvana Lopes e Márcia Real.
Camomila e Bem-Me-Quer”, trama leve e bem alinhavada, contava a história de Tio Romão (Cláudio Corrêa e Castro), que com o seu chá levava amor e esperança às pessoas. Paralelo, a história adaptava a peça “O Avarento”, de Molière, com Gianfrancesco Guarnieri a fazer o avarento Olegário. No elenco Nicette Bruno, Juca de Oliveira, Maria Izabel de Lizandra, Marcelo Picchi, Tereza Teller, Geraldo Del Rey, Riva Nimitz, Serafim Gonzalez, Liza Vieira, Karin Rodrigues, Aldo César, Edwin Luísi, Carminha Brandão, Silvio Rocha, Jacyra Sampaio e Léa Camargo. Com esta novela agradável e de relativo sucesso, a autora encerrava a fase de estilo leve e bem-sucedida na TV Tupi.

Momentos Antológicos na Teledramaturgia da TV Tupi

Em 1973, Ivani Ribeiro voltaria ao horário nobre da TV Tupi, transformando-o em um forte concorrente da inatingível TV Globo. Revelaria a partir de então uma autora amadurecida e incansável em abordar diversos temas em suas tramas.
A mudança viria com “Mulheres de Areia”, adaptação de uma antiga radionovela da autora, “As Noivas Morrem no Ar”. Contava a história das irmãs gêmeas Ruth e Raquel, que disputavam o amor de Marcos. Eva Wilma interpretou com glamour as gêmeas antagônicas. A partir de então, a atriz foi promovida à primeira estrela da TV Tupi. A novela alcançou um grande sucesso, ameaçando a hegemonia da audiência da TV Globo, que exibia na época a fraca “Cavalo de Aço”. A química entre Eva Wilma e Carlos Zara foi instantânea, transformando-os no par romântico da emissora paulista, competindo com o casal Tarcísio Meira e Glória Menezes da TV Globo. Gianfrancesco Guarnieri comoveu o Brasil interpretando o doente mental Tonho da Lua. Apaixonado por Ruth, o jovem esculpia mulheres na areia das praias de Itanhaém. As esculturas eram feitas por Serafim Gonzalez, que participava da trama como ator. O sucesso respingou não só nos protagonistas, como nos coadjuvantes, entre eles o casal Malu e Alaôr, vividos por Maria Izabel de Lizandra e Antonio Fagundes, respectivamente. “Mulheres de Areia” entrou para a história como uma das telenovelas mais bem-sucedidas, tendo uma segunda versão, em 1993. No elenco Cláudio Corrêa e Castro, Cleyde Yáconis, Lucy Meirelles, Rolando Boldrin, Márcia Maria, Ana Rosa, Maria Estela, Silvio Rocha, Edgard Franco, Henrique Martins e Ivan Mesquita, entre muitos.
Em 1974, a TV Tupi reeditaria “A Indomável”, com o nome de “O Machão”, escrita por Sérgio Jockyman. O sucesso de Antonio Fagundes e Maria Izabel de Lizandra como par romântico em “Mulheres de Areia”, habilitou os dois a protagonizarem a novela, outro grande sucesso da TV Tupi.
Os Inocentes”, adaptação da peça “A Volta da Velha Senhora”, de Durrenmatt, contava a história de Maria Alice (Karin Rodrigues), que quando ficara viúva, fora assediada pelos homens da sua cidade. Ao recusar o assédio, foi difamada e expulsa do lugar, com a sua filha, a pequena Juliana. Apedrejada, Maria Alice ficara cega de um olho. Já adulta e rica, Juliana, interpretada por Cleyde Yáconis, volta à pequena cidade para vingar a mãe. A vingança estender-se-ia não só aos que ultrajaram a sua mãe, como também aos seus descendentes, chamados de inocentes. Ao longo da trama, a autora deixou o roteiro nas mãos do marido, Dárcio Campos, para escrever “A Barba Azul”. “Os Inocentes”, inicialmente feita em preto e branco, passou a ser transmitida, a partir de julho de 1974, em cores. No elenco Rolando Boldrin, Cláudio Corrêa e Castro, Luís Gustavo, Ana Rosa, Maria Estela, Adriano Reys, Tony Ramos, Elaine Cristina, Márcia Maria, Laura Cardoso, Jonas Mello, Serafim Gonzalez, Silvio Rocha e Paulo Figueiredo.
A Barba Azul” marcou a volta da autora ao horário das 19h00. Trazia o casal Eva Wilma e Carlos Zara como protagonistas. Mais uma vez, a química entre os autores colaborou para o sucesso da trama. Mais tarde, os atores tornar-se-iam marido e mulher na vida real. Contava a história de Jô Penteado, mulher que ficara noiva sete vezes, por isto chamada de Barba Azul. Geniosa e mimada, ela embarca em uma excursão escolar à Angra dos Reis, promovida pelo tranqüilo professor Fábio. O barco desvia do seu caminho, indo parar em uma ilha distante. A tripulação é dada como morta. Na ilha Jô e Fábio brigam como cão e gato, iniciando um tumultuado e imprevisível romance. A novela foi um sucesso, tendo direito a uma segunda versão, em 1985, com o nome de “A Gata Comeu”.
Em 1975, Ivani Ribeiro mergulhou no mundo do espiritismo como temática de novela, o resultado foi a bem-sucedida “A Viagem”. Estreada em horário nobre, mostrava a vida após a morte. A história da ciumenta Diná (Eva Wilma), casada com um homem mais jovem, Teo (Tony Ramos). Possessiva, ela destrói o casamento aos poucos. No meio da trama, perde o irmão Alexandre (Ewerton de Castro), que se suicida na prisão. Alexandre vaga como espírito, atormentando aqueles que lhe prejudicou em vida, vingando-se de cada um deles. Entre os que sofrem com o espírito de Alexandre está César Jordão (Altair Lima), advogado que lhe movera o processo. César e Diná apaixonam-se, mas o amor entre os dois é interrompido pela morte do advogado. César volta como espírito para ajudar os filhos, atormentados por Alexandre. No fim da trama, Diná também morre, encontrando-se com César no vale dos espíritos. Complexa, a trama alcançou sucesso de público, sendo transformada em livro. Contava com um elenco luxuoso, além dos citados: Irene Ravache, Elaine Cristina, Cláudio Corrêa e Castro, Rolando Boldrin, Joana Fomm, Adriano Reys, Ana Rosa, Carlos Alberto Riccelli, Carmem Silva, Lúcia Lambertini, Carminha Brandão, Abrahão Farc, Serafim Gonzalez, Yolanda Cardoso, Antonio Pitanga, Ricardo Blat, Suzy Camacho, Neuza Borges, Márcia Maria e Haroldo Botta.

A Última Fase na TV Tupi

Em 1976 Silvio Santos ganhou a concessão de um canal de televisão, a TVS, canal 11, com transmissão apenas para o Rio de Janeiro. O empresário decidiu investir na teledramaturgia, contratando, naquele ano, Ivani Ribeiro. A autora escreveu para a TVS a novela “O Espantalho”. A trama, ambientada em uma pequena cidade litorânea, retratava a luta do prefeito Breno contra o vice-prefeito Rafael, o primeiro tenta preservar as praias da cidade contra a poluição, o segundo, dono do maior hotel do lugar, quer trazer o maior número de turistas, sem se importar com o meio ambiente. Rafael espalha espantalhos pelas praias que Breno interditara, acusando-o de impedir o desenvolvimento da cidade. Ardilosamente, Rafael consegue a renúncia de Breno, assumindo a prefeitura. Como prefeito, ele passa a transmitir desequilíbrio mental, processo desencadeado por um aneurisma cerebral. Nos seus delírios, ele se vê perseguido por espantalhos. Acaba assassinado em uma praia. “O Espantalho” contou com um elenco luxuoso, vindo da TV Globo e da TV Tupi. Jardel Filho protagonizou a trama, tendo ao seu lado Nathália Timberg, Rolando Boldrin, Theresa Amayo, Fábio Cardoso, Hélio Souto, Ester Góes, Eduardo Tornaghi, Carlos Alberto Riccelli, Carmen Monegal, Newton Prado, Walter Stuart, Wanda Kosmo, Percy Aires, Roberto Maya, Reny de Oliveira, Léa Camargo e vários outros. A novela foi lançada em janeiro de 1977, pela TV Record e suas afiliadas, onde Silvio Santos era, na época, acionista. Só estreou no Rio de Janeiro em Junho, através da TVS. Apesar de ter um bom texto e um elenco primoroso, uma produção apurada, a dificuldade em lançar a novela no mercado contribuiu para o seu fracasso de público. A produção passou despercebida em várias partes do Brasil.
Com o fracasso de “O Espantalho”, Silvio Santos desistiu de investir nas telenovelas. Ivani Ribeiro estava presa à TVS por um contrato de quatro anos. Em 1977, Silvio Santos pôs a autora à disposição da TV Tupi, desde que a emissora pagasse o seu salário. A volta à TV Tupi foi triunfante, com “O Profeta”, estreada em 22 de outubro daquele ano. Novamente Ivani Ribeiro abordava o tema da paranormalidade. Vários temas ecumênicos foram tratados ao longo da trama, que se tornou um grande sucesso. É a história de Daniel, um paranormal que vê o passado e o futuro. Em vez de ajudar as pessoas, ele usa o poder em benefício próprio. Torna-se famoso e rico. Envolve-se com Sonia, noiva do amigo Murilo. A novela atingiu o seu clímax quando Daniel previu a morte de Murilo. Acusado de ter provocado a morte do rapaz para ficar com Sonia, Daniel é preso. No final mostra-se atormentado por seus poderes. Amparado por Carola, uma gordinha desengonçada que nutria uma paixão platônica por ele, descobre que só quer viver uma vida de homem simples ao lado dela. Carlos Augusto Strazzer, que vinha de um grande sucesso em “Éramos Seis”, foi promovido a protagonista da emissora, vivendo um dos maiores personagens da sua carreira. Débora Duarte então casada com o cantor Antonio Marcos, rescindiu com a TV Globo, voltando para a TV Tupi após cinco anos na emissora carioca. O motivo foi para que a atriz pudesse ficar em São Paulo, ao lado do marido. A atriz tinha dado à luz à filha Paloma Duarte, o que facilitou a composição de uma personagem gordinha. No fim da novela, Carola aparecia magra e bela. Irene Ravache e David José protagonizaram cenas hilariantes, vivendo o casal Teresa e Armando. A novela chegou a ameaçar a audiência de “O Astro”, de Janete Clair. No elenco Elaine Cristina, Cláudio Corrêa e Castro, Rolando Boldrin, Ana Rosa, Glauce Graieb, Márcia de Windsor, Aldo César, John Herbert, Yolanda Cardoso, Jacques Lagoa, Rildo Gonçalves, Suzy Camacho, Abrahão Farc e Luiz Carlos de Moraes.
Em 1978 Ivani Ribeiro surpreenderia novamente, com “Aritana”, abordando a temática indígena. Conta a história de Aritana, índio filho de um homem branco e de uma índia. Seu tio é um rico fazendeiro, que não quer dividir com a ele as terras que herdou do pai. Vivendo no Xingu, ele parte para a cidade em busca da herança, para garantir a sobrevivência do seu povo e defender as terras, ameaçadas de serem vendidas pelo tio para os americanos. Na cidade, apaixona-se pela bela veterinária Estela. Na sua simplicidade de índio, sofre com o escárnio dos brancos e com a indiferença de Estela. Carlos Alberto Riccelli, com o seu físico loiro, sofreu um profundo processo de caracterização para que se transformasse no índio Aritana, surpreendendo a todos. A novela incomodou fazendeiros, que viam nas reivindicações dos índios uma ameaça, o fato obrigou a TV Tupi a levar ao ar o especial “O Caso Aritana, uma Novela a Parte”. Atores e diretores , os irmãos Villas-Boas e outros órgãos de defesa dos índios, defendiam no especial as idéias da autora. Normalmente a TV Tupi gerava os seus ídolos e a TV Globo os contratava. Em “Aritana” aconteceu o contrário, grandes nomes vieram da emissora carioca. Bruna Lombardi, recém revelada pela TV Globo na novela “Sem Lenço, Sem Documento”, protagonizava a trama de Ivani Ribeiro, o seu encontro com Carlos Alberto Riccelli renderia um casamento que dura até os dias atuais. Carlos Vereza, Jorge Dória, Francisco Milani e Jayme Barcellos, também vieram da TV Globo. Wanda Stefânia, que naquele ano passara com sucesso pela aldeia global, protagonizando a telenovela “Te Contei?”, de Cassiano Gabus Mendes, voltava à TV Tupi. Outra contratação foi a do ator português Tony Correa, que fora revelado em “O Casarão”, em 1976, e um dos protagonistas da novela “Locomotivas”, em 1977, ambas na TV Globo. O luxuoso elenco de “Aritana” contava ainda com Geórgia Gomide, Cleyde Yáconis, Othon Bastos, John Herbert, Márcia Real, Ana Rosa, Maria Estela, Arlete Montenegro, Serafim Gonzalez, Carminha Brandão, Marcos Caruso, Haroldo Botta e Suzy Camacho.
Aritana” foi a última novela de Ivani Ribeiro para a TV Tupi, que entraria em dificuldades financeiras, fechando as suas portas em 1980, depois de agonizar por mais de um ano. No período de agonia da emissora, os sucessos de Ivani Ribeiro foram reprisados para suprir a falta de programação. Estava encerrada a era de ouro da TV Tupi, e a fase de Ivani Ribeiro como autora contundente do horário nobre.

Breve Passagem Pela TV Bandeirantes

Com o fim da TV Tupi, atores, diretores e autores das novelas da emissora foram contratados pela TV Bandeirantes e pela TV Globo. Ivani Ribeiro iniciaria uma nova fase da sua carreira de autora de telenovelas. Contratada pela TV Bandeirantes, viu dois dos seus grandes sucessos reeditados por aquela emissora, em 1980: “A Deusa Vencida”, de 1965, com Elaine Cristina, Roberto Pirillo, Altair Lima (interpretando a mesma personagem que fizera na primeira versão da TV Excelsior), Agnaldo Rayol, Márcia Maria, Neuci Lima, Leonor Lambertini, Neuza Borges, Oscar Felipe e Luiz Carlos Arutin; e, “O Meu Pé de Laranja Lima”, de 1970, com Dionísio Azevedo, Baby Garroux, Fausto Rocha, Regina Braga, Cristina Mullins, Rogério Márcico, Elias Gleizer, Enio Gonçalves, Maria Ferreira, Neuza Borges, Geny Prado e Alexandre Raymundo como o menino Zezé. As reedições das novelas cumpriram a sua função de entretenimento, sem causar grandes audiências.
A grande surpresa de Ivani Ribeiro na TV Bandeirantes foi “Cavalo Amarelo”, deliciosa novela em tom de comédia, que trazia a irreverente Dercy Gonçalves como protagonista. A novela era composta por um elenco vigoroso, com excelentes interpretações de Wanda Stefânia no papel de uma mulher que se vestia de homem para sustentar a família; Yoná Magalhães no seu primeiro encontro com uma trama de Ivani Ribeiro; além das presenças de Fúlvio Stefanini, Rodolfo Mayer, Jorge Dória, Rolando Boldrin, Márcia de Windsor, Kito Junqueira, Aldo César, Newton Prado, Etty Fraser, Carmen Monegal, Caminha Brandão, Maximira Figueiredo, Jacques Lagoa, Arlete Montenegro e Regina Dourado. O sucesso da personagem de Dercy Gonçalves, Dulcinéa, foi imenso, fazendo com que a emissora criasse uma continuação, a novela “Dulcinéa Vai a Guerra”. Ivani Ribeiro recusou-se a escrever a continuação, cabendo a Sérgio Jockyman e Jorge Andrade a escrever a trama.
Em 1981 Ivani Ribeiro escreveu “Os Adolescentes”, tendo como temática os problemas dos jovens na transição para a idade adulta. O tema era pouco explorado na época, com raras exceções para “Dancin’ Days”, novela de Gilberto Braga de 1978. A trama girava em torno de quatro adolescentes, Doca (André de Biasi), um viciado em drogas; Caíto (Flávio Guarnieri), que trazia tendências homossexuais; Majô (Tássia Camargo), apaixonada pelo padrasto; e, Bia (Júlia Lemmertz), que se encontrava grávida. No meio dos jovens transitava o professor Túlio, ex-viciado. O papel foi interpretado pelo ator Kito Junqueira. Roteiro ousado para época, onde a autora abordava com delicadeza temas que envolviam os adolescentes da época. Ivani Ribeiro não terminaria de escrever a novela, depois de um desgaste com a emissora, marcada por desencontros pontuais, a autora foi afastada da trama, sendo substituída por Jorge Andrade. A novela trazia uma série de novos atores que construiriam grandes carreiras, como Giuseppe Oristânio, Júlia Lemmertz, Tássia Camargo, Lília Cabral e André de Biasi. Ainda no elenco, Norma Benguell, Beatriz Segall, Selma Egrei, Márcia de Windsor, Paulo Vilaça, Roberto Maya, Emílio de Biasi, Imara Reis, Hugo Della Santa, Mayara Magri, Sonia Oiticica, Carmem Silva, Fábio Cardoso, Lúcia Mello, Ricardo Graça Mello e Arlete Montenegro.
Ivani Ribeiro encerrava a sua passagem meteórica na TV Bandeirantes, migrando, finalmente, para a poderosa TV Globo, onde permaneceria até a sua morte.

Sucessos e Reedições na TV Globo

Em 1982, Ivani Ribeiro foi contratada pela TV Globo. A grande dama das telenovelas, que na década anterior ameaçara tantas vezes a hegemonia de audiência da emissora, chegava àquela casa modestamente, no horário das 19h00. As limitações do horário não intimidaram a autora. Na sua estréia na emissora carioca trouxe uma história sucinta, bem acabada, com temas leves, mas tratados com maestria. A novela era “Final Feliz”, e seria a última trama inédita da autora. Natália do Valle vivia a geniosa Débora, a sua primeira protagonista, fazendo par romântico José Wilker. A química entre os atores sustentou a personalidade difícil e bombástica das suas personagens, tanto que voltariam a fazer par romântico em “Transas e Caretas”, em 1984. Paralelo à história tumultuada do romance entre Débora e Rodrigo, circulavam personagens interessantes e marcantes, como Mestre Antonio, um pescador nordestino humilde que vinha do nordeste à procura da filha Bartira. A personagem vivida magistralmente por Stênio Garcia, valeu ao ator o prêmio Destaque do Ano e da ABCA (Associação Brasileira de Críticos de Arte). A empatia entre Mestre Antonio e Rafael, um jovem com deficiência mental, comoveu o Brasil. Rafael é daquelas personagens desprotegidas, carismáticas, que todos querem amparar, típicas do universo de Ivani Ribeiro. A atuação de Irving São Paulo conquistou a autora, que passaria a tê-lo em todas as suas tramas. Última novela da extraordinária atriz Elza Gomes, considerada a mãe de todas as personagens das novelas das décadas de 1970 e 1980. A atriz viveu uma doce, alegre e trambiqueira velhinha, Dona Sinhá, fornecedora de carne de coelho a um restaurante; mas na verdade, ela criava gatos em casa e os vendia como coelhos. Outro momento histórico foi a campanha antitabagismo da autora, defendida na voz de Lucinha, personagem de Cissa Guimarães; numa época em que as fábricas de cigarro faziam grande merchandising nas telenovelas. “Final Feliz” foi uma novela sem pretensões da autora, que não se arriscou em uma trama densa no horário proposto. Não causou impacto na obra da autora, mas cumpriu a função de entretenimento. No elenco Lílian Lemmertz, Lídia Brondi, Walmor Chagas, Milton Moraes, Mirian Pires, Adriano Reys, Buza Ferraz, Roberto Maya, Priscila Camargo, Célia Biar, Lúcia Alves, Wolf Maya, Cininha de Paula, Aracy Cardoso, Angelina Muniz, Enio Santos, Tetê Pritzl, Ney Santana, Eduardo Lago, Oswaldo Louzada, Francisco Milani, Thais de Campos, Patrícia Bueno, José Augusto Branco, Cláudia Magno, Augusto Olímpio e Reny de Oliveira. Visto através do tempo, percebe-se o tanto que a morte já devastou este elenco, deixando uma saudade perene no público.
A partir de 1984, Ivani Ribeiro passou a rever as suas obras, recriando as suas histórias, dando-lhe títulos novos, mudando alguns nomes de personagens e acrescentando outros. Foi o caso de “Amor Com Amor Se Paga”, reedição de “Camomila e Bem-Me-Quer”, sucesso de 1972 da extinta TV Tupi. A novela alcançou um grande sucesso, em parte devido à personagem de Nonô Correia, personagem vivido magistralmente por Ary Fontoura, em um dos momentos mais marcantes da sua carreira. Berta Loran, grande humorista brasileira, fazia uma participação rara em novelas, vivendo Frosina, empregada do avarento Nonô Correia. Os duelos cômicos entre as personagens geraram cenas antológicas. A novela desfilava atores jovens, que pelas mãos de Ivani Ribeiro, firmavam as suas carreiras. Entre as estréias estava a atriz Claudia Ohana, vinda das telas do cinema nacional. Edson Celulari vivia o seu primeiro protagonista. Yoná Magalhães, após cinco anos de ausência, voltava às novelas da TV Globo. Fernando Torres deu o tom exato ao carismático tio Romão. Wanda Stefânia viveu uma sofrida personagem, que se anulou para que o marido formasse, sendo depois desprezada por ele, por não ser uma mulher culta. Flávio Galvão dividiu com a atriz momentos de pura emoção e reflexão da visão feminina de Ivani Ribeiro. O elenco era também composto por Carlos Eduardo Dolabella, Adriano Reys, Caíque Ferreira, Bia Nunes, Oberdan Junior, Milton Moraes, Arlete Salles, Mayara Magri, Matheus Carrieri, Beatriz Lyra, Miguel Falabella, Júlia Lemmertz, Carlos Kroeber, Wanda Cosmo, Paulo César Grande, Chica Xavier, Narjara Turetta, Mário Cardoso, Ana Ariel e Vera Gimenez.
A Gata Comeu”, em 1985, trazia de volta outro grande sucesso da autora, “A Barba Azul”, feita em 1974. Christiane Torloni e Nuno Leal Maia viviam o casal Jô e Fábio, originalmente vividos pela mítica dupla romântica Eva Wilma e Carlos Zara. Revigorada, a história tornou-se um dos maiores sucessos de audiência da década de 1980. O elenco infantil trazia nomes como Danton Mello, Juliana Martins e Oberdan Júnior, que fariam carreiras quando adultos. Ivani Ribeiro conseguia contar, mais uma vez, uma história antiga com a emoção de uma nova. No elenco Bia Seidl, Mauro Mendonça, Cláudio Corrêa e Castro, Eduardo Tornaghi, José Mayer, Deborah Evelyn, Roberto Pirillo, Dirce Migliaccio, Luiz Carlos Arutin, Anilza Leoni, Laerte Morrone, Marilu Bueno, Rogério Fróes, Fátima Freire, Monah Delacy, Aracy Cardoso, Norma Géraldy, Jayme Periard, Mayara Magri, Kleber Macedo, Nina de Pádua, Diana Morell e Germano Filho.
Em 1986 a autora reeditou “Nossa Filha Gabriela”, de 1971, desta vez com o título de “Hipertensão”. Mudou o nome da personagem central, de Gabriela para Carina. Maria Zilda viveu a personagem que outrora fora de Eva Wilma. Cláudio Corrêa e Castro voltou a fazer o mesmo papel que defendera na versão original, o do velho e autoritário Napoleão. Mais uma vez Ivani Ribeiro revelava uma safra de jovens atores que marcavam estréia na trama, entre eles Cláudia Abreu, Carla Marins, Antonio Calloni e Eri Johnson. Ainda no elenco Cláudio Cavalcanti, Elizabeth Savalla, Paulo Gracindo, Ary Fontoura, José Mayer, Carlos Eduardo Dolabella, Geórgia Gomide, Paulo Betti, Taumaturgo Ferreira, Lúcia Alves, Stênio Garcia, Eloísa Mafalda, Deborah Evelyn, Nelson Xavier, Lília Cabral, Ruy Resende, Oswaldo Louzada, Ida Gomes e Ana Ariel.
Ivani Ribeiro encerrava a década de 1980 com “O Sexo dos Anjos”, em 1989, reedição de “O Terceiro Pecado”, novela da antiga TV Excelsior, feita em 1968. Na primeira versão, a história era ambientada na década de 1920, aqui ela era transportada para o tempo atual. Foi a novela que menos fez sucesso de todas as reedições de Ivani Ribeiro. Em parte por um elenco que não se mostrou apurado com o tema. Bia Seidl esteve sedutora como a Morte, mas longe da criação enraizada de Nathália Timberg. Isabela Garcia viveu com doçura a personagem central, mas sem as nuances da eterna Namoradinha do Brasil, Regina Duarte. Na composição do elenco, Joana Fomm recusou o papel de Vera, sendo substituída por Norma Benguell, fato curioso, pois em 1978 acontecera o contrário, Joana Fomm substituíra Norma Benguell em “Dancin’ Days”, interpretando a vilã Yolanda Pratini. Ainda no elenco Felipe Camargo, Marcos Frota, Caíque Ferreira, Irving São Paulo, Myrian Pérsia, Silvia Buarque, Carla Marins, Paulo Figueiredo, Otávio Muller, Eloísa Mafalda, Stepan Nercessian, Bianca Byngton, Tonico Pereira, Rodolfo Bottino, Emiliano Queiroz, Inês Galvão, Ilva Niño, Cosme dos Santos, Rosana Garcia, Paula Burlamaqui, Leina Krespi, Carlos Kroeber. Enquanto uns chegavam, como Humberto Martins, que fazia a sua estréia, outros partiam, como Lutero Luiz, que se despedia de cena.
Em 1990 Ivani Ribeiro decidiu reeditar aquela que tinha sido o seu maior sucesso, “Mulheres de Areia”. O projeto só foi aprovado pela TV Globo em 1992. Glória Pires foi escalada para viver as gêmeas Ruth e Raquel, personagens que alavancara a carreira de Eva Wilma. A gravidez da atriz atrasou o projeto, e a segunda versão de “Mulheres de Areia” só foi ao ar em 1993. Nesta versão, a autora incorporava à trama “O Espantalho”, com Raul Cortez a fazer o papel originalmente dado a Jardel Filho. Ivani Ribeiro tinha a difícil tarefa de transformar uma trama originalmente feita para ir ao ar mais tarde, em horário nobre, desta vez com formato de novela das 18h00. As limitações do horário não prejudicaram a reedição da novela, que se tornou, pela segunda vez, um dos maiores sucessos da televisão brasileira, e um dos maiores produtos de exportação para o mundo. Na Rússia a novela atingiu índices históricos de audiência, tanto que o governo exibiu o último capítulo no dia de eleições, evitando que os eleitores viajassem no feriado e aumentasse a ida às urnas. Em Portugal a trama pôs a SIC, emissora que havia sido fundada recentemente, na liderança, derrubando a hegemonia da RTP, que jamais se recuperou. Glória Pires viveu um dos momentos mais elogiados da sua carreira e, mais uma vez, Ivani Ribeiro mostrou que podia se reinventar e, o porque de ser uma das maiores novelistas do país. Além de Glória Pires e Raul Cortez, o elenco trazia Guilherme Fontes, Marcos Frota, Suzana Vieira, Laura Cardoso, Vivianne Pasmanter, Paulo Betti, Sebastião Vasconcelos, Humberto Martins, Nicette Bruno, Adriano Reys, Andréa Beltrão, Jonas Bloch, Thaís de Campos, Daniel Dantas, Isadora Ribeiro, Oscar Magrini, Irving São Paulo, Edwin Luísi, Paulo Goulart, Ricardo Blat, Henri Pagnocelli, Eduardo Moscovis, Gabriela Alves, Suely Franco, Denise Milfont, Stepan Nercessian, Lu Mendonça, além de Carlos Zara, que participara da versão original.
Com o triunfo de “Mulheres de Areia”, Ivani Ribeiro reeditou outro grande sucesso do antigo horário nobre da TV Tupi, “A Viagem”, desta vez indo ao ar à 19h00. A vida após a morte voltava a ser tema, e o sucesso da novela foi garantido. Christiane Torloni viveu Diná, mais uma vez tomando para si uma personagem que pertencera a Eva Wilma. A maturidade da atriz garantiu-lhe uma interpretação límpida, sincera e expressiva. Antonio Fagundes, que na versão de 1975 recusara o papel de Alexandre, voltava ao universo de Ivani Ribeiro, interpretando César Jordão, aqui com o nome alterado para Otávio Jordão. A inflexibilidade expressiva de Maurício Mattar no papel de Teo não garantiu o carisma alcançado por Tony Ramos na versão anterior. Momento de emoção conseguida pela figura misteriosa do Mascarado, interpretado por Breno Moroni, homem que escondia o rosto deformado atrás de uma máscara de Pierrô, personagem ícone do universo da autora. No elenco Guilherme Fontes, Yara Cortes, Cláudio Cavalcanti, Lucinha Lins, Ary Fontoura, Nair Bello, Laura Cardoso, Thaís de Campos, Lolita Rodrigues, Suzy Rêgo, Miguel Falabella, Jonas Bloch, Andréa Beltrão, John Herbert, Denise Del Vecchio, Felipe Martins, Jayme Periard, Tânia Scher, Eduardo Galvão, Irving São Paulo, Mara Carvalho, Mara Manzan, Fernanda Rodrigues, Ricardo Petráglia, Myrian Pérsia, Cláudio Mamberti, Maria Alves, Solange Couto, Gésio Amadeu, Jorge Pontual, Lafayette Galvão, Mylla Christie, Daniel Ávila, Roberta Índio do Brasil e Danton Mello.
Com “A Viagem”, Ivani Ribeiro despedia-se do seu público. Em 1995, bastante afetada pela diabetes, que lhe trazia dificuldades em enxergar, foi internada com insuficiência renal provocada pela doença. No período de internação, perdeu o marido, Dárcio Ferreira, companheiro de toda a vida. A autora jamais soube da perda, vinte dias depois da morte do marido, em 17 de julho de 1995, veio a falecer, fazendo a sua própria viagem.
Ivani Ribeiro legou uma das mais extensas obras da teledramaturgia brasileira, repleta êxitos e grandes sucessos. Deixou duas obras inéditas, sendo uma delas o roteiro de “Caminho dos Ventos”, que foi ao ar postumamente, em 1996 com o nome de “Quem É Você?”, escrita inicialmente por sua assistente, Solange Castro Neves, e concluída por Lauro César Muniz. A novela protagonizada por Elizabeth Savalla, Alexandre Borges, Cássia Kiss, Francisco Cuoco e Paulo Gorgulho, foi um fracasso de audiência. Faltou a mão de Ivani Ribeiro. Outra obra inédita, “O Sarau”, minissérie de doze capítulos, inspirada em obras de Machado de Assis, continua arquivada, sem ser produzida.
Em 1998 a TV Bandeirantes levou ao ar a terceira versão de “O Meu Pé de Laranja Lima”, adaptada por Ana Maria Moretzsohn, com Gianfrancesco Guarnieri, Caio Romei, Regiane Alves, Flávia Pucci, Leonardo Medeiros, Lu Grimaldi, Karla Muga e outros no elenco. Em 2006 Thelma Guedes e Duca Rachid adaptaram “O Profeta”. A novela perdeu a essência do universo de Ivani Ribeiro, sem o glamour que teve em 1977, quando foi levada ao ar em horário nobre pela TV Tupi. Ivani Ribeiro, mesmo não tendo sido escalada jamais para escrever uma novela para o horário nobre da TV Globo, garantiu por mais de uma década, grandes sucessos para a emissora. Seu nome está para sempre escrito em letras douradas na história das telenovelas brasileiras.

OBRAS:

Telenovelas

1954 – A Muralha (TV Record)
1958 – A Muralha (TV Tupi)
1959 – Desce o Pano (TV Record)
1962 – A Muralha (TV Cultura)
1963/1964 – Corações em Conflito (TV Excelsior)
1964 – Alma Cigana (TV Tupi)
1964 – Ambição (TV Excelsior)
1964 – A Gata (TV Tupi)
1964 – A Moça Que Veio de Longe (TV Excelsior)
1964 – Se o Mar Contasse (TV Tupi)
1964 – A Outra Face de Anita (TV Excelsior)
1965 – Onde Nasce a Ilusão (TV Excelsior)
1965 – A Indomável (TV Excelsior)
1965 – Vidas Cruzadas (TV Excelsior)
1965 – A Deusa Vencida (TV Excelsior)
1965 – A Grande Viagem (TV Excelsior)
1966 – Almas de Pedra (TV Excelsior)
1966 – Anjo Marcado (TV Excelsior)
1966/1967 – As Minas de Prata (TV Excelsior)
1967/1968 – Os Fantoches (TV Excelsior)
1968 – O Terceiro Pecado (TV Excelsior)
1968/1969 – A Muralha (TV Excelsior)
1969 – Os Estranhos (TV Excelsior)
1969 – A Menina do Veleiro Azul (TV Excelsior)
1969/1970 – Dez Vidas (TV Excelsior)
1970 – As Bruxas (TV Tupi)
1970/1971 – O Meu Pé de Laranja Lima (TV Tupi)
1971 – A Selvagem (argumento – TV Tupi)
1971/1972 – Nossa Filha Gabriela (TV Tupi)
1972 – O Leopardo (TV Record)
1972/1973 – Camomila e Bem-Me-Quer (TV Tupi)
1973/1974 – Mulheres de Areia (TV Tupi)
1974/1975 – O Machão (argumento – TV Tupi)
1974 – Os Inocentes (TV Tupi)
1974/1975 – A Barba Azul (TV Tupi)
1975/1976 – A Viagem (TV Tupi)
1977 – O Espantalho (TVS – TV Record)
1977/1978 – O Profeta (TV Tupi)
1978/1979 – Aritana (TV Tupi)
1980 – A Deusa Vencida (2ª versão – TV Bandeirantes)
1980 – Cavalo Amarelo (TV Bandeirantes)
1980/1981 – O Meu Pé de Laranja Lima (2ª Versão - TV Bandeirantes)
1981/1982 – Os Adolescentes (TV Bandeirantes)
1982/1983 – Final Feliz (TV Globo)
1984 – Amor Com Amor Se Paga (TV Globo)
1985 – A Gata Comeu (TV Globo)
1986/1987 – Hipertensão (TV Globo)
1989/1990 – O Sexo dos Anjos (TV Globo)
1993 – Mulheres de Areia (2 ª Versão - TV Globo)
1994 – A Viagem (2ª Versão - TV Globo)
1996 – Quem É Você? (Argumento - TV Globo)
1998 – O Meu Pé de Laranja Lima (3ª versão – TV Bandeirantes)
2006/2007 – O Profeta (Versão escrita por Duca Rachid e Thelma Guedes – TV Globo)

Séries e Teleteatros

1952 – Os Eternos Apaixonados (TV Tupi)
1960 – Teleteatro 9

2 comentários:

ADEMAR AMANCIO disse...

No tempo que via novelas,Ivani ribeiro era minha novelista favorita.

Têjota Menezes disse...

Parabéns, Jeocaz.

Seu texto é excelente.

Sou do tipo que acredita que todo homem é culto, cada um à sua maneira. Mas, rapaz, se cultura fosse ciência, você seria um polímata.

Quando eu crescer, quero ter um texto tão bom quanto o teu.

Aprendi muito com o artigo acima. Sou um radialista em formação e não conhecia a história de Ivani Ribeiro. Embora, já tenha assistido "Mulheres de Areia", não me ligava ao nome da autora.

Ei, se um dia quiser escrever em um blog furreca e não ganhar nada por isso, apareça em nosso espaço. Estamos tentando torná-lo coletivo/colaborativo.

Keep blogging.
Mais sucesso.
Têjota Menezes | @loucos_virtude