quinta-feira, 18 de junho de 2009

AS SETE MARAVILHAS DO MUNDO

Míticas, famosas, quase todas desaparecidas na poeira do tempo, as Sete Maravilhas do Mundo constituem um fascínio do homem sobre a sua própria criatividade, arte e obra de construção.
Conhecidas como as Sete Maravilhas do Mundo Antigo, são obras artísticas arquitetônicas erguidas durante o esplendor da Antiguidade Clássica, que assim ficaram imortalizadas através de uma lista que se perpetuou através dos tempos. Fazem parte dela, as Pirâmides de Gizé e o Farol de Alexandria, ambas no Egito; os Jardins Suspensos da Babilônia, na Mesopotâmia; o Templo de Ártemis em Éfeso, na Ásia Menor; a Estátua de Zeus em Olímpia, na Grécia; o Mausoléu de Halicarnasso, na Turquia; e, o Colosso de Rodes, na ilha de Rodes.
A origem desta lista, também conhecida por “Ta Hepta Thaemata” (“As Sete Coisas Dignas de Serem Vistas”), é atribuída ao poeta e escritor grego Antípatro de Sidon. Mas esta versão jamais obteve comprovação histórica. Segundo a tradição, a lista foi escrita em um poema de Antípatro. Um outro documento da antiguidade que possui a famosa lista é “De Septem Orbis Miraculis”, livro de Philon de Bizâncio, um engenheiro grego. A única certeza que se tem sobre a origem da lista é que foram os gregos os primeiros povos a divulgá-la, por volta dos anos 150 a.C. a 120 a.C.
Das sete maravilhas do mundo, apenas as Pirâmides de Gizé chegaram aos tempos atuais, preservando-se praticamente intactas há cinco mil anos. Apesar de desaparecidas, essas maravilhas arquitetônicas continuam a exercer o seu fascínio sobre a humanidade, pela beleza estética que as compunham e, principalmente, pela vertiginosa veia artística do homem antigo, que mesmo diante das limitações tecnológicas da época, ergueu obras de uma grandeza magnificente, desafiando ao tempo e às estruturas, eternizando a beleza extraída das próprias mãos. Estátuas gigantescas, feitas de mármore, ouro e bronze; jardins suspensos, erguidos em plena aridez do deserto, quase a atingir o céu; pirâmides de blocos gigantescos, além da força humana para erguê-los geometricamente perfeitos; monumentos arquitetônicos clássicos, atingindo uma perfeição sublime; tudo isto faz das Sete Maravilhas do Mundo uma paisagem eterna na grande aventura do homem dentro do planeta Terra, fazendo-o um genial artista, escultor da própria existência da concepção da beleza.


As Pirâmides de Gizé

Monumentais, as três pirâmides do Egito, Quéops, Quéfren e Miquerinos, trazem o fulgor da grandiosidade humana através da história. Das sete maravilhas do mundo, é o mais antigo dos monumentos e, curiosamente, o único que chegou aos dias atuais, distante da destruição do tempo, do homem e das catástrofes naturais.
As pirâmides foram erguidas imponentes na planície de Gizé, a quinze quilômetros da cidade do Cairo, capital do Egito. Foram construídas entre 2551 a 2495 a.C., servindo de túmulo aos faraós da IV dinastia. Suas estruturas colossais retratam o apogeu tecnológico e cientifico do Egito antigo, trazendo estruturas arquitetônicas e soluções de engenharia que desafiam os tempos antigos e atuais.
Inicialmente, a estrutura das pirâmides egípcias tinha uma base hexagonal (seis lados). A partir da pirâmide monumental atribuída ao faraó Snefru, e que não faz parte das sete maravilhas, foram alargadas as estruturas básicas, transformadas em um bloco compacto de alvenaria com oito terraços, preenchidos com blocos de pedras que se encaixavam com perfeição, formando um aclive em degraus. Quando recoberta com uma massa lisa de pedra calcária, a construção transformava-se em uma pirâmide geométrica.
Das três pirâmides, a maior é a de Quéops, construída como tumba do rei Khufu (Keóps), também chamada de Grande Pirâmide. Possui 146 metros de altura, tendo sido o mais alto monumento da terra por quase cinco mil anos, só perdendo o título após a construção da torre Eiffel, em Paris, em 1889. Heródoto, historiador grego, relata que cem mil trabalhadores foram utilizados na construção da pirâmide durante vinte anos. Foram utilizados mais de dois milhões de blocos de pedra.
Quéfren, um pouco menor do que Quéops, possui 143 metros de altura. Serviu de túmulo para o rei homônimo, filho de Khufu. A terceira, Miquerinos, possui 66 metros de altura, sendo túmulo do rei Menkaure, filho de Quéfren.
Os monumentos mostram o apogeu do Egito durante a IV dinastia, e o esplendor dos reis ali enterrados, prontos, segundo a tradição religiosa, a ressuscitarem dentro da mesma opulência em que viveram durante os seus reinados faustosos.

O Farol de Alexandria

Considerado a segunda maravilha do mundo antigo, o Farol de Alexandria foi erguido em 280 a.C., mais de dois mil anos depois das pirâmides de Gizé, a primeira maravilha. Foi construído em Faros, o que deu origem ao termo “farol”, uma ilha próxima ao porto da cidade de Alexandria, no Egito, transformada em istmo nos tempos atuais.
Na época da construção do farol, o Egito era governado pelos gregos. Fundada por Alexandre, o Grande, em 332 a.C., Alexandria foi concebida pelo rei macedônio para que se tornasse um grande centro de erudição, comércio e aprendizado. Os sucessores de Alexandre continuaram a sua obra, e a cidade tornou-se o maior centro cultural da antiguidade, para onde convergiam os grandes intelectuais e cientistas da época.
Foi em Alexandria, sobre o reinado de Ptolomeu I (323 a.C.- 285 a.C.), que o matemático grego Euclides criou o primeiro sistema de geometria. Aristarco concluiu que o Sol era o centro do universo, e não a Terra.
Foi em meio à ebulição erudita de Alexandria, que se ergueu o mais sofisticado dos faróis, que serviria de modelo para a construção dos que o sucederam. Foi o rei grego Ptolomeu II, que governava o Egito na época, quem ordenou a construção do farol, executada pelo arquiteto, também grego, Sóstrato de Cnidos. Era uma torre de mármore, com 120 metros de altura, no alto da qual ardia uma chama, que através de espelhos, iluminava, à noite, um raio de cinqüenta quilômetros à volta, o que lhe dava uma imponente visão diante dos navegantes por ele orientados. Possuía três estágios superpostos: o primeiro, quadrado; o segundo, octogonal; e, o terceiro, cilíndrico. Seu mecanismo assinalava a passagem do Sol, a direção dos ventos e as horas. O topo era alcançado por uma rampa espiral. Reza a lenda que Sóstrato, à procura de um material resistente à água do mar, construíra a torre sobre gigantescos blocos de vidro.
Depois das pirâmides do Egito, o farol foi a maravilha do mundo antigo que mais tempo durou. As causas da sua destruição são incertas. A versão mais aceita é a de que sucessivos terremotos foram danificando o monumento, sendo definitivamente destruído por um terremoto, provavelmente ocorrido em 1375.
As ruínas do Farol de Alexandria foram descobertas por mergulhadores no final do século XX, em 1994, sendo tão importante descoberta confirmada mais tarde por imagens de satélite, garantido a veracidade da sua existência como uma das maravilhas do mundo.

Os Jardins Suspensos da Babilônia

Tidos como a terceira maravilha do mundo, os Jardins Suspensos da Babilônia são entre as sete, o que menos se conhece. Nenhum sítio arqueológico foi encontrado que provasse os seus vestígios, o que faz com que muitos historiadores duvidem da sua existência, transformando-o numa lenda de amor. Em 1913, Robert Koldewey, um arqueólogo alemão, afirmou ter desenterrado ruínas que seriam dos jardins, mas as provas que apresentou não foram contundentes, sendo descartadas.
Dúvidas à parte, os Jardins Suspensos da Babilônia continuam a suscitar a imaginação dos homens através dos séculos. Os poucos registros sobre a sua existência originaram-se somente no século II a.C., vindos de relatos dos gregos Strabo e Diodoro. Nesses registros, os jardins teriam sido erguidos por ordem do rei Nabucodonosor II, entre 605 a.C. a 560 a.C., às margens do rio Eufrates, na cidade da Babilônia, Mesopotâmia, no sul do atual Iraque. Nabucodonosor II, reza a tradição, quis amenizar o sofrimento da sua esposa preferida, a bela Amitis, que vivia a suspirar de saudades da sua terra natal, a Média, coberta por montanhas e florestas. Assim, os jardins seriam frutos da homenagem e grande prova de amor de um rei para a sua mulher.
Para que se entenda o esplendor dos jardins, é preciso que se saiba sobre o apogeu do império caldeu e da Babilônia, a sua capital. Sob o reinado de Nabucodonosor, a cidade tornou-se a mais rica e importante do mundo antigo. Babilônia tornou-se um centro de comércio, navegação e estudos astrológicos, astronômicos e científicos. A expansão do império passava pelo comércio com os vizinhos, indo da península Arábica à Índia, passando por toda Ásia Menor. Babilônia tornou-se a cidade de maior esplendor, com construções arquitetônicas grandiosas. Este apogeu seria encerrado quando foi conquistada pelos persas, em 539 a.C. Dois séculos mais tarde, o império caldeu passou a ser dominado por Alexandre, o Grande, que fez de Babilônia a capital oriental do seu imenso reino, assimilando a cultura daquele povo, mesclando-a com a cultura helenística. Com a morte de Alexandre, Babilônia deixou de ser a capital do império, declinando pouco a pouco, até que foi riscada do mapa. Com o fim da cidade, todas as construções desapareceram, inclusive os seus famosos jardins suspensos.
Segundo a tradição, os jardins ficavam próximos ao palácio de Nabucodonosor II. Há versões de que ficava no próprio palácio. Eram seis montanhas artificiais feitas de tijolos de barro cozido, visto que os babilônicos não dispunham de pedras, daí as construções feitas do barro cozido e de azulejos esmaltados. Possuía terraços superpostos, apoiados em colunas de 25 a 100 metros de altura, onde foram plantadas árvores e flores, sendo irrigados pela água bombeada do rio Eufrates. No meio das plantas estavam exóticas árvores e flores tropicais, com alamedas de palmeiras. Uma escada de mármore era utilizada para que se chegasse aos jardins. Por entre as árvores e as folhagens, belas fontes jorravam água e mesas serviam de descanso aos visitantes, que dali podiam ver as belezas do fulgor da antiga Babilônia.
Se a existência dos jardins é questionada, nada se sabe do seu fim. Também chamado de Jardins Suspensos de Semiramis, a sua destruição, suspeita-se, deve ter ocorrido na época da destruição do palácio de Nabucodonosor. Sobre as ruínas da poderosa Babilônia, ergueu-se a cidade de Al-Hillah, a 160 quilômetros de Bagdá, capital do Iraque.

O Templo de Ártemis em Éfeso

Tido como a quarta maravilha do mundo, o Templo de Ártemis em Éfeso foi construído para a adoração da deusa grega da caça, protetora dos bosques e dos animais. A deusa virgem caçadora, Ártemis, seria assimilada a Diana, em Roma. O templo foi o maior do mundo antigo, alcançando fama e atraindo milhares de pessoas que nele vinham prestar honras à deusa venerada.
O templo foi erguido em 550 a.C., em Éfeso, região montanhosa da Ásia Menor, atual Turquia. Segundo algumas versões e teorias, teria levado duzentos anos para que as suas obras fossem concluídas. Creso, rei da Lídia, foi quem ordenou a sua construção ao arquiteto cretense Quersifrão, e ao filho deste, Metagenes.
O período da construção do templo corresponde ao que se chama de Arcaico na história da Grécia antiga, que foi dos séculos VIII a.C. ao V a.C. Na época, Éfeso tornou-se um dos portos gregos mais importantes, fazendo dela uma cidade poderosa do mar Egeu e do Mediterrâneo. Nas artes, a escultura grega atingia o seu apogeu, o que fez com que o templo fosse adornado por magníficas estátuas e objetos esculpidos em ouro e marfim.
O templo de Ártemis possuía 90 metros de altura, com 127 colunas de mármore, com 20 metros de altura cada uma, sendo 36 delas decoradas. Magníficas obras de arte compunham uma decoração faustosa. A estátua principal, a da deusa homenageada, que era a protetora da cidade, foi esculpida em ébano, ouro, prata e pedra preta. A estátua trazia as pernas e quadris cobertos por uma saia comprida decorada com delineados relevos de animais, o que exaltava as funções protetoras da deusa; da cintura para cima, três fileiras de seios se superpunham; a cabeça era adornada por um ornamento em forma de pilar.
Em 356 a.C., o templo foi incendiado por Heróstrato, que acreditava, ao destruir tão magnífica obra, seria imortalizado, tendo o seu nome espalhado por todo o mundo. Em represália ao destruidor do templo, os habitantes de Éfeso decidiram não revelar o seu nome, fazendo-o secreto e condenando-o ao ostracismo. O nome só seria revelado ao mundo pelo historiador Strabo.
Após a destruição do templo, Alexandre, o Grande, ofereceu-se para reconstruí-lo, mas as obras de reconstrução começaram somente em 323 a.C., ano da morte do conquistador macedônio. Durante a sua existência, o templo foi reconstruído e aumentado algumas vezes. Somente na quarta expansão, é que alcançou o apogeu que o tornou famoso e passou a fazer parte da lista das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.
Em 262 d.C., o templo foi novamente destruído, desta vez por um ataque provocado pelos godos, povos que invadiram as províncias romanas da Ásia Menor e dos Bálcãs. Em ruínas, o templo viu a conversão dos povos da região ao cristianismo, o que lhe fez perder a importância, sendo visto como lugar de cultura e crenças pagãs. Em 401 d.C. veio abaixo. Obras de arte e estátuas que pertenciam ao templo encontram-se no Museu Britânico, em Londres. Do grandioso monumento, nos tempos atuais resta apenas o pilar de uma coluna da construção original em ruínas.

A Estátua de Zeus em Olímpia

Zeus era para os gregos antigos, o mais poderoso de todos os deuses, considerado senhor absoluto do Olimpo, local de onde reinava sobre os homens e os imortais. Considerado pai dos deuses e de todos os grandes heróis gregos, Zeus, que se iria tornar o Júpiter dos romanos, teria que ser homenageado com uma escultura magnificente, que aflorasse a sua onipotência diante dos olhares humanos. Assim, foi erigida no século V a.C., entre 450 a.C. e 430 a.C., a monumental estátua de Zeus, esculpida pelo maior de todos os escultores gregos, o ateniense Fídias (500?-432? a.C.).
A estátua teria 13 metros de altura, sendo encomendada para adornar o santuário de Zeus em Olímpia, cidade da Grécia, situada no Peloponeso. Fídias era tido como o criador de obras perfeitas, os seus trabalhos revelavam aos homens a imagem dos deuses, segundo a tradição dos seus admiradores. Ninguém melhor do que ele estava apto a esculpir o senhor do Olimpo. Na obra, Zeus aparece sentado em um trono de ébano, bronze, marfim e ouro; traz a fronte adornada por cabelos espessos e ondulados, cingida por uma coroa de ramos de oliveira. O rosto do deus trazia a serenidade majestosa da divindade, emoldurado por uma barba longa e crespa e por olhos feitos de pedras preciosas. Na mão direita o senhor dos deuses segurava uma estatueta de Nique, a deusa da vitória; na esquerda, um cetro encimado por uma esfera na qual se debruçava uma águia. O deus vestia um manto de ouro bordado de flores. A estátua teria levado oito anos para ser construída, transformando-se na obra-prima de Fídias e na quinta maravilha do mundo. O Zeus de Fídias tornar-se-ia o tipo ideal da imagem do deus: um homem maduro, robusto, majestoso e de olhar grave, de cenho franzido. A partir desta estátua, futuros artistas encontraram inspiração para retratar Zeus.
Fídias construiu esta magnífica obra na época das guerras entre as cidades gregas de Atenas e Esparta pela hegemonia da Grécia e do mar Mediterrâneo. Mesmo debaixo de atritos constantes e da rivalidade entre as cidades, a Grécia viveu no século V a.C. o seu apogeu cultural, marcado por grandes realizações e manifestações na arquitetura, escultura e outras artes.
Não se sabe ao certo que fim levou a estátua. Com a cristianização da Grécia, os templos e as estátuas dos deuses passaram a ser ameaçados pela intolerância, sendo muitos deles destruídos. A estátua de Zeus em Olímpia era amada e admirada pelos gregos, que para protegê-la da perseguição cristã, pagaram para que fosse removida para a cidade de Constantinopla, atual Istambul, sendo preservada e ficando em segurança quando, em 391 d.C., os cristãos fecharam o templo. A estátua teria ficado preservada em Constantinopla até o ano de 462 ou 475 d.C., quando teria sido queimada em um incêndio. A idéia que se tem da estátua de Zeus em Olímpia e da sua suntuosidade vem das moedas de Elis, que trazem cunhadas a figura do monumento.

O Mausoléu de Halicarnasso

A Caria era um pequeno reino da costa sudoeste da península da Anatólia, atual Turquia. O pequeno reino, banhado pelo mar Egeu, atingiu um esplendor cultural e desenvolvimento durante o reinado de Mausolo, no século IV a.C. O monarca realizou grandes obras de embelezamento e proteção a Halicarnasso, cidade para a qual transferira a capital da Caria.
Sob as ordens de Mausolo, ergueu-se uma grande muralha e torres de guarda, para maior proteção de Halicarnasso; foi aprofundado o canal marítimo que dava acesso à cidade; um imponente palácio foi construído ao lado do porto; ergueu-se um teatro ao estilo grego; um templo para Ares, o deus da guerra; diversos templos foram adornados com estátuas trazidas de diversos lugares.
Entre as grandes construções promovidas por Mausolo, estava o projeto maior da sua ambição, erguer no centro de Halicarnasso um grande monumento que serviria de túmulo para que ele e a rainha Artemísia pudessem repousar os seus corpos, quando mortos, através da eternidade. Mas o projeto não se concluiu, pois Mausolo morreu antes, em 353 a.C.
Após a morte do marido e irmão, a rainha Artemísia mostrou-se inconformada. Para homenagear o amado, ela decidiu construir o mais suntuoso túmulo, que o homem jamais tinha visto até então, fazendo com que Mausolo fosse perpetuado, através de tão grandioso monumento, na memória dos seus súditos e dos forasteiros que viessem a Halicarnasso.
Em 353 a.C., Artemísia II ordenou que o túmulo fosse erguido sobre os restos mortais do marido. Para que se tornasse um monumento esplendoroso, foram chamados os maiores arquitetos gregos da época, Sátiros e Pítis; e quatro grandes escultores, também gregos, Escopas, Briáxis, Timóteo e Leocarés. O resultado seria uma obra grandiosa, que se iria transformar na sexta maravilha do mundo, o Mausoléu de Halicarnasso.
Erguido em uma colina da qual se avistava a cidade, o monumento ocupava um pátio fechado, com uma área superior a 1200 metros quadrados, onde em seu centro, foi construída a estrutura. Sustentado por 36 colunas, o monumento tinha uma altura de 45 metros. Acima da base quadrada, erguia-se uma pirâmide de 24 degraus, que trazia no topo uma carruagem de mármore puxada por quatro cavalos. A escada, com os seus 24 degraus, era ladeada por estátuas de leões de pedra; através dela chegava-se ao topo da plataforma. A tumba propriamente dita ficava no centro da plataforma, constituindo um bloco quadrado de 15 metros de altura; coberto por figuras em relevo mostrando cenas da mitologia grega, como a luta dos gregos contra as amazonas, ou a batalha dos centauros com os Iapitas; erguiam-se em seu topo, 36 colunas delgadas, 9 em cada um dos lados, separadas por estátuas postas entre cada uma delas. Por trás das estátuas, suportes sustentavam o telhado em formato de pirâmide, no terço final da altura, encimado por quatro cavalos puxando uma biga com as estátuas de Mausolo e Artemísia. Algumas dessas esculturas, provavelmente a de Mausolo, encontra-se nos tempos atuais no Museu Britânico, em Londres.
O mausoléu foi destruído, provavelmente por um terremoto, entre o século XI e XV. As pedras das suas ruínas foram aproveitadas para a construção de outros edifícios erguidos na cidade. Em 1522, rumores sob uma iminente invasão dos turcos sobre Halicarnasso, fez a população desmanchar o que restara do túmulo de Mausolo, usando o material para reforçar as muralhas de fortificação.
Além de ser uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, o Mausoléu de Halicarnasso passou para a história por ter sido através do nome do rei Mausolo, a origem da palavra mausoléu, usada para designar os monumentos funerários. Halicarnasso passou a ser chamada de Bodrum.

O Colosso de Rodes

Considerada a sétima e última maravilha do mundo antigo, o Colosso de Rodes era uma gigantesca estátua de bronze representando Hélios, o deus Sol da mitologia grega, ou, segundo algumas versões mais raras, o deus Apolo, deus que no decorrer dos séculos, substituiu a antiga divindade de Hélios em suas funções como deus solar; erguido na ilha grega de Rodes, no mar Mediterrâneo.
Rodes, uma grande ilha grega, era um importante centro comercial e cultural da Grécia antiga, considerada de vital estratégia por conta da sua localização, o que a levou a sofrer diversas invasões das civilizações antigas que a ambicionavam conquistar. Uma das tentativas que entraram para a história da ilha foi a efetuada pelo rei macedônio Demétrio Poliorcetes, filho do general Antígono, que após a morte de Alexandre, o Grande, herdara-lhe uma parte do império grego. Demétrio promoveu um longo e desgastante cerco a ilha, numa tentativa frustrada de poder conquistá-la. Quando as tropas macedônias retiraram-se de Rodes, deixaram para trás uma enorme quantidade de armas. Fundido o material bélico abandonado, a população da ilha decidiu utilizá-lo na construção de uma estátua que demarcaria a comemoração da retirada dos macedônios invasores.
A estátua começou a ser esculpida em 292 a.C., executada pelo escultor Carés de Lindos, assim chamado por ser de Lindos, uma outra cidade da ilha de Rodes. Ao fim de doze anos, Carés concluiu a obra. O resultado final foi uma colossal estátua de 30 metros de altura, feita em setenta toneladas de bronze, sendo oca por dentro. Foi erguida em 280 a.C., na entrada marítima de Rodes, tendo um pé fincado em cada margem do canal que levava ao porto, obrigando assim, que toda a embarcação que chegasse à ilha, passasse entre as pernas da gigantesca estátua. Na mão direita, o colosso trazia um farol em forma de tocha, que servia para orientar as embarcações durante a noite. Há fontes históricas que arriscam que o rosto da estátua tomara como modelo o de Alexandre, o Grande. Conta-se, ainda, que um homem de estatura mediana não conseguia abraçar o polegar da estátua, que trazia uma imponência incomum.
O arquiteto Carés teria suicidado-se logo após o término de tão soberba obra. Ironicamente, dizem que ficou desgostoso com o fraco reconhecimento que o povo de Rodes deu ao colosso.
Apesar da sua aparência indestrutível, como se fosse um gigantesco homem de ferro, o colosso de Rodes manteve-se em pé por apenas 55 anos, quando um terremoto abalou às estruturas, atirando-o no fundo da baía. Diante da catástrofe, o rei Ptolomeu III ofereceu-se para reerguer o monumento, mas os habitantes da ilha, orientados por um oráculo local, recusaram a oferta, temerosos de que tinham ofendido ao deus Hélios, e que a estátua representara um sacrilégio.
A estátua podia ser vista no fundo da baía pelos moradores da ilha e pelos navegantes que ali passavam. Ali ficou, na profundeza do mar, até o século VII, quando os árabes chegaram à ilha. Diante da recusa do povo em reerguer o monumento, os árabes recolheram e desmontaram as suas peças, vendendo-a como sucata. Conta-se que foram necessários novecentos camelos para transportar a histórica sucata.

As Outras Listas das Maravilhas do Mundo

O fascínio que a lista das Sete Maravilhas do Mundo exerce através dos séculos, fez com que o homem criasse, ao longo dos tempos, várias outras listas, trazendo as construções mais belas que a humanidade já criou.
No século XVI, inspirados na lista original das maravilhas, que passou a ser chamada de Sete Maravilhas do Mundo Antigo, surgiram diversas listas chamadas de Sete Maravilhas do Mundo Medieval. Algumas dessas listas surgiram, provavelmente antes da Idade Média, mas como já foi dito, só se acrescentou a palavra “medieval” a partir do século XVI.
Das listas das maravilhas medievais, a mais conhecida é a que elegeu os seguintes monumentos:
Stonehenge – Monumento megalítico da Idade do Bronze, situado na planície de Salisbury, próxima a Amesbury, no condado de Wiltshire, sul da Inglaterra.
Coliseu de Roma – Monumento também chamado de Anfiteatro Flaviano, situado em Roma, na Itália.
Catacumbas de Kom el Shoqafa – Sítio arqueológico histórico situado em Alexandria, no Egito.
Torre de Porcelana de Nanquim – Também conhecida como Bao’ensi (Templo da Gratidão), sítio arqueológico histórico localizado ao sul do rio Yang-Tsé, em Nanquim, na China.
Torre de Pisa – Torre projetada para abrigar o sino da catedral da cidade de Pisa, na Itália, famosa por sua inclinação.
Muralha da China – Também chamada de Grande Muralha, é uma gigantesca estrutura de arquitetura militar construída na China, durante o Império.
Basílica de Santa Sofia – Também conhecida como Hagia Sophia, imponente edifício do Império Bizantino, feito para ser a catedral de Constantinopla, atual Istambul, na Turquia.
Uma nova lista surgiu em 2006, chamada de Novas Sete Maravilhas do Mundo ou as Sete Maravilhas do Mundo Moderno. Os monumentos que a compõem foram escolhidos em um concurso informal, de cunho popular internacional, promovido pela New Open World Foundation. A fundação pré-selecionou vários monumentos e lançou uma votação através de telefones móveis e da internet de todo mundo, para que se escolhesse as novas Sete Maravilhas do Mundo. Cem milhões de pessoas votaram de todas as partes do mundo. O resultado final foi anunciado em uma cerimônia na cidade de Lisboa, Portugal, em 7 de julho de 2007. O concurso não contou com o apoio da UNESCO.
Assim, foram escolhidas as Sete Maravilhas do Mundo Moderno, duas das quais, já haviam aparecido na lista das maravilhas medievais:
Muralha da China – Veja a descrição acima.
Petra – Importante enclave arqueológico situado na bacia entre as montanhas que formam o flanco leste de Wadi Araba, na Jordânia.
Cristo Redentor – Estátua de Jesus Cristo, situada no alto do pico do Corcovado, na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, a 709 metros acima do nível do mar.
Machu Picchu – Cidade pré-colombiana erguida pelos incas no topo de uma montanha, no vale do rio Urubamba, no Peru.
Chichén Itzá – Cidade arqueológica maia, situada no estado de Iucatã, no México.
Coliseu de Roma – Veja descrição acima.
Taj Mahal – Mausoléu situado em Agra, uma cidade da Índia.
Outras tantas listas foram perdidas, muito mais serão criadas, mas nenhuma será tão definitiva, intrigante e fascinante quanto a lista das Sete Maravilhas do Mundo, em que seis delas, apesar de consumidas pelo tempo, não deixam de excitar à imaginação do homem diante das belezas das suas criações através da história.

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