quinta-feira, 28 de maio de 2009

FONTANA DI TREVI - A MAIS GRANDIOSA DAS FONTES

Considerada a mais bela fonte do mundo, a Fontana di Trevi, literalmente traduzida como Fonte dos Trevos, é um dos mais sedutores monumentos de Roma. Sua beleza dimensional feita de água e pedra foi construída sobre o esplendor do barroco italiano. A beleza estética faz desta obra de arte um símbolo das esculturas que adquiriram uma mítica lendária, com linhas tênues entre o fulgor e o monumento, causando uma empatia romântica com todos os cidadãos do mundo, fazendo dele um triunfo do barroco.
A fonte, localizada na freguesia de Trevi, no Bairro do Quirinal, no centro histórico de Roma, desenha a fantasia das suas águas e estátuas aninhadas no centro de um palácio, possuindo vinte metros de largura e cerca de vinte e seis metros de altura. Verdadeira maravilha do mundo, seu esplendor começa quando nos aproximamos ao redor, ouvimos o som crescente das águas, e de repente, estamos diante de uma visão edênica da criação humana, contemplando uma das mais deslumbrantes vistas do planeta. O espaço da fonte abre-se aos olhos do visitante, com a força da água a emanar das pedras, como se adquirisse vida e arrebatasse-nos para um cenário preso na beleza da arte do homem.
Diante da fonte, a primavera é eterna, Netuno rompe a paisagem e a pedra na qual foi esculpido, tornando viva a arquitetura. Vento, luz, sombras, pedra, água, juntam-se como se fosse formado um imenso mar, num cenário intenso e de uma dramaticidade singular.
A Fontana di Trevi, com a sua paisagem espetacular e grandiosidade barroca, dá um toque romântico a Roma, às vezes perdido na concepção dos monumentos históricos intensos, como o Coliseu. É o ponto preferido dos casais apaixonados ou que se apaixonam na Cidade Eterna. É o ponto final da cidade, que se transforma no retorno. Reza a lenda que estrangeiros, forasteiros, turistas, quando visitam Roma, devem jogar uma moeda na fonte para que possam retornar. O ritual é repetido por todos, que assim, garantem a esperança de um dia poder rever Roma, e, principalmente, poder rever a fonte mais bela e romântica do mundo.

Origens da Fonte

A história da Fontana di Trevi remonta à época da Roma antiga. Era uma fonte que estava situada no cruzamento de três ruas, onde se formava um trivium (trevo), o que levou o sítio a ser chamado de Trebium.
O local da fonte marcava o ponto terminal do aqueduto Acqua Vergine, um dos mais antigos abastecedores de água de Roma, que tinha sido encomendado pelo imperador Otávio Augusto a Marcus Agrippa, sendo as suas águas usadas para fornecer água para os banhos termais. As águas que circulam na fonte têm dois nomes, Águas Virgens e Trevi.
Reza a lenda que, no século 19 a.C., alguns soldados sedentos procuravam por água, encontraram pelo caminho uma jovem romana virgem, que se apiedando deles, conduziu-os a uma fonte límpida, de água pura, localizada a cerca de vinte e dois quilômetros da Roma antiga. Através da lenda, surgiu o nome de Águas Virgens. Trevi teria derivado do nome que originalmente era chamado o local, Trebium. No monumento atual da fonte, a cena da lenda da jovem virgem e dos soldados está representada em escultura.
Nos primórdios da história da fonte, as suas águas foram levadas através de um pequeno aqueduto romano, diretamente ao local de banho de Marcus Vipsanius Agrippa, um dos maiores estadistas e generais do Império Romano, a quem se deve a construção do Panteão de Roma e dos seus principais aquedutos. Na Roma antiga, graças aos aquedutos, belas fontes foram erguidas por toda a cidade, contribuindo para a arquitetura clássica e imponente da capital do maior império do mundo.

De Leon Battista Alberti a Bernini, a Composição das Bases da Fonte

A água de Trevi serviu Roma por mais de 400 anos, sendo interrompido o seu abastecimento na época da invasão dos godos, que destruíram os aquedutos da cidade. Após as Guerras Góticas, os habitantes de Roma abasteciam-se da água suja do Tibre, rio que recebia os esgotos humanos, e da água de poços poluídos espalhados pela cidade. Esta condição decorreu durante toda a Idade Média, causando muitos males de saúde a quem usava a água insalubre.
Quando a Renascença assolou os reinos italianos, o esplendor das fontes antigas voltou a fazer parte da arquitetura romana. Em 1453, quando a Idade Média era definitivamente encerrada, o papa Nicolau V determinou que se consertasse o antigo aqueduto de Acqua Vergine. O arquiteto Leon Battista Alberti foi o autor do projeto de reconstrução do aqueduto, dando ao seu final, um receptáculo simples para receber a água, que seria totalmente destruído quando da construção barroca da Fontana di Trevi.
O papa Urbano VIII, em 1629, chegou à conclusão que a simplicidade da velha fonte não condizia com arquitetura romana da sua época, pois não trazia qualquer grandiosidade. Urbano VIII encomendou um projeto a Bernini para a construção de uma nova fonte de Trevi. O célebre artista fez vários desenhos. Neles projetou a reposição da fonte para o outro lado da praça, para que ficasse defronte ao Palácio do Quirinal, o que faria com que o papa pudesse observá-la da sua janela. Com a morte de Urbano VIII, o projeto de Bernini foi abandonado, o que não impediu que a fonte a ser construída futuramente, viesse a trazer muitos detalhes da idéia original do artista.

A Concepção Final da Fontana di Trevi

Após ser reconstruído, o aqueduto Acqua Vergine continuou a funcionar, mas as obras de restauração da freguesia de Trevi, que dariam origem à fonte atual, levariam três séculos para que se concluísse.
Com a morte de Urbano VIII, somente no século XVIII, Clemente XII, então papa, decidiu restaurar Trevi. Para que se realizasse a construção de uma nova fonte, em 1730, Clemente XII organizou uma competição entre artistas e arquitetos. Nicola Salvi, arquiteto romano, foi derrotado na competição, mas foi quem, efetivamente, realizou o projeto da nova Fontana di Trevi, trabalhando nele por quase vinte anos.
Nicola Salvi começou a execução do projeto em 1732. Morreria em 1751, quando ainda trazia o trabalho pela metade, ocultando-o atrás de um gigantesco biombo. Para concluir a obra, foi chamado um jovem artista, Giuseppe Pannini, que fez mudanças significativas no projeto de Nicola Salvi. Do original ele conservou os nichos de cima, que à esquerda traz Marcus Agrippa a dar ordens para que se construa o aqueduto, e à direita, a virgem, chamada de Trívia, a mostrar aos soldados a água de uma fonte subterrânea; abaixo destes relevos, substituiu as estátuas de Agrippa à esquerda, por uma figura feminina, a Abundância, que traz uma cornucópia; e à direita, substituiu a estátua de Trívia pela figura feminina da Saúde ou Salubridade. Finalmente, no nicho central da fonte, foi introduzida a estátua de Netuno com o seu séquito. A obra foi concluída em 1762, logo após a morte do papa Clemente XII.
A atual Fontana di Trevi tem o seu projeto atribuído a Nicola Salvi, sob forte influência dos desenhos de Bernini, e da realização final de Giuseppe Pannini.
A resultado final traz uma obra monumental, com vinte e seis metros de altura, vinte metros de largura, que tem como fundo o palácio Poli, que se harmoniza perfeitamente com a composição da fonte. As estátuas contrastam com a dramaticidade do uso da luz e da sombra. No nicho central está a estátua de um imponente Netuno, escultura de Pietro Bracci, sobre uma carruagem em forma de concha, puxado por dois cavalos marinhos, sendo o da esquerda o cavalo agitado, o da direita o cavalo manso; os animais são conduzidos por dois tritões. Ladeando Netuno, estão mais acima, as alegorias femininas da Abundância, à esquerda, e da Salubridade, à direita, estátuas de Filippo Della Valle. Acima das estátuas alegóricas, os relevos de Agrippa a ordenar a construção dos aquedutos de Roma, à esquerda; e da virgem Trívia a mostrar a fonte de águas aos soldados sedentos, à direita; estes relevos faziam parte da concepção original dos desenhos de Bernini. O todo da obra joga com o espaço e a pedra, dando um aspecto de movimento às estátuas centrais, que ao som constantes das águas que caem, dão a sensação de um imenso mar a encher a piscina.

Lendas de Trevi

A beleza barroca e exuberante da fonte, originou várias lendas ao seu redor, dando assim, um conceito romântico à atmosfera que se desenha à obra. Lendas que envolvem desde a concepção, aos efeitos que o monumento deixa nas pessoas que o visitam.
Uma das lendas mais tradicionais é a escultura de um grande vaso esculpido sobre o muro que circunda a fonte, na esquina com a rua Stamperia. Reza à tradição, que Nicola Salvi, o arquiteto que projetou a fonte, teria posto a escultura propositalmente, devido às rixas com um barbeiro que tinha a sua loja nos arredores da obra, na atual rua Stamperia. Durante os anos que decorreram as obras, Nicola Salvi era sempre confrontado com o tal barbeiro, que tecia comentários negativos à fonte que se desenhava aos poucos, desestabilizando o arquiteto. Para que tão indesejável vizinho não mais o aborrecesse, Salvi pôs à frente da barbearia este vaso, de forma que não pudesse ver os trabalhos.
Lenda ou não, o imenso vaso continua lá. Devido à sua forma, que lembra o ás de copas das cartas de baralho, os romanos batizaram a escultura com o sugestivo nome de Asso di Coppe (Ás de Copas).
Outra lenda diz respeito aos eternos e apaixonados namorados. Do lado direito da fonte, perto da escultura do às de copas, está a conhecida Fontanina Degli Innamoratti (Pequena Fonte dos Apaixonados), que com os seus jorros mágicos, asseguram aos casais apaixonados que juntos beberem da sua água, a fidelidade eterna um com o outro.
Outra lenda romântica afirma que, quando o amado tiver que partir, para a guerra, para servir ao exército, ou por simples viagem de negócios, terá garantido o seu amor eterno, mesmo ausente e distante, se juntos beberem um copo de água da fonte, sendo que este deve ser quebrado logo a seguir. A água mágica da Fontana di Trevi fará com que o homem que partiu jamais se esqueça da amada.
Mas a lenda mais pertinente e tradicional, é aquela que diz, se um estrangeiro ou um forasteiro for a Roma, e apaixonar-se pela cidade ou pela a sua gente, deve antes de partir, ir à Fontana di Trevi, virar-se de costas para ela e jogar uma moeda em suas águas. A volta à Cidade Eterna estará garantida. A lenda é eterna.

Nas Águas da Fonte, a Promesa da Volta a Roma

Roma é tradicionalmente conhecida pela beleza das suas fontes. Três belas fontes barrocas ornamentam a Piazza Navona: a Fontana Dei Quattro Fiume (Fonte dos Quatro Rios), a Fontana Del Moro (Fonte do Mouro), e a Fontana Del Nettuno (Fonte de Netuno), só para citarmos algumas. Mas nenhuma delas tem a tradição mítica da Fontana di Trevi. Nenhuma possui o seu glamour esplendoroso, o seu romantismo oculto e latente.
Em 1960, a fonte foi imortalizada para o mundo pelo cineasta Federico Fellini, no filme “La Dolce Vita” (A Doce Vida). Numa das cenas mais míticas do cinema mundial, a bela Anita Ekberg salta para dentro da fonte, banhando-se de roupa nas suas águas mágicas, aos olhos de um atento e deslumbrado Marcello Mastroianni. Depois do banho sedutor e sensual da atriz, a Fontana di Trevi jamais passou despercebida aos olhares do mundo.
Em 1998 a fonte foi preparada para o ano do jubileu de Roma, que aconteceria em 2000. Foi restaurada, tendo as esculturas lavadas e polidas, recebendo bombas que provinham a circulação da água e a sua oxigenação. A fonte estava pronta para entrar no novo século, no novo milênio, com o mesmo fascínio de sempre.
Quando às segundas-feiras, uma equipe de funcionários da câmara de Roma abre os ralos da fonte, esvaziando as suas águas, limpado a sujeira acumulada, recolhendo em sacos toneladas de moedas de todo o mundo, que serão destinadas aos cofres municipais, normalmente usado na ajuda da conservação do monumento; estes funcionários não estão apenas limpando a fonte, mas o sonho de vários turistas que, quando jogaram as suas moedas na água, levaram consigo a esperança tenaz de um dia voltar a Roma.


Veja também:
PIAZZA NAVONA – TEATRO DE BERNINI E BORROMINI
http://virtualiaomanifesto.blogspot.com/2008/08/piazza-navona-teatro-de-bernini-e.html

Um comentário:

Diogenes Santos disse...

A fontana e a obra de arte que demostra o sonho da realiçao da beleza dos desejos dos apaixonados , conhecer a fonte e roma foi um sonho realizado, amigos realizem esse sonho conheçam a fontana di trevi