sábado, 27 de junho de 2009

FERNANDO PESSOA - OS MÚLTIPLOS EUS DE UM POETA

Dono de uma personalidade ímpar, de uma alma psicológica plural, misteriosa e mística, Fernando Pessoa tornou-se o maior poeta de língua portuguesa. Senhor absoluto da beleza das palavras e das verdades da essência humana, a sua poesia atinge a todos, sem distinção de raças ou classes sociais. A sua mensagem é de identificação universal, tocando de forma indelével a sensibilidade humana.
Considerado ao lado de Pablo Neruda, o maior poeta do século XX, Fernando Pessoa foi um dos responsáveis para que a cultura portuguesa atingisse o mundo contemporâneo, dando mais fama à literatura do seu país do que o próprio Luís de Camões. O mundo inteiro rende-se à sua poesia.
Fernando Pessoa dividiu a sua obra com vários personagens que criou, dando-lhes nome e personalidades distintas. Os chamados heterônimos, o médico Ricardo Reis, o camponês Alberto Caeiro e o engenheiro Álvaro de Campos, entre os mais famosos, foram vozes poéticas saídas da genialidade do poeta, que enriqueceram a sua obra grandiosa.
Sendo o poeta mais lido da língua portuguesa, com uma obra traduzida com sucesso em diversas línguas, Fernando Pessoa viveu uma vida discreta, sem histórias de amor registradas, sem fatos escandalosos ou dramas pessoais. Conviveu com artistas do modernismo português, como Almada Negreiros e Sá Carneiro. Para sobreviver trabalhou no comércio, como tradutor e, como colaborador de agências publicitárias. Justificava as profissões paralelas à sua escrita dizendo: “Ser poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação”. Sua personalidade enigmática venceu a discrição de vida, explodindo na beleza da sua obra.
Ironicamente, Fernando Pessoa só publicou um livro em vida, “Mensagem”, um conjunto de poemas dedicados aos heróis portugueses, e ao sonho máximo do sebastianismo: o Quinto Império. O livro trazia umas trinta páginas, um nada diante dos vinte e cinco mil manuscritos que deixou, em parte por classificar, dentro da sua mítica arca.
Fernando Pessoa morreu aos 47 anos de idade. Sua morte não causou comoção, pois era um quase desconhecido. Sua obra, aos poucos, foi sendo tirada da arca mágica e descoberta pelo mundo. Da poeira dos manuscritos, revelou-se um mundo deslumbrante e infinito na grandeza da alma humana. Ainda hoje, poemas inéditos continuam a emergir dos baús. Sua personalidade, quanto mais lida a obra deixada, isola-se em um patamar inatingível, em um magnetismo misterioso inabalável. Pessoa não só fez parte do gênero humano, mas foi a sua própria essência da alma.

Infância e Adolescência na África do Sul

Fernando Antonio Nogueira Pessoa nasceu no Chiado, em Lisboa, num prédio em frente ao Teatro Nacional de São Carlos, em 13 de junho de 1888. Nascido no dia de Santo Antonio, o santo mais popular de Lisboa, o menino recebeu o nome, Fernando Antonio, em sua homenagem. Fernando devido ao nome de batismo do santo, Fernando de Bulhões, e Antonio o nome canônico. Era filho do funcionário publico e crítico musical, Joaquim de Seabra Pessoa, e de Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa.
Filho de uma família de pequenos aristocratas, o menino Fernando teve a vida alterada aos cinco anos, em 1893, quando o pai morreu de tuberculose. Seguindo a tragédia, perderia o irmão mais novo, Jorge, em 1894, que não chegou a completar um ano. Diante das adversidades, Maria Magdalena viu-se obrigada a leiloar a mobília e a mudar para uma casa mais modesta da Rua de São Marçal.
No ano de 1895, a mãe casou-se novamente, por procuração, com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban, na África do Sul. Em razão da profissão do padrasto, o pequeno partiu com a família para Durban, em 1896, onde viveria por muitos anos.
Foi na África do Sul, então colônia da Grã-Bretanha, que Fernando Pessoa adquiriu uma educação inglesa que o iria influenciar pelo resto da vida. Foi em Durban que viu despertar o seu talento para a literatura. Em 1903, ao candidatar-se para a Universidade do Cabo da Boa Esperança, não obtém uma boa classificação, mas consegue a melhor nota no ensaio de estilo inglês. Aos quinze anos, ele recebe pelo ensaio, o Queen Victoria Memorial Prize (Prêmio Rainha Vitória). Desde esta época, o poeta demonstrou o seu talento para escrever também em inglês, iniciando a produção de vários poemas nesta língua.

Participação na Vida Cultural Portuguesa

Fernando Pessoa só regressaria definitivamente a Portugal em 1905. Ele viria sozinho, para viver com a avó Dionísia e duas tias na Rua da Bela Vista, em Lisboa. No ano seguinte, em 1906, matricular-se-ia no Curso Superior de Letras. Nesta época entra em contacto com importantes escritores do modernismo português.
Morre-lhe a avó Dionísia, em 1907, deixando-lhe uma pequena herança. Com o dinheiro, o poeta funda uma pequena tipografia, a Empresa Íbis-Tipografia Editora – Oficina a Vapor. Para geri-la, ele abandona o curso de letras, mas o negócio não prospera, e em poucos meses vem a falência. A partir de então, passa a trabalhar como tradutor e correspondente estrangeiro em casas comerciais. Trabalharia nessa profissão o resto da sua vida.
Fernando Pessoa passou a interessar-se pela obra de Cesário Verde e do Padre Antonio Vieira. Em 1912, toma para si a atividade de ensaísta e crítico literário, estreando-se com o artigo “A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada”, publicado pela revista “Águia”, órgão oficial da Renascença Portuguesa. Para esta revista, faria ainda os artigos “Reincidindo...” e “A Nova Poesia Portuguesa no Seu Aspecto Psicológico”.
Pouco depois, desliga-se do grupo da Renascença, aliando-se à geração mais nova, Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros, que marcaria o modernismo português. Com os amigos, fundaria a revista “Orpheu”, em 1917. Em 1921 colabora com o único número de “Portugal Futurista”. Em 1921 seria lançada a “Contemporânea”. Em 1924, dirige com Ruy Vaz a “Athena”. Em 1927 escreve para a “Presença”, onde passa a dar conhecimento dos seus versos. Nesta época colabora com textos para os jornais. Passa a colaborar com uma agência publicitária, atividade que exerceria de 1925 a 1935, ano da sua morte.

Vida Sem Grandes Paixões e Voltada Para o Ocultismo

Fugindo ao estereótipo da vida dos grandes poetas, que na sua maioria, viveram grandes e atribulados romances, Fernando Pessoa teve uma vida amorosa em branco, o que levou alguns comentários sobre uma suposta homossexualidade, algumas vezes despejada em alguns poemas; ou mesmo, a ausência de uma vida sexual. Ele jamais se casou.
Uma única mulher fez parte da sua biografia, Ofélia Queiroz, colega de trabalho, com quem teve um breve namoro e trocou cartas de amor. Ofélia dirigia-se a ele nas cartas como Ferdinand Personne, ou “Monsieur Personne”. Mais tarde, Agostinho da Silva, que conhecera pessoalmente Fernando Pessoa, relataria que o poeta confidenciara-lhe arrependido de ter escrito as cartas de amor a Ofélia , pois o fizera movido pela fantasia heteronímica, sem jamais ter tido paixão por ela. Quando viu que Ofélia, uma mulher carente, estava irremediavelmente apaixonada por ele, apercebeu-se do ardil do amor fictício que vivia e pôs fim a ele, para não fazer uma mulher real e apaixonada sofrer.
Se a vida amorosa foi feita de mistério, também o misticismo e ocultismo que teria praticado deixaram grandes lacunas de dados. Sua suposta ligação com a Maçonaria e com a Rosa Cruz jamais foi provada, não se conhecendo nenhuma filiação do poeta a essas escolas em suas lojas ou fraternidades. O que se tem registrado é a defesa pública dessas organizações, feita por ele no “Diário de Lisboa” , contra as perseguições do Estado Novo, em 1935.
Fernando Pessoa estabeleceu mapas astrológicos para a maioria dos seus heterônimos e para Portugal. Fazia consultas astrológicas para si mesmo. Durante os seus estudos de astrologia, teria realizado mais de mil horóscopos.
Das chamadas ciências ocultas, Fernando Pessoa mostrou-se um estudioso profundo, tendo deixado uma razoável biblioteca de temas esotéricos anotada, além de escritos da sua própria autoria. Proclamava-se um cristão gnóstico e iniciado na Ordem Templária de Portugal. Era um grande admirador de Jacques de Molay, último grão-mestre dos Templários queimado vivo na fogueira. Dizia em defesa do mártir dos cavaleiros do Templo, que todos deveriam combater “os seus três assassinos – a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania”.

Os Heterônimos de Fernando Pessoa

A beleza estética da obra de Fernando Pessoa deve-se à criação dos diferentes e marcantes heterônimos. Neles, o eu do poeta diluiu-se na escrita, fragmentando-se em personalidades poéticas complexas e de personalidades definidas. Uma vez tendo escrito em privado, com uma única publicação em vida, a escrita repleta de inovações prosódicas não é alcançada por seus contemporâneos. Quando revelada, trar-lhe-ia fama internacional, construindo um grande elemento da literatura universal.
Fernando Pessoa faz a divisão do eu, levando ao extremo dos limites a multiplicação da personalidade, transformando a identidade falsa de cada um deles em verdadeira, tornando-as imiscíveis.
Os heterônimos mais conhecidos na obra de Fernando Pessoa foram três: Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Sobre eles o próprio poeta escreveu, em uma carta a Adolfo Casais Monteiro:
Criei, então uma coterie inexistente. Ricardo Reis nasceu em 1887, não me lembro do dia e mês (...), no Porto, é médico e está presentemente no Brasil. Alberto Caeiro nasceu em 1889 e morreu em 1915; nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão nem educação quase alguma. Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de outubro de 1890 (às 1,30 horas da tarde, diz-me o Ferreira Gomes; e é verdade, pois, feito o horóscopo para essa hora, está certo). Este, como se sabe é engenheiro naval (por Glasgow) (...). Caeiro era de estatura média, e, embora realmente frágil (morreu tuberculoso), não parecia tão frágil quanto era. Ricardo Reis é um pouco, mas muito pouco, mais baixo, mais forte, mais seco. Álvaro de Campos é alto (1,75m de altura, mais 2 cm do que eu), magro e um pouco tendente a curvar-se. Cara rapada todos – o Caeiro louro sem cor, olhos azuis; Reis de um vago moreno mate; Campos entre branco e moreno, tipo vagamente de judeu português, cabelo, porém, liso e normalmente apartado ao lado, monóculo. Caeiro, como disse, não teve mais educação que quase nenhuma – só instrução primária; morreram-lhe cedo e pai e a mãe, (...). Vivia com uma tia velha, tia-avó. Ricardo Reis, educado num colégio de jesuítas, é, como disse, médico: vive no Brasil desde 1919, pois se expatriou espontaneamente por ser monárquico. É um latinista por educação alheia, e um semi-helenista por educação própria. Álvaro de Campos teve uma educação vulgar de liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Ensinou-lhe latim um tio beirão que era padre.
Com personalidades definidas e histórias de vidas próprias, cada heterônimo vai assumir para si um tipo e tema de poesia. Alberto Caeiro, o mestre, guardador de rebanhos, tem uma poesia filosófica. Foi morto por seu demiurgo no mesmo ano que foi criado, na revista “Orpheu”. Álvaro de Campos é um engenheiro futurista, cultor da máquina e do progresso, sua poesia é mais crítica. Ricardo Reis, o monárquico, cultiva em seus poemas Horácio e a tradição clássica. Há ainda um quarto heterônimo de grande importância na obra do poeta, Bernardo Soares, que é tido como o mais parecido com Fernando Pessoa, daí, muitas vezes tido como pseudo-heterônimo. Bernardo Soares, o inadaptado social, rabisca os seus fragmentos e impressões de Lisboa em “O Livro do Desassossego”.
Fernando Pessoa morreria no dia 30 de novembro de 1935, no Hospital de São Luis dos Franceses, em Lisboa, sua terra natal. As causas da morte seriam uma “cólica hepática”, associada a uma cirrose hepática, fruto das longas tertúlias no “Martinho da Arcada” e na “Brasileira do Chiado”, regadas à aguardente.Tinha 47 anos de idade. Conta-se que nos últimos instantes de vida, escreveu em inglês, a última frase: “I Know not what tomorrow will bring” – “Não sei o que amanhã trará”.

[275] – Poemas Inconjuntos - Alberto Caeiro

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se eu soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo se eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que fôr, quando fôr, é que será o que é.

Passagem das Horas (Enxertos) – Álvaro de Campos

Beijo na boca todas as prostitutas,
Beijo sobre os olhos todos os souteneurs,
A minha passividade jaz aos pés de todos os assassinos
E a minha capa à espanhola esconde a retirada a todos os ladrões.
Tudo é a razão de ser da minha vida.

Cometi todos os crimes,
Vivi dentro de todos os crimes
(Eu próprio fui, não um nem o outro no vicio,
Mas o próprio vício-pessoa praticado entre eles,
E dessas são as horas mais arco-de-triunfo da minha vida).

Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-rne,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.

Os braços de todos os atletas apertaram-me subitamente feminino,
E eu só de pensar nisso desmaiei entre músculos supostos.

Foram dados na minha boca os beijos de todos os encontros,
Acenaram no meu coração os lenços de todas as despedidas,
Todos os chamamentos obscenos de gesto e olhares
Batem-me em cheio em todo o corpo com sede nos centros sexuais.
Fui todos os ascetas, todos os postos-de-parte, todos os como que esquecidos,
E todos os pederastas - absolutamente todos (não faltou nenhum).
Rendez-vous a vermelho e negro no fundo-inferno da minha alma!

(Freddie, eu chamava-te Baby, porque tu eras louro, branco e eu amava-te,
Quantas imperatrizes por reinar e princesas destronadas tu foste para mim!)
Mary, com quem eu lia Burns em dias tristes como sentir-se viver,
Mary, mal tu sabes quantos casais honestos, quantas famílias felizes,
Viveram em ti os meus olhos e o meu braço cingido e a minha consciência incerta,
A sua vida pacata, as suas casas suburbanas com jardim,
Os seus half-holidays inesperados...
Mary, eu sou infeliz...
Freddie, eu sou infeliz...
Oh, vós todos, todos vós, casuais, demorados,
Quantas vezes tereis pensado em pensar em mim, sem que o fósseis,
Ah, quão pouco eu fui no que sois, quão pouco, quão pouco —
Sim, e o que tenho eu sido, o meu subjetivo universo,
Ó meu sol, meu luar, minhas estrelas, meu momento,
Ó parte externa de mim perdida em labirintos de Deus!

Passa tudo, todas as coisas num desfile por mim dentro,
E todas as cidades do mundo, rumorejam-se dentro de mim ...
Meu coração tribunal, meu coração mercado,
Meu coração sala da Bolsa, meu coração balcão de Banco,
Meu coração rendez-vous de toda a humanidade,
Meu coração banco de jardim público, hospedaria,
Estalagem, calabouço número qualquer cousa
(Aqui estuvo el Manolo en vísperas de ir al patíbulo)
Meu coração clube, sala, platéia, capacho, guichet, portaló,
Ponte, cancela, excursão, marcha, viagem, leilão, feira, arraial,
Meu coração postigo,
Meu coração encomenda,
Meu coração carta, bagagem, satisfação, entrega,
Meu coração a margem, o lirrite, a súmula, o índice,
Eh-lá, eh-lá, eh-lá, bazar o meu coração.

Todos os amantes beijaram-se na minh'alma,
Todos os vadios dormiram um momento em cima de mim,
Todos os desprezados encostaram-se um momento ao meu ombro,
Atravessaram a rua, ao meu braço, todos os velhos e os doentes,
E houve um segredo que me disseram todos os assassinos.

Vivem em Nós Inúmeros – Ricardo Reis

Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.

Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.

Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu ‘screvo.

Vaga, no Azul Amplo Solta – Fernando Pessoa

Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.

O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma.

E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.

Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.

Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem.
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.

Cronologia

1888 – Nasce, em 13 de junho, em Lisboa, Portugal, Fernando Antonio Nogueira Pessoa.
1893 – Nasce, em janeiro, o irmão Jorge. Em 13 de julho morre-lhe o pai, vitimado pela tuberculose.
1894 – Morre o irmão Jorge, em janeiro, pouco antes de completar um ano.
1895 – Em julho, o pequeno poeta escreve o seu primeiro poema. João Miguel Rosas, pretendente da sua mãe, é nomeado cônsul interino em Durban, na África do Sul, partindo para aquela região. Em dezembro, o cônsul casa-se com a mãe de Fernando Pessoa, por procuração.
1896 – Parte com a família para Durban. Em novembro nasce a irmã, Henriqueta Madalena.
1897 – O poeta entra para o curso primário.
1898 – Nasce a segunda irmã, em outubro.
1899 – Ingressa na Durban High Scholl. Cria o pseudônimo Alexander Search.
1900 – Nasce Luís Miguel, terceiro irmão do poeta.
1901 – Aprovado no exame da Cape Scholl High Examination. Morre a irmã do meio. Começa a escrever poesias em inglês. Ao lado da família, parte em agosto para uma visita a Portugal.
1902 – Nasce em Lisboa, o irmão João Maria. Em setembro, volta para Durban.
1903 – Presta exame de admissão à Universidade do Cabo, obtendo a melhor nota no ensaio de inglês, ganhando o Prêmio Rainha Vitória.
1904 – Nasce, em agosto, a irmã Maria Clara. Conclui os estudos na África do Sul.
1905 – Sozinho, retorna definitivamente para Lisboa, passando a viver com a avó Dionísia.
1906 – Matricula-se no Curso Superior de Letras, em Lisboa. Morre a irmã Maria Clara.
1907 – Desiste do Curso Superior de Letras. Morre a avó Dionísia. Abre, por um curto período, uma tipografia.
1908 – Começa a trabalhar como correspondente estrangeiro em escritórios comerciais.
1910 – Escreve poesia e prosa em português, inglês e francês.
1912 – Publica artigo literário na revista “Águia”.
1914 – Cria os heterônimos Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Escreve os poemas de “O Guardador de Rebanhos” e o “Livro do Desassossego”.
1915 – No primeiro número da revista “Orpheu”, o poeta mata Alberto Caeiro.
1916 – Suicida-se o amigo Mário de Sá Carneiro.
1920 – Conhece Ofélia Queiroz. Os irmãos e a mãe voltam para Portugal. Deprimido, pensa em internar-se em uma casa de saúde. Rompe com Ofélia.
1921 – Funda a editora Olisipo, onde publica poemas em inglês.
1924 – Dirige com Ruy Vaz a revista “Athena”.
1925 – Morre, em 17 de março, em Lisboa, a mãe do poeta.
1927 – Passa a colaborar com a revista “Presença”.
1929 – Volta a relacionar-se com Ofélia Queiroz.
1931 – Rompe novamente com a namorada.
1934 – É publicado o seu livro “Mensagem”.
1935 – Internado em um hospital, no dia 29 de novembro, com diagnóstico de cólica hepática. Morre no dia 30

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