sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A ABERTURA POLÍTICA E OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

A abertura política do regime militar, lenta e gradual, atingiu a todos os setores das artes, onde a censura imperou com mão de ferro por mais de uma década. Televisão, cinema, teatro, música, jornais, livros; todos sofreram com a falta de liberdade de expressão, sendo obrigados a encontrar soluções através do que se podia escrever, editar e mostrar visualmente.
Em 1978, após um longo inverno, a abertura política começa a florir no Brasil. O Ato Institucional número (AI-5) foi revogado. Apesar de deixar de vigorar apenas no dia 1 de janeiro de 1979, já no ano da sua revogação se sentia o efeito de não se viver sob ele, e conseqüentemente, o amenizar da censura.
No período da abertura à queda do regime militar, findado em 1985, o Brasil assistiu a uma nova proposta de linguagem dos meios de comunicação. Cenas do cotidiano, tantas vezes dissimuladas pelas telenovelas, passaram a discutir temas tabus como a complexidade das relações entre os casais, a sexualidade e as questões políticas. A crítica política tomou conta dos programas humorísticos, tornando-se a sua principal veia cômica.
O cinema brasileiro voltou a respirar, encerrando a fase das pornochanchadas, procurando a sua identidade dentro do país e do mundo. Timidamente, produziu alguns filmes de conotação política, como “Pra Frente Brasil", vetado pela censura em 1982, mas logo liberado pelos ventos da abertura, que já não podia ser obstruída.
Os jornais deixaram de emitir tarjas às matérias censuradas, publicando-as na íntegra. As revistas de informação começaram a publicar reportagens de denúncia. A abertura refletiu-se também na moralidade hipócrita da nação, defendida pelo regime militar através da censura. A pornografia, a partir de 1980, foi permitida, sendo a sua liberação mais ligeira do que a de temas políticos. Revistas de sexo explícito inundaram as bancas, postas à venda ao lado dos jornais dos partidos clandestinos da esquerda, entre eles o “Hora do Povo”, do MR-8. Era a nova linguagem da comunicação brasileira, que explodia como um vulcão, após anos de liberdade reprimida. Incipiente, procurava respirar uma identidade de comunicação. Da liberdade política à pornografia, a abertura começou, finalmente a ser identificada pelos meios de comunicação e pelos brasileiros, sobreviventes ao furacão de 1964.

A Abertura e os Programas Humorísticos

Em 1978, o público brasileiro surpreendeu-se com a nova linguagem do programa humorístico “Planeta dos Homens”, da TV Globo. Os quadros apresentados deixaram de usar metáforas para satirizar os políticos, fazendo-o de forma mais direta. A pergunta era, “já se pode falar?”. Eram os primeiros ecos da abertura política, desenhada desde 1976 pelo governo Geisel, e que finalmente, começava a se fazer presente.
Quando da implantação do regime militar, em 1964, a televisão era um meio de comunicação sem influência sobre as grandes massas populares. Poucos tinham acesso aos aparelhos retransmissores. Na época da abertura, tornara-se o meio de comunicação mais consumido pelo povo brasileiro. Dentro das emissoras, era preciso encontrar a nova linguagem proposta pela abertura e pela censura amenizada, para que não fossem atropeladas pelo comboio da história.
Os programas humorísticos foram os primeiros a abraçar àquela liberdade que se vislumbrava. Adaptaram para a pequena tela a linguagem da sátira política dos antigos teatros de revista; que consistia em assimilar instantaneamente os acontecimentos políticos e jornalísticos. O “Planeta dos Homens”, programa que substituiu, em 1976, a série norte-americana “O Planeta dos Macacos”, trazia em seu elenco Jô Soares e Agildo Ribeiro. Sua mascote era o macaco Sócrates, uma alusão ao filósofo grego. Sócrates fazia perguntas indiscretas, de cunho político, e que impossibilitadas pela censura de serem respondidas, ele lançava o bordão “Não precisa explicar, eu só queria entender”. Sob as garras da censura, um quadro “Gandola”, em que Jô Soares procurava um bom emprego, exigindo um bom cargo, pois tinha sido enviado pelo Gandola, satirizava o nepotismo do regime. A palavra gandola, uma peça de vestuário, usada pelos militares em substituição ao capote, passou despercebida pela censura. Quando descoberto o ardil, Gandola foi substituído pelo “Bochecha”.
Já em 1979, a mão da censura não tinha tanto poder diante do processo de abertura, e a sátira política tornou-se a essência dos programas humorísticos. Na temporada do “Planeta dos Homens” daquele ano, Jô Soares vivia o doutor Sardinha, que diante de uma melancia, perguntava quem produzira um chuchu tão grande. Era uma alusão clara ao então ministro Delfim Neto, empossado na pasta da agricultura. Tido como um homem das finanças, Delfim Neto, renomado economista da época do “Milagre Brasileiro”, era tido como incapaz no ministério da agricultura. No final do quadro, o doutor Sardinha anunciava: “Meu negócio é número”. Era a ditadura e os seus homens a ser abertamente criticada. O “Planeta dos Homens” foi ao ar até 1980, sendo substituído, em 1981, por “Viva o Gordo”, tendo Jô Soares na frente do elenco.
Outro programa humorístico de sucesso era “Chico City”, do genial Chico Anýsio. Em 1979 o general João Batista Figueiredo subiu ao poder, sendo o último presidente da ditadura militar. Chico Anýsio criou Salomé, ex-professora de infância do presidente. Salomé de Passo Fundo, cidade natal do general, tinha uma linha telefônica direta com o presidente. Com o seu humor sagaz, mordaz e inteligente, satirizava o presidente e os seus colaboradores. Nunca o regime militar foi tão diretamente criticado. Salomé tornou-se um dos maiores sucessos de público de Chico Anýsio. O bordão final, “Ou eu faço a cabeça do João Batista ou não me chamo Salomé”, alusão às personagens bíblicas homônimas, virou palavra de ordem nacional. Salomé conquistou até mesmo o presidente satirizado. Nas festas de fim de ano de 1979, Chico Anýsio foi convidado para representar Salomé no Palácio do Planalto, assistido pelo presidente e os seus parlamentares, diante de Salomé, a ditadura ria de si mesma.
Em 1981, “Viva o Gordo” voltava a satirizar a ditadura, na figura do Reizinho (presidente João Batista) e do seu eminente (Golbery). A oposição acusava o presidente de obtuso, sendo manipulado pelo temível ministro militar Golbery do Couto e Silva. Na figura do Reizinho, o povo ria dessa manipulação. A crítica política dos programas humorísticos durante a abertura, serviu para mostrar o desgaste de um regime que ruía, e que o povo e a arte já não podiam ser calados.

A Abertura e as Telenovelas

A abertura refletiu nas telenovelas através do ponto de vista moral da sociedade brasileira, que tinham temas tabus reprimidos pela censura. Até então, as personagens dos folhetins da televisão não podiam, em horário nobre, ter amantes, apaixonar-se por outra se fosse casado, falar em divórcio ou em sexo, ter crianças rebeldes, ou expressar qualquer posição política. Certos assuntos que pudessem oferecer perigo à moral estabelecida pela burguesia que sustentava a ditadura, poderiam ser falados com moderação, no horário das 22h00.
Em 1978, tão logo soprou a abertura, Dias Gomes retratou na telenovela “Sinal de Alerta”, temas políticos em evidência, como o ressurgimento dos movimentos sindicais, a rebelião dos operários contra a fábrica que poluía o seu bairro. O dramaturgo deixara as metáforas usadas em “O Bem Amado” (1973), para falar, pela primeira vez, das cicatrizes do Brasil.
Quanto à moral estética, a novela “O Astro”, de Janete Clair, exibiria no fim de 1977 o primeiro nu masculino da televisão. Tony Ramos, vivendo o rebelde Márcio Hayalla, em um protesto contra o dinheiro e o poderio do pai, Salomão Hayalla (Dionísio Azevedo), protagonizou a cena. Era simples, com Márcio, uma espécie de São Francisco moderno, renunciando a todos os bens diante da família, inclusive as roupas. O rapaz despe-se, sai de casa, quando é amparado pelo jardineiro, que lhe põe uma capa velha em cima do corpo nu. A cena foi feita ao longe, ainda tímida diante do que se iria tornar a nudez dos atores nos tempos atuais. A cena escandalizou os moralistas, mas foi aplaudida por uma população que já se despia dos preconceitos. Até então, a cena de nudez mais audaciosa tinha acontecido fora do horário nobre, em “Gabriela”, às 22h00, em 1975, onde o casal vivido por Cidinha Milan e Pedro Paulo Rangel, vestindo uma roupa cor da pele, corriam pelas ruas da cidade, após serem apanhados pelo coronel mantenedor da moça. Mostrar o corpo nu na televisão, era impensável na época mais dura da ditadura militar.
Em 1979, iniciou-se o processo da quebra dos tabus sociais. Já era possível falar de sexo. O seriado “Malu Mulher” foi o pioneiro em dar sexualidade às heroínas da televisão. A virginal Namoradinha do Brasil, Regina Duarte, transformava-se em uma revolucionária feminista. Questões abominadas pela moral do regime, eram temas constantes. Malu, mulher separada e com uma filha pré-adolescente para criar, deparava-se com problemas existenciais à volta: a primeira menstruação da filha; o homossexualismo; as primeiras relações sexuais com outros parceiros após o divórcio; o uso de anticoncepcionais, que tiravam da mulher a função reprodutiva e possibilitava-lhe o sexo como forma de prazer. Assuntos vistos atualmente, como corriqueiros, mas que sem a abertura do regime moralista militar, jamais seria possível de se falar. Para culminar a ousadia de desafio à censura agonizante, Malu simulou o primeiro orgasmo feminino a ir ao ar. Ainda debaixo da abertura, em 1980, Débora Duarte, vivendo Catucha, na novela “Coração Alado”, de Janete Clair, simulava o primeiro orgasmo feminino em horário nobre.
Temas políticos chegaram lentamente às telenovelas. Em 1978, “Aritana”, de Ivany Ribeiro, realizada pela extinta TV Tupi, debatia a questão indígena e a tomada das suas terras. Em 1983, Janete Clair ensaiou uma visita ao mundo da política, em “Eu Prometo”, tratando a temática de forma superficial.
Enquanto as novelas evitavam temas políticos, as séries e seriados eram mais audaciosos. Em 1982, “Lampião e Maria Bonita”, contava parte da história do nordeste brasileiro. “Bandidos da Falange” (1983), mostrava pela primeira vez na televisão, o submundo do crime. O seriado símbolo da abertura foi “O Bem Amado”, de Dias Gomes. O autor, em 1980, ressuscitou Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo), morto na novela original, em 1973. Trouxe de volta os personagens originais, transformando a trama em um seriado de sucesso, que iria perdurar por quatro anos. Durante a existência do seriado, Dias Gomes um dos maiores perseguidos pela censura, pôde finalmente, de forma clara, criticar e ironizar a ditadura militar.
A religião era outro tabu para o regime militar. Qualquer tema que parecesse ofensivo à ala conservadora da igreja católica, era proibido. Não poderiam ter padres a quebrar o voto de castidade, tão pouco pertencerem à Teologia da Libertação. Outras religiões, como o espiritismo e o candomblé, eram retratadas de forma abstrata, sem profundidades. As senhoras de rosários nas mãos que promoveram passeatas de milhares de pessoas pelas ruas, em 1964, apoiando o golpe militar, eram católicas fervorosas e abominavam as outras religiões. A moralidade beata da família conservadora, sustentou a ditadura e impediu a retratação das mudanças sociais através dos meios de cultura e comunicação. Somente com a abertura, outras religiões puderam vir à tona nos seriados, séries e telenovelas.

Abertura e o Cinema Nacional

Após o AI-5, o cinema brasileiro passaria por profundas crises e cerceamento ideológicos. A partir de 1968, o Cinema Novo entraria no seu terceiro momento, voltando-se para as projeções alegóricas do Brasil real. Fazem parte desse ciclo “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969), de Glauber Rocha; “Macunaíma” (1969), de Joaquim Pedro de Andrade; e, “Os Deuses e os Mortos” (1970), de Ruy Guerra.
A censura e a repressão deram origem ao cinema “udigrudi”, ou cinema underground, marginal. Mas a contracultura no cinema não deixou muitas produções, destacando-se “Matou a Família e Foi ao Cinema” (1969), de Júlio Bressane; e, “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), de Rogério Sganzerla.
Foram as pornochanchadas que garantiram a sobrevivência do cinema nacional durante o período mais negro do regime militar. As pornochanchadas eram assim chamadas por ser um gênero de comédia picante que lembravam as chanchadas da Atlântida dos anos 1940 e 1950, e devido ao erotismo que continham. Não tinham cenas pornográficas, mas eram consideradas pelo rígido moralismo como tais. Continham cenas de nudez parcial, que vistas através do tempo, parecem ingênuas. Construiu grandes mitos e estrelas, como Vera Fischer e David Cardoso. Grandes nomes da dramaturgia brasileira passaram pelas pornochanchadas, entre eles Juca de Oliveira, Reginaldo Faria, Nuno Leal Maia, Antonio Fagundes, Sandra Bréa, Marieta Severo, Nádia Lippi e Sônia Braga.
Com a abertura política, filmes internacionais que tinham sido proibidos pela censura, estrearam com sucesso em 1980, sendo eles “Emmanuelle” (1974), de Just Jaeckin, que revelara Sylvia Kristel ao mundo; “O Último Tango em Paris” (1972), de Bernardo Bertolucci, com Marlon Brando; e, “O Império dos Sentidos” (1976), de Nagisa Oshima. A estréia dos filmes no Brasil gerou polêmica e expectativa do que viria.
Diante das produções eróticas internacionais, as pornochanchadas tiveram que se adaptar às mudanças, fazendo filmes de cenas de teor erótico mais acentuado, mostrando a nudez total dos atores. A nova e final fase do gênero, gerou estrelas como Aldine Muller, Helena Ramos e Zaira Bueno.
Em 1982, os filmes pornográficos de alto escalão foram liberados, com a estréia de “Garganta Profunda” (Deep Throat, 1972), de Gerard Damiano, estrelado pela atriz pornô Linda Lovelace. No Brasil, estreava naquele ano, “Coisas Eróticas”, de Laente Calicchio e Raffaele Rossi, primeiro filme nacional do gênero. Para que se distinguisse da pornochanchada, passou a ser chamado de filme de sexo explícito. As velhas pornochanchadas não resistiram, e o gênero foi extinto. Curiosamente, os cinemas encheram para ver a estréia de “Coisas Eróticas”; populares, intelectuais, críticos, estudantes, políticos, todos foram ver como o brasileiro fazia sexo no cinema.
Com a abertura, o teor erótico foi amplamente explorado pelo cinema nacional não somente nas pornochanchadas, mas pelo chamado cinema sério, ou de arte. Um exemplo foi “A Dama do Lotação”, em 1978, de Neville de Almeida. Baseado em uma história de Nelson Rodrigues, o filme protagonizado por Sônia Braga, trazia um erotismo insinuante, pulsante e intenso. Seguiram o estilo: “Eu Te Amo” (1981), de Arnaldo Jabor; “Eros, Deus do Amor” (1981), de Walter Hugo Khouri; “Engraçadinha” (1981), de Haroldo Marinho Barbosa, com Lucélia Santos.
Dentro do contexto político social, a abertura trouxe ao cinema momentos raros, mas definitivos. “Pixote, A Lei do Mais Fraco” (1981), de Hector Babenco, relatava um problema que ainda persiste nos tempos atuais, os menores de rua. “Bye Bye Brasil” (1979), de Cacá Diegues, mostrava um Brasil pobre e de grandes contrastes, visto através das aventuras de uma trupe de atores mambembes. “Eles Não Usam Black Tie” (1981), de Leon Hirszman, baseado na peça homônima de Gianfrancesco Guarnieri, trazia para a grande tela os movimentos grevistas sindicais, as divergências ideológicas dentro da própria família.
O filme que mais incomodou a ditadura militar durante o processo de abertura foi “Pra Frente Brasil” (1982), de Roberto Faria. Filme denúncia, que mostrava o Brasil de 1970, em plena euforia da Copa do Mundo de Futebol, no México, quando a seleção brasileira tornou-se tricampeã mundial. Paralelo às festas nas ruas, nos porões a ditadura torturava e matava. Conta a história de Jofre (Reginaldo Faria), confundido pela polícia repressora como um ativista de esquerda, sendo preso, torturado e morto. À procura de notícias do irmão, Miguel (Antonio Fagundes), um pacato cidadão, envolve-se com a esquerda armada. O filme tocava numa grande ferida que a ditadura militar tentava esquecer, e, que negara por anos, a tortura. O filme, programado para estrear durante a Copa do Mundo de Futebol de 1982, sofreu o embargo da censura. A repercussão negativa da proibição, fez com que o desmoralizado regime o liberasse meses depois, em 1983. “Pra Frente Brasil” era só a primeira página de uma história que começaria a ser contada, sem jamais chegar ao capítulo final.

Outros Veículos de Comunicação

O teatro, massacrado em sua essência durante a ditadura militar, voltou a florir com a abertura. No período das trevas, Plínio Marcos foi o dramaturgo mais perseguido. Considerado um autor maldito, suas peças só voltaram a ser encenadas após a abertura, nos anos 1980.
Calabar: O Elogio à Traição”, de Chico Buarque e Ruy Guerra, proibida em 1973, pôde finalmente ser encenada, em 1980. A abertura permitiu que se encenasse, sem problemas com a censura, em 1979, a mítica “Ópera do Malandro”, mordaz crítica à ditadura do Estado Novo, e que se refletia à repressão do regime militar.
A abertura pôs fim às censuras aos jornais e às revistas. Com maior liberdade, a notícia passou a ser mais confiável. Jornais de esquerda voltaram a ser impressos, tornando-se porta-voz dos partidos comunistas clandestinos. Assim, “Voz da Unidade” era o órgão oficial do Partido Comunista Brasileiro (PCB); “Hora do Povo” do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8); “Tribuna da Luta Operária” do Partido Comunista do Brasil (PC do B); havendo ainda, a “Tribuna da Imprensa”; e, “Tribuna de Vitória”. De todos os jornais de esquerda que surgiram, o “Hora do Povo” foi o que mais incomodou. Escrito de forma popular, o órgão do MR-8 era vendido pelos militantes, em brigadas pelos centros de São Paulo e outras grandes cidades do país. A ala radical do regime militar, contrária à abertura, passou a explodir com bombas, as bancas de revistas que vendiam os jornais de esquerda. Os ataques aconteceram com intensidade, de abril a setembro de 1980, obrigando alguns jornais a fechar as portas. No dia 30 de maio de 1980, duas dessas bombas explodiram na sede do “Hora do Povo”, em São Paulo.
Voltando à abertura estética, as principais revistas masculinas do país, “Status”, “Playboy” e “Ele & Ela”, puderam exibir nas suas páginas, o nu frontal das celebridades fotografadas. Antes, a nudez, assim como no cinema, só era exibida parcialmente. O nu frontal chegou em 1980. Com liberdade plena na execução dos ensaios fotográficos, estrelas constantes das páginas dessas revistas, como Sonia Braga e Sandra Bréa, voltaram em novas edições, mostrando pela primeira vez, seus pêlos pubianos.
A partir de 1980, as revistas de fotos pornográficas, antes importadas, passaram a ser produzidas e vendidas livremente nas bancas. Numa mesma banca, encontravam-se os símbolos dos novos tempos propostos pela abertura: os jornais de esquerda, as revistas pornográficas, os jornais sem censura e as revistas masculinas com os seus modelos totalmente despidos. Liberdade política, erotismo e pornografia eram oferecidas no mesmo prato, uma tática da ditadura para confundir a população, e atrair de volta o apoio dos moralistas e conservadores. Muitos chegaram a ficar assustados com a quebra repentina de costumes e de tabus. Alguns chegaram a clamar pela volta da censura moral. Mas, com o tempo, as novidades foram assimiladas, e o desejo de liberdade falou mais alto. A abertura política do regime militar era irreversível, assim como o seu fim.




Veja também:

A ABERTURA POLÍTICA E A MPB
http://virtualiaomanifesto.blogspot.com/2009/10/abertura-politica-e-mpb.html

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