quarta-feira, 30 de setembro de 2009

OS MISTÉRIOS DA MORTE DE ADOLF HITLER

Em abril de 1945 o horror e a ambição nazista davam os seus últimos suspiros. Berlim, cidade programada por Hitler para ser a capital de um império de mil anos, via-se cercada, do oeste vinham os exércitos dos aliados ocidentais, do leste os exércitos soviéticos. O festim final seria feito por quem chegasse primeiro.
No dia 2 de maio, os últimos alemães defensores de Berlim capitulavam diante dos soviéticos. O Exército Vermelho adentrou ao bunker da chancelaria onde Hitler estava refugiado desde 17 de janeiro. Encontraram o último horror nazista: os corpos calcinados de Joseph Goebbels, da sua mulher Magda, e dos seus seis filhos que tinham sido envenenados. No mesmo local, o cadáver de um homem com bigode, fez os soldados acreditarem por um momento que era de Hitler. Numa observação detalhada, concluíram que era um sósia do chefe nazista. Surgiu a suspeita de que Hitler teria fugido, eliminando o seu sósia.
As dúvidas sobre a morte de Hitler perdurariam por décadas. Dois corpos carbonizados e enterrados em uma cratera a três metros da porta do bunker são encontrados. Autópsias secretas são feitas, sem jamais serem reveladas ao mundo. Aqueles corpos eram de Adolf Hitler e da sua companheira Eva Braun, que se haviam suicidado momentos depois de se casarem.
As operações obscuras dos soviéticos, a omissão dos fatos, criaram lendas e dúvidas em torno da morte de Hitler. Por mais de uma década o FBI (Federal Bureau of Investigation), serviço de inteligência norte-americano, empreendeu uma caçada ao redor do mundo, perseguindo falsas informações que diziam que Hitler estaria a viver com um novo rosto nos Estados Unidos, no Japão, no Brasil, na Colômbia e, a hipótese mais investigada, na Argentina. Sem saber das autópsias, o próprio Stálin acreditava que o líder nazista estivesse vivo. As conclusões finais só viriam com o fim da União Soviética, em 1991, quando documentos secretos foram apresentados ao mundo. Em 2000, a parte superior de um crânio, atribuída a Hitler, foi a atração de uma exposição realizada em Moscou para comemorar os 55 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Alguns historiadores duvidaram da autenticidade do crânio, que segundo eles, só poderia ser confirmada mediante a análise do DNA. A dentição seria confirmada pelo legista alemão Mark Benecke, em 2003, em um documentário para o canal da National Geographic.
Lendas, inverdades, fatos obscuros, a morte de Hitler foi uma frustração para os aliados, que não tiveram o corpo visível do ditador para exibição pública. Até que se fosse confirmado definitivamente o suicídio, a morte de Hitler deixou várias suspeitas e equívocos. Hitler, o homem que se tornara por décadas o mais temido e poderoso do mundo, saía da história na penumbra da honra.

O Declínio Nazista e o Bunker

Adolf Hitler subiu ao poder na Alemanha em 1933. Em um país que tinha uma população acostumada a obedecer, ele conclamou a superioridade racial ariana e que a juventude pegasse em armas, fazendo da Alemanha a nação mais poderosa do mundo. Sua ambição e loucura trouxeram, em 1939, a Segunda Guerra Mundial, o conflito mais sangrento de todos os tempos. Hitler despertou o orgulho ariano, fez da Alemanha a nação mais poderosa e temida, e depois do apogeu, mergulhou o país em ruínas, bombardeado, destruído, vencido e dividido pelas forças aliadas vencedoras.
Após vitórias e anexações consecutivas, disseminar o terror e o extermínio racial, os nazistas começaram a perder a guerra. Com a invasão da Normandia pelas tropas aliadas, em 6 de junho de 1944, e o avanço soviético do leste, chegar a Berlim e eliminar de vez o regime nazista era uma questão de tempo.
Os últimos dias do regime nazista e da vida do próprio führer, foram dramáticos, mergulhados no horror que se voltava aos seus criadores.
Com o avanço das tropas aliadas, Berlim tornou-se um alvo constante dos seus bombardeamentos. Refugiado nas montanhas, Adolf Hitler decidiu retornar à capital do III Reich, embarcando no seu trem especial no dia 15 de janeiro de 1945. Retornara para travar a última batalha da sua sangrenta guerra. A partir de 16 de janeiro, ele passou a residir no que foi chamado de führerbunker da chancelaria. O bunker começou a ser construído em 1943, localizado a cerca de cinqüenta pés de profundidade a nível do jardim. Era um abrigo a prova de bombas, com pouco mais de vinte dependências. Dali, num lugar úmido e sem qualquer aparato ou grande conforto, Adolf Hitler assistiu a desintegração do III Reich e a derrota da Alemanha diante das forças aliadas.

Os Últimos Dias

Nos momentos finais da capitulação de Berlim, a cidade agonizava sob bombardeios constantes. Adolf Hitler já não era o homem que atemorizava o mundo. Acossado, trazia a saúde fragilizada, degenerada desde o atentado que sofrera em 1944. A ingestão de diversos comprimidos diferentes por dia, o avanço do mal de Parkinson, a paranóia contra os que estavam ao seu redor e o medo de ser traído, faziam do führer um trapo humano.
Vendo a situação precária de Berlim, Hitler ordenou logo no início de abril que parte dos membros da sua casa partisse para Berchtesgaden, para que preparassem sua vila na montanha, em Berghof, para que ali pudesse se instalar. O führer projetara deixar Berlim em 20 de abril, dia do seu aniversário, partindo para Obersalzberg, de onde pretendia dirigir a última resistência do III Reich.
Mesmo tendo a cidade cercada e condenada, Eva Braun dirigiu-se para Berlim, chegando no dia 15 de abril, permanecendo ao lado do amado até o fim.
No dia 20 de abril, Adolf Hitler completou 56 anos. As comemorações foram realizadas no bunker, sem grandes alardes, tendo a presença dos nazistas da velha guarda Joseph Goebbels, Hermann Goering, Heinrich Himmler, Joachim von Ribbentrop e Martin Bormann; além dos lideres militares sobreviventes Wilhelm Keitel, Alfred Jodl, Karl Doenitz e Hans Krebs, o novo e último chefe do Estado maior geral. Durante a reunião comemorativa do aniversário, Hitler não demonstrou abatimento.
Os generais do Reich insistiam para que Hitler deixasse Berlim, partindo para o sul, pois no máximo em dois dias os russos cortariam e fechariam aquela última saída para o sul. Hitler hesitou, sem dizer que sim ou que não. Em um último ato de desespero, no dia 21 de abril, ordenou que as tropas SS, comandadas pelo general Felix Steiner, executassem um contra ataque geral aos russos nos subúrbios da parte sul de Berlim. Todo soldado que se encontrasse na capital devia ser lançado no ataque, inclusive tropas terrestres da Luftwaffe. Mas o ataque jamais foi tentando por Steiner. A queda do Reich era uma questão de horas, não havia o que fazer.
A última foto feita em vida do führer, registrava-o curvado e abatido, inspecionando os escombros da chancelaria, provocados pelos bombardeios.
Para aliviar as tensões do führer, Goebbels ficava de vigília, a ler um dos seus livros preferidos, “História de Frederico, o Grande”, de Carlyle. Goebbels leu especialmente o capítulo que o grande rei declara aos ministros, durante a Guerra dos Sete Anos, que se ventos melhores não viessem, renunciaria e envenenar-se-ia. Os olhos do führer marejaram, segundo relato de Goebbels a Krosigk.
No dia 22 de abril, Hitler enxergou finalmente a dura realidade, a guerra estava perdida. Após uma reunião com os militares, decidiu ficar em Berlim até o fim, e admitiu que a derrota alemã era iminente. Após expressar a intenção de que se iria matar, pediu ao médico Werner Haase orientação de como praticar um método fiável de suicídio. Haase sugeriu-lhe a combinação de uma dose de cianeto com um tiro na cabeça. O ditador nazista obtém através da SS o cianeto. Está pronto para enfrentar o seu último desafio contra Deus.
No dia 28 de abril, Hitler foi informado de que Heinrich Himmer, genitor do extermínio dos judeus e responsável pelo terror da suástica, tentara negociar em separado, a paz com os aliados. O führer sentiu o peso da traição. Desde então passou a não confiar em mais ninguém. Suspeitava inclusive de que as cápsulas de cianeto em seu poder, dadas por Himmer, fossem falsas. Hitler decidiu testar o veneno em sua cadela preferida, Blondi. Dirigiu-se com Werner Haase ao banheiro que servia de canil para o animal. Abrindo a boca de Blondi, Haase espremeu com um alicate uma cápsula do veneno. O cão teve morte fulminante. Hitler, ao ver o seu animal preferido morto, não demonstrou qualquer expressão no olhar.

O Festim Final

Os últimos momentos de Hitler foram marcados pela tensão. No dia 29 de abril recebeu a notícia de que o aliado e ditador fascista, Benito Mussolini, juntamente com a sua amante, Clara Petacci, tinham sido fuzilados e pendurados em praça pública, tendo os corpos mutilados.
Hitler começou a executar o plano final da sua vida. Após testar o cianeto no cão alsaciano Blondi, chamou as secretárias, entregando-lhes cápsulas do veneno, caso quisessem usar quando chegassem as tropas russas.
Por volta das três da manhã do dia 29 de abril, Hitler casou-se formalmente com Eva Braun. Para realizar a cerimônia, Goebbels mandou vir um juiz municipal, Walther Wagner, que estava lutando em uma unidade da Volkssturm, a alguns quarteirões do bunker. A noiva começou a assinar a certidão de casamento como Eva Braun, mas deteve-se, riscou o B e escreveu Eva Hitler, nascida Braun. Bormann e Goebbels assinaram como testemunhas. Após a rápida cerimônia, foi realizado no apartamento particular do führer, o último festim do III Reich, servindo-se champagne e Fraulein Manzialy.
Eva Braun foi amante de Hitler por mais de doze anos. Tornar a sua esposa era um velho sonho, que o führer nunca lhe concedeu, pois tinha a convicção que um casamento iria atrapalhar a sua vida política e de líder do Reich. Já sem saída, à beira do fim, acedeu ao último desejo de Eva Braun. O sonho da jovem esposa duraria apenas trinta e seis horas.
A festa de casamento trazia uma atmosfera sombria, tendo como fundo musical às bombas sobre Berlim. Um cheiro de fumaça provinha do exterior e deixava o ar do bunker quase que irrespirável. Alguns convidados deixaram às comemorações furtivamente. O próprio Hitler retirou-se da festa, convocando a sua secretária particular Traudl Junge, para que redigisse um documento, que chamou de testamento pessoal, ordenando que ela fizesse mais três cópias.

Morte e Incineração dos Corpos

No dia 30 de abril, Hitler ordenou a Traudl Junge que destruísse todos os documentos existentes em seus arquivos. A trezentos metros, no telhado do hotel Adlon, soldados soviéticos disparavam suas armas contra os jardins da chancelaria. A hora do plano final de Adolf Hitler tinha chegado.
Por volta das 14h30, o motorista do führer, Erich Kempka, recebeu ordem de levar duzentos litros de gasolina para o jardim da chancelaria. Kempka teve dificuldades em conseguir tanto combustível, conseguindo juntar cento e oitenta litros, levando-os para a saída de emergência do bunker. Hitler não queria que lhe sucedesse o mesmo fim de Mussolini. Para que o seu corpo não fosse exposto em praça pública como troféu de vitória dos inimigos, pediu a seu guarda costas Otto Gunsche, que destruísse os seus restos mortais.
Às 15h00, o führer fez a sua última refeição, sem o acompanhamento de Eva Braun. Ao seu lado estavam as secretárias Traudl Junge e Gerda Christian, e a sua cozinheira Constanze Manzialy. Após a refeição, foi buscar a mulher no quarto. Reuniu no corredor em frente aos seus aposentos todos aqueles colaboradores mais íntimos, que lhe acompanharam até o último momento, entre eles Goebbels, Bugdorf, Artur Axmann, Heinz Linge, Hans Krebs, as secretárias e a cozinheira. Um a um Hitler apertou as mãos, em agradecimento. Terminada a despedida, retirou-se com a mulher para os aposentos.
Hitler ordenou aos seus colaboradores que esperassem dez minutos, depois entrassem. O aposento tinha duas portas de aço, a prova de fogo, de gás e de som. Do lado de fora, os últimos colaboradores fiéis a Hitler, aguardavam ansiosos o desfecho trágico do seu líder. Como as portas eram à prova de som, não ouviram o tiro fatal. Cerca de dez minutos depois, às 15h30, Heinz Linge abriu a pesada porta, deparando-se com o último horror de Hitler. Bormann, Goebbels, Gunsche e Axmann também entraram. Mais tarde, descreveriam a cena macabra:
Hitler estava no sofá, ao lado de Eva Braun, ambos mortos. No chão havia duas pistolas, mas só Hitler usara a sua, desferindo um tiro na boca. A bala vazara-lhe a têmpora do lado direito. No tapete ao lado do sofá, formava-se uma poça de sangue. Na parede e no próprio sofá, estavam respingos de sangue. Dois filetes de sangue escorriam da sua face. A julgar pelo pouco sangue que vertia do führer, os seus colaboradores chegaram à conclusão de que ele havia ingerido primeiro uma cápsula de cianeto, em seguida desferira o tiro. Eva Braun fizera uso apenas o cianeto.
Do lado de fora do bunker, granadas russas explodiam ensurdecedoramente no jardim da chancelaria. Entre intervalos dos bombardeios, Heinz Linge providenciou a retirada dos corpos do bunker. Otto Gunsche e Linge envolveram o corpo de Hitler em um cobertor, que lhe cobriu o rosto desfigurado, transportando-o para o jardim. Martin Bormann começou a transportar o cadáver de Eva Braun, mas foi interrompido por Erich Kempka, que se irritou ao ver que ele carregava desrespeitosamente àquela que se tornara a mulher do führer. Kempka tomou o cadáver de Eva Braun nos braços e terminou o trajeto até o jardim.
Os bombardeios dificultavam a queima dos cadáveres. Numa cratera feita por uma bomba a dois metros da saída do bunker, os corpos dos suicidas foram postos lado a lado. Martin Bormann descobriu o rosto de Hitler, olhou-o uma última vez, depois o cobriu novamente. Os cento e oitenta litros de gasolina trazidos por Kempka foram jogados sobre os corpos. Heinz Linge lançou um pedaço de tecido em chamas, provocando uma grande chama. Enquanto os corpos ardiam, Goebbels, Gunsche, Bormann, Axmann, linge, Hewel, Rattenhuber e Schaedler, ergueram a mão direita na saudação nazista de despedida, voltando ao bunker. Era o fim de Adolf Hitler, o poderoso führer do sombrio e sanguinário III Reich.

A Tomada do Bunker

No dia 2 de maio de 1945, os soldados do Exército Vermelho soviético capitularam Berlim. Tropas do III Exército adentraram no bunker, último reduto de resistência do que restara do III Reich. Tinham como missão capturar Hitler, vivo ou morto.
O ambiente encontrado pelos soldados era de completo horror. Os primeiros corpos encontrados foram dos generais Krebs e Bugdorf, que seguindo o exemplo de Hitler, mataram-se com cianeto. No jardim da chancelaria encontraram os corpos calcinados de Joseph Goebbels, da sua mulher Magda e no bunker, os dos seus seis filhos. No dia anterior, 1 de maio, após a morte de Hitler e Eva Braun, Goebbels reuniu-se com a mulher e os seis filhos: Helga, de 12 anos; Hilda, 11; Helmut, 9; Holde, 7; Hedda, 5; e, Heide, 3. Magda, fingindo dar remédio aos filhos, matou com doses de cianeto todos os seis. Em seguida, saiu com o marido do bunker. Magda Goebbels ingeriu uma cápsula de cianeto, enquanto o marido desferia-lhe um tiro na nuca. Joseph Goebbels prosseguiu o ritual macabro, inserindo cianeto seguido de um tiro. Antes do suicídio, tinha pedido a um oficial da SS, que queimasse o seu corpo e o da mulher.
Ao lado de vários corpos, dentro de uma fonte de água do jardim da chancelaria, os soldados soviéticos encontraram o cadáver de um homem com bigode, muito parecido com Hitler. Por momentos, pensaram ter encontrado morto o homem mais odiado da época em todo o mundo, chegando a exibi-lo como o próprio. Após uma análise minuciosa, chegaram à conclusão de que aquele era o cadáver de Gustav Weler, um sósia de Hitler.
No dia 3 de maio, homens do Smersh (Smiert Shpionam – Morte aos Espiões), serviço de inteligência e espionagem soviético criado pelo general Abakumov, perceberam que a três metros da entrada do bunker, a terra estava revolvida. O soldado Ivan Churakov mexia em uma cratera, encontrando as pernas de dois cadáveres. Começaram a puxar os corpos, que não se encontravam totalmente carbonizados, verificando que pertenciam a um homem e a uma mulher, além de dois cães, um adulto e um filhote. O tenente-coronel Klimenko não achou relevante a descoberta daqueles corpos, ordenando que fossem postos de volta na cratera.

Autópsias, Mistérios e Dúvidas

Mais tarde, após a confirmação de que o corpo encontrado na fonte era mesmo de um sósia de Hitler, as buscas recomeçaram. Interrogados, chefes nazistas declararam que Hitler e Eva Braun foram queimados. No dia 5 de maio, Klimenko voltou ao jardim da chancelaria, ordenando a dois soldados que cavassem a cratera desprezada algumas horas antes.
Os corpos foram retirados para que fossem exumados. O corpo de Hitler apesar de quase completamente carbonizado, segundo relatos de um soldado soviético, trazia a cabeça intacta, apesar da parte de trás estar estraçalhada. Os restos mortais foram postos em caixas de munições, e levados em sigilo pelos homens do Smersh, para uma clínica de Buch, nos subúrbios de Berlim, para serem autopsiados. No dia 8 de maio de 1945, considerado o dia da vitória, cinco legistas do Exército Vermelho examinaram em segredo, os corpos carbonizados. Chegaram à conclusão de que tanto o homem quanto à mulher tinham sido envenenados. Para a realização de um exame dentário, o Smersh convocou Kathe Heusermann, assistente do dentista de Hitler. Interrogada, ela esboçou um esquema da dentição do führer que correspondia ao maxilar do cadáver.
Para encerrar a missão, os agentes soviéticos, enterraram à noite, durante uma parada militar, os dois cadáveres em um bosque. Quando a unidade do Smersh de Berlim foi mudada para uma nova instalação em Magdeburgo, os seus agentes levaram os corpos de Adolf Hitler e Eva Braun, enterrando-os no seu quartel general, mantendo o local em segredo.
A descoberta e o transporte do corpo de Hitler não foram divulgados ao ocidente. Dizem que por causa de uma disputa interna entre Beria, vice-primeiro ministro de Stálin, e Abakumov, chefe do Smersh, a exumação feita foi omitida. Beria desconfiava de que o relato de Abakumov poderia ser uma farsa, e Hitler estaria vivo, escondido em alguma parte do planeta. Em 1946, ele instaurou a Operação Mito, investigação secreta para esclarecer a morte de Hitler. Interrogou os sobreviventes do bunker, Otto Gunsche, Heinz Linge, Hans Baur e Rochus Misch. Sob pesadas torturas, eles revelaram que Hitler decidiu ser queimado após a sua morte, para que o corpo não fosse exposto em praça pública. Na tarde de 30 de abril de 1945, o casal trancou-se em seus aposentos e juntos cometeram suicídio, usando ele uma pistola e cianureto, e ela somente o veneno. Em junho de 1946, os prisioneiros foram levados a Berlim, indicando o local onde o führer e a mulher foram queimados e enterrados. O local correspondia minuciosamente à exumação feita pelo Smersh. O resultado do interrogatório de Beria só foi tornado público na década de 1990, quando o império soviético ruiu. A omissão das informações levou o próprio Stálin a acreditar que Hitler não havia morrido. Também os líderes dos países ocidentais tinham as suas dúvidas.
O FBI norte-americano, sob a direção de John Edgard Hoover, promoveu uma caçada ao redor do mundo, em busca de pistas que sustentavam que Hitler estaria vivo, a viver em algum país da América do Sul, em particular a Argentina. Numa das versões, ele teria fugido em um submarino, rumo à América Latina. No seu refúgio na Argentina, aguardava tranqüilamente um conflito bélico entre a União Soviética e os Estados Unidos, para apresentar-se no final como um grande líder do novo mundo. Por mais fantasiosas que fossem as pistas, as dúvidas sobre a morte do líder nazista nunca deixaram de existir, e os rumores de onde pudesse estar, jamais foram ignorados.
Em 1956, os agentes norte-americanos e magistrados alemães, após três anos de intensas investigações, declarariam que Adolf Hitler teria morrido oficialmente em 30 de abril de 1945, no führerbunker da chancelaria, em Berlim.
Em 1970, o Smersh estava sob o controle da KGB, e suas instalações em Magdeburgo deveriam ser entregues à Alemanha Oriental. Yuri Andropov, na época diretor da KGB, temeu que o local onde Hitler estava enterrado pudesse vir a ser transformado em um santuário neonazista, ordenou que uma operação para a destruição do corpo fosse feita. Executada em 4 de abril de 1970, a operação exumou secretamente os corpos. Supostamente, queimando-os por completo e atirando as cinzas ao rio Elba.
Com o fim da União Soviética, em 1991, todos os documentos que envolviam a morte de Adolf Hitler vieram à tona, sendo apresentados ao mundo. Eles eliminavam de vez a teoria de que o führer conseguira escapar com vida ao cerco dos aliados. Em 2000, uma exposição exibiu em Moscou, um fragmento de crânio que seria de Hitler, o que desmentia a versão de que os seus restos mortais tinham sido totalmente destruídos e atirados às águas do Elba. Em 2003, a dentição foi identificada pelo legista alemão Mark Benecke, sendo apresentada no canal da National Geographic.
Aos 56 anos, Adolf Hitler morria vítima do seu próprio horror, em circunstâncias das mais macabras da história do mundo. Quando vivo, disseminou a guerra, o ódio, a morte e a dor para milhares de pessoas. Sua morte violenta, quase sem honra alguma, foi o resultado de toda a grandiosidade da sua obra.

3 comentários:

paulo disse...

Muito perfeito o relato do final da 2ª Guerra, será que alguém tem alguma fonte confiável sobre o clone de Hitler e sua suposta produção de discos-voadores?

Anônimo disse...

A um segredo nessa historia.

Anônimo disse...

existem muitas coisas sobre as quais jamais saberemos e é assim que deve ser, sobre oque ocorreu ou não uma serie de fatos mentirosos se acrescem, sou de uma geraçao que viu a tao grandiosa URSS mentir sobre o numero de cargas de trigo que produzia somente para fazer frente ao PIB norte americano, sou da geração que viu um general alemão condenado e executado em meados de 1946 ser encontrado em um cassino em las vegas, nao acredite neles nao acredite em min, a verdade é para poucos e só se revelara em algum momento oportuno, somente sofro por não saber os segredos que uma antiga piloto guardava consigo, um monstro cruel? sim ele era, porem um monstro que fez do seu ideal sua vida.