quinta-feira, 25 de junho de 2009

PSICOSE (PYSICHO) - ALFRED HITCHCOCK

O cinema contemporâneo gerou vários clássicos ao longo dos anos, sendo que a maioria deles girava em torno de uma bela história de amor ou da vida de heróis da história, reais ou imaginários. “Psicose” (Psycho), de Alfred Hitchcock, foge aos padrões do cinema épico, das grandes histórias de amor, sendo um filme de suspense, denso, intrigante, que gera um mal estar apreensivo em quem o assiste. Mesmo com os ingredientes que subvertem os padrões dos grandes filmes, “Psicose” conquistou as platéias, arrebatou fãs no mundo inteiro, sendo unanimidade de crítica e de público, tornando-se um dos mais cultuados filmes de todos os tempos.
Os elementos de suspense tecem uma trama psicológica eletrizante, que prende e surpreende a platéia. Nunca a parte negra da alma humana foi tão claramente explorada, onde a imagem traz todos os elementos que constroem as mentes das personagens, repletas de nuances da moral corrompida e sem volta.
O filme foi baseado numa novela de Robert Bloch, um autor de livros populares e sem valor literário. Alfred Hitchcock comprou anonimamente os direitos autorais do livro, pagando entre nove e onze mil dólares, conforme a versão. Quando o mestre do suspense apresentou o projeto de adaptação da história de Robert Bloch, encontrou a resistência dos produtores da Paramount, que se recusaram a investir em uma literatura considerada vulgar. Diante da recusa, Hitchcock decidiu ele próprio produzir o filme. Depois de adquirir os direitos, ele comprou todas as cópias disponíveis no mercado, evitando que fosse lido pelas pessoas, o que contribuiu para que o suspense e o desfecho do filme não fossem revelados.
Psicose” foi contestado por grandes produtores não só por provir de um folhetim, mas inclusive pelo título, que era considerado bizarro e com poucos atrativos para atrair grandes públicos. Hitchcock seguiu a sua intuição e genialidade, produzindo uma obra-prima do cinema mundial. Cenas antológicas, como o assassínio da personagem de Janet Leigh debaixo do chuveiro, ainda hoje mexem com a sensibilidade de quem o assiste.
Psicose” é composto essencialmente por sua fabulosa galeria de imagens, que imprimem as verdades e os perigos em volta das personagens. A sensação é de que o perigo iminente vai saltar às costas das personagens a qualquer momento, trazendo um juízo final para os seus pecados. Ninguém fica imune à história que se apresenta entre as sombras da mente.
Estreado nos cinemas norte-americanos em 1960, “Psicose” continua a ser um dos filmes mais assistidos no mundo. Várias seqüências foram feitas a partir dos anos oitenta. No fim da década de noventa, uma nova versão chegou às telas. Mas nenhuma conseguiu arranhar ou superar o original. “Psicose” é daquelas obras-primas intocáveis, definitivas, uma jóia que dá brilho ao verdadeiro cinema.

O Desfalque de Marion Crane

A novela de Robert Bloch revelava-se fraca, trazia uma boa história, mas mal contada. Coube a Alfred Hitchcock, através da imagem, dar a dimensão exata de uma história surpreendente. A verdadeira alma de cada personagem foi revelada diante da câmera do mestre do suspense.
Ao assumir a produção do filme, Hitchcock contou com um orçamento de oitocentos mil dólares. Diante das limitações orçamentárias, o diretor britânico não contratou grandes estrelas. Utilizou uma equipe de atores com a qual já trabalhava em sua série de televisão, apresentada pelos canais norte-americanos.
Várias atrizes foram cotadas para fazer o papel de Marion Crane, entre elas Lana Turner, Piper Laurie, Eva Marie Saint, Hope Lange e Martha Hyer. Todas elas louras e magras, uma imagem constante nas heroínas do velho mestre. Mas a escolha final recaiu sobre a bela Janet Leigh, que encontraria em Marion Crane, a sua personagem definitiva no cinema.
Marion Crane (Janet Leigh) vive uma vida normal, é secretária de uma imobiliária em Phoenix, no Arizona. Mulher bonita, profissional exemplar, ela vive um romance com o jovem Sam Loomis (John Gavin). Com o amante ela vive momentos ternos e apaixonados. Uma das cenas mais bonitas do filme é o momento de amor entre o jovem e belo casal. Apesar de não revelar a nudez dos atores, o momento é de um erotismo implícito, considerado ousado para 1960. Hitchcock tinha dito a Janet Leigh que tocasse no rosto de John Gavin como se saísse de um ato sexual. Tranqüilizou a atriz, dizendo que já tinha preparado o ator para a cena. Quando a bela tocou o seu companheiro de cena, uma ereção involuntária do ator constrangeu e divertiu a equipe. Mais tarde, Janet Leigh soube que John Gavin não tinha sido avisado do gesto mais íntimo da cena.
Mas nem tudo era claro na mente da bela Marion Crane. Momentos sombrios de ingenuidade ambiciosa contrastavam com uma inteligência privilegiada. Muito em breve, o lado obscuro da jovem irá urdir um grande golpe. A oportunidade de liberar a sua consciência da moral estabelecida, acontece quando, certo dia, testemunha um grande negócio do patrão, que recebe quarenta mil dólares em dinheiro. Naquela tarde, uma sexta-feira escaldante, Marion não resiste, decide desfalcar o dinheiro do patrão, sonhando poder desfrutá-lo com o amante, Sam Loomis.
A mente de Marion Crane age rapidamente depois de roubar o dinheiro. Pede licença ao patrão para sair mais cedo. Ela deixa a imobiliária levando o pacote com os quarenta mil dólares. Sabia que o desfalque só iria ser descoberto na segunda-feira. Teria o fim de semana para fugir. Decide partir para a cidade de Fairvale, na Califórnia, onde se encontra Sam. A bela mulher segue no seu carro, ao encontro do amado.

Morte no Chuveiro

A estrada que Marion Crane segue parece infindável, perdida nos desatinos do destino. Após dirigir o dia inteiro, a jovem sente-se exausta. É movida pelo objetivo de não ser apanhada, pela vantagem de dois dias do seu crime e da descoberta dele. Seguiria ainda alguns quilômetros, quando ao cansaço junta-se uma chuva torrencial. Sem visibilidade na estrada, ela procura um lugar para parar. É subitamente atraída por um letreiro que dizia “Motel Bates”. Parecia o local ideal para que pudesse descansar e esperar a chuva passar. A bela foragida dirige-se para o motel.
As imagens do Motel Bates trazem um ambiente sombrio. O estabelecimento ficara isolado após um desvio feito na Auto Estrada, quase desaparecendo. Tudo parece decadente, revelando uma atmosfera de mistério e perigo velado. Marion é recebida por Norman Bates (Anthony Perkins), um jovem simpático, mas de um olhar sombrio e estranho. Ela registra-se com o nome falso de Marie Samuels. De repente o encontro com Bates parece um ato de redenção diante da moral do mundo. Gentilmente, o rapaz conversa com a hóspede. Fala sucintamente da vida, das suas armadilhas. Mostra-se um jovem tímido, dominado pela mãe, uma mulher velha e doente, de quem cuida.
Naquele momento já o remorso acomete a alma da fugitiva. De repente já não fazia sentido os quarenta mil dólares, a fuga, o desfalque. A conversa com Norman Bates é ambígua na determinação do destino de Marion Crane, através dela, decide voltar no dia seguinte e devolver o dinheiro. O que ela não sabe é que mergulhara numa estrada sem volta, e a vida já não lhe dará tempo para consertar os erros. Da janela do seu quarto, ela houve a voz de uma mulher velha, que parecia discutir severamente com o filho.
Marion hospeda-se no apartamento número 1. As imagens dão uma sensação claustrofóbica de que se está a ser observado. Esta sensação é confirmada quando Norman Bates remove um quadro da parede, através dele observa a bela mulher a despir-se, dirigindo-se para o banheiro.
O banho de chuveiro de Marion Crane entraria para a história do cinema, produzindo uma das mais antológicas cenas da sétima arte. De costas para a porta, ela deixa a água escorrer sobre o corpo, não percebendo quando alguém entra. De repente volta-se para a cortina de plástico do banheiro, que se abre bruscamente por uma sombra gigante, trazendo uma faca na mão, erguida no ar. Marion Crane lança um grito de pânico. Ao som de uma trilha sonora que se tornaria clássica, feita por Bernard Herrmann, assistimos a jovem a ser brutalmente esfaqueada. Aos poucos a vida abandona a mulher, que se deixa ir caindo na banheira, até que tomba completamente, sem vida.
A cena do chuveiro é a mais complexa de “Psicose”, tão importante que foi o motivo do filme ter sido rodado em preto e branco, pois Hitchcock temia que a cena ficasse muito chocante se feita colorida, perdendo-se na quantidade exacerbada do sangue que se jorrou.
Janet Leigh não estava nua na cena, trazia uma roupa colante à pele. Para dar maior veracidade, foi contratada uma dublê, que fez as cenas de nudez necessárias para que ficassem mais realistas.
Para que os jatos de água fossem captados pela câmera com maior intensidade, foi utilizado um chuveiro de dois metros de diâmetro, filmado de baixo para cima. Como era a preto e branco, foi utilizada calda de chocolate para simular o sangue, e, o barulho das facadas vinha de um melão sendo esfaqueado.
Mas o clima que transformaria esta cena em uma das mais famosas do cinema, só foi adquirido graças à música de Bernard Herrmann, elemento essencial de tensão e suspense durante o assassínio de Marion Crane. A cena da sua morte no chuveiro utilizou setenta diferentes posições de câmeras, levando sete dias para ser filmada. Desde então, um simples banho de chuveiro jamais foi o mesmo no imaginário das pessoas.
O corpo de Marion Crane é enrolado pelo assassino na cortina de plástico do banheiro, sendo carregado para o porta-malas do carro. Assim, a vítima é jogada com o seu carro dentro de um pântano. Resta a quem assiste ao filme uma pergunta, quem matou a infeliz mulher? Norman Bates? Ou a sua possessiva mãe?

Outra Morte no Motel Bates

Após a morte de Marion Crane, entra em cena uma outra protagonista, Lila Crane (Vera Miles), irmã da jovem assassinada. Será ela quem procurará pela morta. Lila suspeita que Sam Loomis é o responsável pelo desaparecimento misterioso da irmã. Uma semana depois, ela procura o rapaz em Fairvale. Juntos, eles irão desvendar a morte de Marion.
Outra personagem chave é introduzida na trama, Milton Arbogast (Martin Balsam), contratado pelo patrão de Marion, que ao dar pelo golpe, tenta, através dos seus serviços de detetive, recuperar o dinheiro roubado. Ao perceber que as pessoas mais próximas à fugitiva estão preocupadas com o seu desaparecimento, Arbogast passa a investigar os motéis que tinham no caminho que ela teria usado. Após uma investigação minuciosa, ele chega ao Motel Bates.
Norman Bates nega que tenha recebido hóspedes na ocasião do desaparecimento de Marion . Arbogast descobre que ele mentiu, ao verificar o registro de hóspedes. Deduz que ela se registrou com o nome falso de Marie Samuels. Até aquele momento, Sam Loomis era o principal suspeito do desaparecimento de Marion. De uma cabine telefônica, o detetive avisa Lila que Sam é inocente.
Obstinado a descobrir a verdade, Arbogast volta ao Motel Bates. Cenas eletrizantes mostram os seus passos a subir as escadas que dão para o segundo andar da misteriosa e sombria casa onde Norman Bates vive com a mãe. Mas o detetive é descoberto, sendo atacado e morto pela mesma pessoa misteriosa que assassinara alguns dias antes Marion Crane.

A Mãe de Norman Bates

O silêncio repentino de Milton Arbogast incomoda Lila Crane e Sam Loomis. Decidido a desvendar o desaparecimento da amada, Sam vai até o Motel Bates, à procura de uma pista, inclusive de Arbogast. Volta frustrado, pois não encontrou ninguém, a não ser uma senhora idosa e doente, à janela do segundo andar da casa.
Cansados de percorrerem pistas sem saídas, Sam e Lila decidem procurar o xerife do lugar, Al Chambers (John Mclntire). O xerife, ao ouvir os forasteiros, telefona para Norman Bates, querendo informações sobre o detetive Arbogast. Norman afirma que o detetive esteve no motel, a fazer algumas perguntas, mas se retirou em seguida, não voltando mais.
O mistério vai seguindo um novelo psicologicamente labiríntico. Norman Bates diz à mãe que ela terá que mudar para o porão. Nunca é mostrado o rosto da senhora Bates. Algumas vezes se lhe ouve a voz. Nesta encruzilhada do filme, o rapaz tímido e submisso à mãe é praticamente inocentado pelo espectador, e a mãe declarada a culpada. Quase que se deduz que o pobre rapaz protege uma mãe assassina.
Chambers diz a Lila e a Sam que não encontrou ninguém no motel, além de Norman Bates. Insatisfeitos com as investigações, os jovens decidem voltar ao motel, pois têm a certeza de que lá irão encontrar as pistas que Arbogast havia descoberto e, misteriosamente desaparecido logo a seguir.
Sam e Lilá alugam um quarto no Motel Bates, registram-se como marido e mulher. Enquanto Norman Bates é distraído por Sam, Lila investiga o motel. No quarto número 1 descobre vestígios da presença da irmã. Lila segue para os compartimentos da casa, já com a certeza de que Marion ali esteve.
Ao perceber o ardil do casal, Norman Bates reage com violência, agredindo Sam, deixando-o no chão. Desesperado, ele corre na direção da casa misteriosa, procurando por Lila Crane nas dependências onde estava. Ao pressentir a aproximação do rapaz, a jovem esconde-se, sem saber que está preste a desvendar o maior segredo do filme. Lila parece ouvir a voz de uma senhora. Certa de que encontrará a senhora Bates, ela vai até o porão. Ao entrar, percebe uma senhora sentada em uma poltrona, virada de costas. Quando se aproxima, a cadeira gira e revela não uma velha senhora, mas um corpo mumificado. Era a mãe de Norman Bates.
Lila solta um grito de terror ao ver tão repugnante cadáver. A luz pendurada no teto do porão balança. Surge um vulto, com o braço levantado, trazendo uma faca, pronta para ser cravada no corpo da jovem intrusa. Está vestido de mulher, mas não era uma mulher. Era Norman Bates, encarnando a personalidade da mãe. Já pronto para assassinar Lila, Bates é impedido por Sam, que lhe segura por trás. Enlouquecido, Norman Bates entra em convulsão, caindo no chão. O seu segredo está desvendado, e com ele, todo o mistério do filme.

A Imagem e a Mente

A tragédia e loucura de Norman Bates é explicada por um psiquiatra na corte do condado. A psicanálise fascinava Alfred Hitchcock, aqui o recurso psicológico dá credibilidade à história, tornando-a complexa, distante da linearidade do livro de Robert Bloch.
Na voz do psiquiatra é feita a revelação da vida de Norman Bates. O jovem estranho, angustiado e solitário, tinha tido um amor incestuoso e possessivo pela mãe. Quando ela arrumou um amante, Norman não suportou, cego pelo ciúme e pela cólera ao ver os dois juntos na cama, ele os envenenou. Sua mente doentia fechou-se em um mundo estranho, onde ele fantasiava ser a própria mãe, vivendo e vestindo-se como ela. No inconsciente da sua mente, ele matava todas as mulheres por quem tinha interesse, como se fosse a mãe a matá-las por ciúmes. Ao voltar do momento do crime, era tomado pelo remorso e pela culpa diante do horror cometido pela “mãe”. Após cada assassínio, ele conversava com a mãe, travando fervorosas discussões. Assim, Norman Bates não matou Marion Crane e Milton Arbogast. Foi a mãe que ele criara na mente quem o fizera.
A última cena do filme mostra o carro de Marion Crane sendo retirado de dentro do pântano. Na mala está o corpo da jovem e quase quarenta milhões de dólares.
Encerra-se um dos mais complexos e brilhantes filmes de todos os tempos. Norman Bates perseguiu para sempre a carreira de Anthony Perkins, tendo ele voltado nos anos oitenta, a interpretar a personagem em filmes de seqüência, pouco expressivos e sem valor estético e artístico como o original. Anthony Perkins jamais despiu o espectro de Norman Bates, sendo a ele associado durante toda a sua carreira.
Janet Leigh não aparece em todo o filme, mas a cena da morte de Marion Crane foi a maior da sua carreira. Foi indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante e ao Globo de Ouro, na mesma categoria.
Alfred Hitchcock, que aparece no filme usando um chapéu de cowboy, faturou prestígio e cinqüenta milhões de dólares nas bilheterias. “Psicose” foi eleito pelo American Film Institute (AFI), como o 18º melhor filme de todos os tempos. É tido como o maior e mais estético do gênero de suspense. É cultuado em todo o mundo por milhares de pessoas. Uma obra prima do cinema!

Ficha Técnica:

Psicose

Direção: Alfred Hitchcock
Ano: 1960
País: Estados Unidos
Gênero: Suspense
Duração: 107 minutos / preto e branco
Título Original: Psycho
Roteiro: Joseph Stefano, baseado no livro de Robert Bloch
Produção: Alfred Hitchcock
Música: Bernard Herrmann
Direção de Fotografia: John L. Russell
Direção de Arte: Robert Clatworthy e Joseph Hurley
Figurino: Rita Riggs e Helen Colvig
Edição: George Tomasini
Efeitos Especiais: Clarence Champagne
Estúdio: Shamley Productions
Distribuição: Paramount Pictures
Elenco: Anthony Perkins, Janet Leigh, John Gavin, Vera Miles, Martin Balsam, John Mclntire, Simon Oakland, Vaughn Taylor, Frank Albertson, Lurene Tuttle, Patrícia Hitchcock, John Anderson, Alfred Hitchcock
Sinopse: Secretária (Janet Leigh) rouba 40 mil dólares para se casar. Durante a fuga, pára em um velho motel, onde é amavelmente atendida pelo dono (Anthony Perkins), mas escuta a voz da mãe do rapaz, dizendo, que não deseja a presença de uma estranha. Mas o que ouve é na verdade algo tão bizarro, que ela não poderia imaginar que não viveria para ver o dia seguinte.

Alfred Hitchcock

Considerado um dos maiores e dos mais geniais diretores de cinema de todos os tempos, Alfred Joseph Hitchcock nasceu em Londres, na Inglaterra, em 13 de agosto de 1899.
Nascido em uma família humilde, o pai, William Hitchcock, vendia frutas e verduras. Ele e os dois irmãos receberam uma rígida educação católica. Os dogmas do catolicismo foram várias vezes questionados psicologicamente em alguns dos seus filmes. Devido à morte do pai, quando tinha 14 anos, foi obrigado a deixar o colégio jesuíta que freqüentava, indo trabalhar como fabricante de cabos na companhia Henley, onde desenvolveu trabalhos de publicidade e design gráfico.
A carreira de Alfred Hitchcock no cinema começou em 1920, quando começou a trabalhar na Famous Players-Lasky, da Paramount Pictures, onde fazia os quadros que apareciam os diálogos do cinema mudo. Ali aprendeu a criar roteiros e a editar filmes. Já em 1922, realizava o seu primeiro filme, “Number 13”, que não chegou a ser concluído. No ano seguinte, foi para Berlim, onde trabalhou na UFA (Universum Film AG), até 1925. Foi neste estúdio que ele realizou o primeiro filme completo, “The Pleasure Garden”, em 1925.
O primeiro grande sucesso viria com “The Lodger: A Story of the London Fog” (O Pensionista), filme de 1927, que se baseava nos crimes de Jack, o Estripador. Era o começo da sua imersão no mundo do suspense. Foi neste filme que fez a primeira aparição em cena, fato que se tornaria uma característica da sua obra.
Viria das mãos de Hitchcock o primeiro filme sonoro britânico, “Blackmail”, em 1929. No ano anterior, tinha nascido a sua primeira filha, Patrícia, fruto do seu casamento com Alma Reville, sua assistente de direção.
Alfred Hitchcock foi ganhando prestígio no cinema britânico, realizando vários filmes de sucesso. Sua obra chamou a atenção de David O. Selznick, que o chamou para trabalhar em Hollywood. Começava a fase norte-americana da carreira de um cineasta grandioso, que seria amado e cultuado no mundo inteiro. O seu filme de estréia nos Estados Unidos foi “Rebecca”, em 1940, já conseguindo nomeação para o Oscar de melhor filme. Assim, vieram sucessivos grandes filmes, que imortalizariam o cineasta. Em 1955, naturalizou-se norte-americano.
Mestre do suspense, o universo cinematográfico de Alfred Hitchcock suscita análises infindáveis e entretenimento de qualidade, fazendo parte do cinema verdadeiro, que mesmo popular, jamais perdeu a veia da arte. O mestre receberia, em 1980, das mãos da rainha Elizabeth II, a KBE da Ordem do Império Britânico, tornando-se Sir Alfred Hitchcock. Quatro meses após ter recebido a condecoração, em 29 de abril, morreria de insuficiência renal, em Los Angeles.

Filmografia de Alfred Hitchcock:

Longa Metragem

1922 – Number 13
1923 – Always Tell Your Wife
1925 – The Pleasure Garden (O Jardim dos Prazeres)
1926 – The Mountain Eagle
1927 – The Lodger: A Story of the London Fog (O Pensionista)
1927 – Downhill
1927 – The Ring (O Ringue)
1928 – Easy Virtue
1928 – The Farmer’s Wife (A Mulher do Fazendeiro)
1928 – Champagne (Champagne)
1929 – The Manxman (O Ilhéu)
1929 – Blackmail (Chantagem e Confissão)
1930 – Elstree Calling
1930 – An Elastic Affair
1930 – Juno and the Paycock
1930 – Murder! (Assassinato)
1931 – The Skin Game
1931 – Mary
1932 – Rich an Strange (Ricos e Estranhos)
1932 – Number Seventeen (O Mistério no Nº 17)
1933 – Waltzes From Vienna (Valsas de Viena)
1934 – The Man Who Knew Too Much (O Homem Que Sabia Demais)
1935 – The 39 Steps (Os 39 Degraus)
1936 – Secret Agent (Agente Secreto)
1936 – Sabotage (O Marido Era o Culpado)
1937 – Young and Innocent (Jovem e Inocente)
1938 – The Lady Vanishes (A Dama Oculta)
1939 – Jamaica Inn (A Estalagem Maldita)
1940 – Rebecca (Rebecca, a Mulher Inesquecível)
1940 – Foreign Correspondent (Correspondente Estrangeiro)
1941 – Mr, & Mrs. Smith (Sr. e Sra. Smith)
1941 – Suspcion (Suspeita)
1942 – Saboteur (Sabotagem)
1943 – Shadow of a Doubt (A Sombra de uma Dúvida)
1944 – Lifeboat (Um Barco e Nove Destinos)
1945 – Spellbound (Spellbound – Quando Fala o Coração)
1946 – Notorius (Codinome Notorius)
1947 – The Paradine Case (Agonia do Amor)
1948 – Rope (Festim Diabólico)
1949 – Under Capricorn (Sob o Signo de Capricórnio)
1950 – Stage Fright (Pavor nos Bastidores)
1951 – Strangers on a Train (Pacto Sinistro)
1953 – I Confess (A Tortura do Silêncio)
1954 – Dial M for Muder (Disque M Para Matar)
1954 – Rear Window (Janela Indiscreta)
1955 – To Catch a Thief (Ladrão de Casaca)
1955 – The Trouble With Harry (O Terceiro Tiro)
1956 – The Nab Who Knew Too Much (O Homem Que Sabia Demais)
1956 – The Wrong Man (O Homem Errado)
1958 – Vertigo (Um Corpo Que Cai)
1959 – North by Northwest (Intriga Internacional)
1960 – Psycho (Psicose)
1963 – The Birds (Os Pássaros)
1964 – Marnie (Marnie, Confissões de Uma Ladra)
1966 – Tom Curtain (Cortina Rasgada)
1969 – Topaz (Topázio)
1972 – Frenzy (Frenesi)
1976 – Family Plot (Trama Macabra)

Curta Metragem

1929 – Sound Test for Blackmail
1944 – Aventure Malgache
1944 – Bon Voyage
1944 – The Fighting Generation (não creditado)1945 – Watchtower Over Tomorrow (não creditados)

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