terça-feira, 14 de abril de 2009

O TRIBUNAL DE NUREMBERG

Um dos períodos mais negros da história da humanidade foi o da Segunda Guerra Mundial, que ceifou milhões de vidas em todo o planeta. Marcada não só pela ambição política e ideológica e pelo desejo de expansão geográfica, foi também uma guerra em que se cometeram as maiores atrocidades contra o ser humano, quer por sua condição racial, religiosa ou política.
Após a derrota da Alemanha nazista, o mundo ficou estarrecido diante das revelações de grandes tragédias como o Holocausto e dos seus campos de concentração e extermínio. Para a moral deontológica dos países aliados não bastava a vitória, era preciso punir os crimes de guerra. A idéia desta punição já se cogitava em 1944, bem antes do fim da guerra, por Winston Churchill e seus aliados.
Sob o espectro das atrocidades praticadas contra a humanidade pelo regime nazista, ergueu-se, em 1945, o Tribunal de Nuremberg. Criado por um acordo assinado em Londres, em agosto de 1945, entre os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a União Soviética e a França, o tribunal internacional tinha como finalidade julgar os crimes cometidos durante a guerra pelos nazistas, considerados pelas forças vencedoras os inimigos da humanidade.
O Tribunal Militar Internacional, o MIT (em inglês IMT – International Military Tribunal), resultou em uma série de 13 julgamentos, entrando para a história com o nome de “Tribunal de Nuremberg”, por terem sido realizados na cidade de Nuremberg, na Alemanha, de 1945 a 1949. Entre o julgamento mais famoso, esteve o caso “Tribunal Militar Internacional vs. Hermann Goering”, conhecido como o grande “Julgamento de Nuremberg”. Nos julgamentos, os chefes da Alemanha de Hitler foram acusados formalmente de crimes contra o direito internacional, sendo alguns deles, responsabilizados por provocarem deliberadamente a Segunda Guerra Mundial e cometido atrocidades durante a conquista militar de territórios, oprimindo e matando a população inocente. Quase todos foram acusados além do assassínio, de escravização, pilhagem e extermínio de etnias religiosas, entre eles os judeus, principais vítimas do Holocausto.
O Tribunal de Nuremberg representou um marco no direito internacional contemporâneo, que discutiu juridicamente, pela primeira vez, entre outras polêmicas, até onde o homem poderia ir nas suas experiências científicas com vidas humanas. Responsabilidades foram imputadas aos antigos comandantes nazistas. Do ponto de vista jurídico, princípios e elementos fundamentais do direito penal foram negados, como o da legalidade, pois a incriminação de fatos pretéritos, quando foram praticados pelos nazistas, não eram considerados crimes, portanto a condenação por enforcamento imposta aos acusados, sem direito a qualquer recurso, é vista pelo Direito, como pena arbitrária.
Visto por muitos como um tribunal dos vencedores sobre os vencidos, o que lhe dá um caráter de improviso e arbitrariedade, o Tribunal de Nuremberg não deixou de ser uma conquista jurídica das nações e dos oprimidos, que diante de um regime ou liderança opressora, viu a punição dos seus algozes. Mais do que a revanche dos aliados sobre os inimigos de guerra, Nuremberg representou a justiça da deontologia, que executou a maioria dos seus condenados, justiçando moralmente, milhares de vidas desaparecidas nos campos de batalha, nas prisões nazistas, nos campos de concentração, nas câmaras de gás e nas valas dos esquecidos.
Entre os 24 ex-líderes da Alemanha nazista indiciados, 21 sentaram-se no banco dos réus. Constavam nomes que, em outros tempos, representavam o terror para muitos que viviam sob a sua opressão, entre eles Hermann Goering, Rudolf Hess, Joachim von Ribbentrop, Robert Ley, Wilhelm Keitel, Ernst Kaltenbrunner, Alfred Rosemberg, Hans Frank, Hjalmar Schacht, Gustav Krupp, Karl Donitz, Erich Raeder, Baldur Von Schirach, Fritz Sauckel, Alfred Jodl, Martin Bormann, Franz Von Papen, Arthur Seyss-Inquart, Albert Speer, Constantin Von Neurath e Hans Fritzsche.

Escolhida Nuremberg, a Cidade dos Comícios Nazistas

Quando o mundo passa por guerra, o valor da vida humana fica diminuído diante da ideologia política que deflagrou o conflito. Não existe lado inocente, existe lado vencedor. Inocente é a população civil, que paga por fomentar e legitimar os seus líderes políticos. Se analisarmos sem maniqueísmos, às atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial, vamos ver que tanto os aliados como as forças do Eixo foram responsáveis por milhões de mortes. A fúria vingativa com que os soviéticos romperam as suas fronteiras, atravessaram todo o leste europeu e chegando a Berlim, a capital do Reich, constitui uma página sangrenta da guerra, assim como as bombas atômicas que os norte-americanos lançaram sobre o Japão. Se pesarmos responsabilidades, o Tribunal de Nuremberg teria muitos lideres, inclusive dos aliados, sentados no banco dos réus.
Se a culpa por milhares de vidas perdidas durante a guerra recai sobre os dois lados, ela assume a real imputação de culpa diante do regime político de Adolf Hitler, que foi quem a deflagrou pelo mundo, dando aos aliados, a responsabilidade da defesa ofensiva, e, em estado de legalidade, o direito de matar para que se defendesse do inimigo. Uma visão ambígua, mas decisiva para que se perceba o Tribunal de Nuremberg e os seus julgamentos.
Já no final da Segunda Guerra Mundial, quando os aliados invadiram a Normandia, iniciando a contagem final para o fim do conflito e a vitória absoluta sobre os exércitos nazistas, cogitava-se o destino dos líderes do Reich após a sua derrocada. A idéia de um tribunal que os julgasse era menor do que a vontade de executá-los sumariamente.
Findada a guerra, se os aliados fuzilassem todos os líderes nazistas, não encontrariam resistências morais diante das nações, sedentas de uma justiça revanchista, e de vingança diante dos seus mortos. Mas, por mais que a tenha quebrado durante o conflito, a ética de guerra faz-se necessária na hora de reconstruir a paz. Mais complexo do que executar o inimigo, era despertar-lhe a consciência para o que fizera, humilhando-o diante de um tribunal com todas as virtudes burocráticas da lei. Era preciso punir os inimigos vencidos, sendo que para isto, fosse criada a legitimidade dentro da ilegalidade. Era preciso criar um tribunal que servisse de exemplo para as gerações futuras e justiçasse o passado, ainda recente, e que funcionasse segundo as necessidades morais dos vencedores. Assim, um acordo foi assinado em Londres, em agosto de 1945, pelos representantes de quatro países, União Soviética, Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, estabelecendo um tribunal internacional para julgar os líderes nazistas e os seus crimes de guerra.
Uma vez criado o tribunal, era preciso um local físico para que se desse os julgamentos. Era preciso um lugar que juntasse a ordem prática com a política. A escolha recaiu sobre a cidade de Nuremberg, dentro da própria Alemanha. Na praticidade, o Tribunal de Justiça de Nuremberg e o prédio adjacente da prisão, foram uma das raras construções intactas após o fim da guerra, constituindo o local ideal para as prisões e realização dos julgamentos.
Politicamente, Nuremberg, cidade preferida pelos nazistas, tinha sido, de 1933 a 1938, o grande palco dos comícios do Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores (NSDAP em alemão), mais conhecido como Partido Nazista. A cidade promoveu os maiores desfiles das forças do Reich, sendo declarada por Hitler como sede oficial dos seus comícios. Foi o maior símbolo da megalomania do Terceiro Reich, sendo construídos edifícios monumentais para acomodar aos congressistas do partido.
Foi em Nuremberg que se deu o primeiro sinal da radicalização dos ideais nazistas, com a queima de livros em Hauptmarkt, praça principal da cidade, em 1933. Em 1935, foram ali editadas as “Leis de Nuremberg” (“Lei da Cidadania” e “Lei da Proteção da Honra e Sangue Alemão”), primeiras leis anti-semitas do regime nazista, que determinavam a pureza do sangue ariano. Na noite de 9 para 10 de novembro de 1938, 26 cidadãos foram mortos por serem judeus, no episódio que eclodiu por toda a Alemanha e ficou conhecido como “Noite de Cristal”. Os hebreus foram obrigados a vender mais de 150 empresas e cerca de 570 propriedades. A estação ferroviária da cidade, Märzfeld, foi o ponto de partida para a deportação de milhares de judeus para os campos de concentração.
Por todos os fatos relatados acima, Nuremberg tornou-se o local ideal para a realização dos julgamentos dos criminosos de guerra nazistas. Assim, juizes e promotores públicos dos quatro países aliados que criaram o tribunal em Londres, iniciaram, em Nuremberg, em 20 de novembro de 1945, o primeiro julgamento, tendo 21 acusados nazistas sentados no banco dos réus, que culminaria com a condenação e execução na forca da maioria deles, em 16 de outubro de 1946.

Goering Declara-se Não-Culpado

Estabelecida a cidade, Nuremberg tornou-se o centro dos holofotes do mundo, parando a imprensa de então, atenta àquele que seria o maior julgamento de guerra da era contemporânea. 24 nomes ressoantes do Terceiro Reich foram indiciados, tendo 21 deles, ido parar no banco dos réus: Hermann Goering, Rudolf Hess, Hans Frank, Ernst Kaltenbrunner, Joachim Von Ribbentrop, Wilhelm Keitel, Alfred Rosemberg, Franz Von Papen, Wilhelm Frick, Julius Streicher, Alfred Jodl, Walther Funk, Hjalmar Schacht, Erich Raeder, Fritz Sauckel, Karl Donitz, Baldur Von Schirach, Martin Bormann, Arthur Seyss-Inquart, Albert Speer, Constantin Von Neurath e Hans Fritzsche.
Os acusados foram defendidos por advogados alemães, que sofreram todas as pressões populares e da imprensa, sendo discriminados por exercerem o direito universal de qualquer réu, por mais monstruoso que tenha sido o seu crime, o da defesa. Vale lembrar que os defensores dos réus eram, também eles, sobreviventes do desgaste e das humilhações impostas aos vencidos de guerra, afinal eram cidadãos alemães. Os principais defensores foram Otto Stahmer, advogado de Hermann Goering; Hans Von Marx, defensor de Julius Streicher; Gunther Von Rohscheidt, de Rudolf Hess; e, Fritz Sauter, de Joachim Von Ribbentrop.
Entre os réus, o que mais tinha as atenções voltadas era Hermann Goering, o segundo homem mais importante na hierarquia do Terceiro Reich. Sua participação nos preparativos para a “Solução Final” à questão dos judeus, está registrada em documento, em um memorando por ele assinado, ordenando a Reinhard Heydrich que lhe seja submetido os detalhes práticos da “solução”. Durante as pilhagens aos museus dos países ocupados, Goering acumulou uma vasta e rica coleção de quadros, a maior da Europa. Chefe de todas as forças de segurança da Alemanha, influenciou Hitler durante a Segunda Guerra Mundial, concebendo a política de terror empregada durante o conflito, resultantes em bombardear e destruir cidades, obrigando os seus habitantes à submissão.
Nascido em 1893, Hermann Goering tinha 52 anos quando enfrentou o Tribunal de Nuremberg. Era conhecido no alto escalão do Terceiro Reich por seu jeito bonachão e por ser viciado em drogas. Com o fim da guerra, quando preso, foi submetido pelos médicos carcerários, a um tratamento intenso para que se livrasse do vício da morfina. O resultado do tratamento fez com que ele chegasse diante do tribunal trinta quilos mais magro.
Goering foi o terceiro réu a entrar no recinto de julgamento. Trazia o uniforme militar despojado das medalhas que costumava ostentar e a saltar-lhe do corpo emagrecido. Otto Stahmer alegou em sua defesa, que apenas cumprira ordens, e que o julgamento era ofensivo ao princípio da legalidade. Para refutar à desculpa que a maioria dos réus alegaram, o de cumprirem ordens superiores, o juiz Biddle bradou:
Os indivíduos têm deveres internacionais a cumprir, que estão acima dos deveres nacionais que lhe possa impor um Estado particular”.
Após o longo discurso de Stahmer, ouvido com atenção pela corte e pelos réus, o Presidente do Tribunal refutou todas as alegações, lembrando que o artigo II da Corte que instituíra o Tribunal, no qual a competência do referido não poderia ser contestada nem pela acusação, nem pela defesa. Após este pronunciamento, o juiz Lawrence pediu aos acusados que se dirigissem, um de cada vez, ao microfone e que se declarassem culpados ou não-culpados.
Goering foi o primeiro convocado, tentou argumentar, mas foi interrompido pelo juiz Lawrence, que o pressionou a responder somente à questão que se lhe fora perguntada, ao que o ex-chefe nazista respondeu:
No sentido da acusação, declaro-me não culpado”.

As Opiniões dos Réus Sobre o Tribunal

O processo de acusação contra os réus foi iniciado por Robert Jackson, juiz da Suprema Corte estadunidense. Mediante apresentação de vários documentos, o promotor ressaltou que a civilização mundial esperava que os juízes daquele Tribunal colocassem todos os preceitos do direito internacional, com suas sanções e proibições, ao lado da paz, para que homens e mulheres de todas as nações, pudessem ter a liberdade de viver sem depender da permissão de ninguém. Ao cimo da tribuna, o promotor apontou para os acusados, sublinhando a ferocidade belicosa de cada um, responsável por atos nefandos de atrocidades perversas, que geraram o pânico, o terror, a miséria e a morte de milhares de pessoas. Após um longo discurso que tomou quase o dia todo, o promotor, a olhar para os réus, declarou:
"Estes homens, quando eram poderosos, não se baseavam em nenhum processo jurídico, e o seu programa ignorava e desafiava todas as leis humanas. Direito internacional, direito natural, direito alemão, qualquer que fosse o direito, era, para eles, apenas um meio de propaganda sempre ignorado quando se opunha aos seus desígnios".
Após lida e entregue as acusações aos prisioneiros, diversas foram as suas reações. Cada um enfrentava o seu passado, outrora delineado por uma glória bélica que ambicionara conquistar o mundo e, naquele momento, resumida à humilhação imposta por seus inimigos vencedores. Individualmente, eles interpretavam com visão própria e incrédula, às acusações do tribunal.
Julius Streicher, que se destacara nos comícios de Nuremberg por seus discursos anti-semitas, fundador e editor do jornal “Der Stürmer”, ferramenta que usou para difundir o seu ódio aos judeus entre os seus leitores, declarava, diante das acusações, que o julgamento de Nuremberg era um triunfo do sionismo internacional.
A declaração de Hermann Goering foi a mais emblemática: “O vencedor será sempre o juiz e o derrotado o acusado”. O sentido ético e moral do antigo poderoso da Alemanha nazista estava vinculado à ideologia pela qual lutara e matara durante todos aqueles anos, portanto negava qualquer vínculo do tribunal com a defesa da ética e da justiça, interpretando-o como uma revanche dos inimigos vencedores, como um desfecho natural de uma grande guerra.
Wilhelm Frick, ex-ministro do regime nazista, e a quem tinha sido legada a responsabilidade de proclamar as Leis de Nuremberg; afirmava que toda a acusação do tribunal era baseada em uma conspiração fictícia, em que os réus poderiam escolher os advogados selecionados pelos aliados.
Hans Frank declararia: “Considero o julgamento como um Tribunal determinado por Deus, destinado a examinar e a pôr fim à terrível era de sofrimento sob o domínio de Hitler”.
Alfred Jodl desqualificou o tribunal, lamentando que se pesasse em uma só balança as acusações justificadas e a propaganda política dos vencedores.
Wilhelm Keitel justificou as suas ações como resultado do cumprimento de ordens, declarando a seu favor: “Para um soldado, ordens são ordens”.
Por fim, Walther Funk aprofundava-se no questionamento da sua culpa, isentando-se irônica e filosoficamente: “Se sou considerado culpado por erro ou ignorância, então minha culpa é uma tragédia, não um crime”.
A promotoria norte-americana cumpriu o seu objetivo acusador, conseguindo a condenação dos réus. A atuação dos advogados alemães de defesa às vezes era mais constrangedora do que a dos próprios réus, sem poder anular a veemência fartamente documentada da promotoria, assumiram uma resistência simbólica, no cumprimento exaustivo do dever.

O Julgamento de Nuremberg – O Veredicto

Os veredictos foram anunciados no dia 1 de outubro de 1946. A partir das 15 horas daquele dia, quatro juízes adentraram a Corte, tendo como objetivo o pronunciamento das sentenças. Individualmente, cada réu foi chamado para que ouvisse a sua sentença.
Hermann Goering foi o primeiro a ser sentenciado, tendo o veredicto anunciado pelo presidente da corte, o juiz Lawrence. Com fones no ouvido, Goering não ouviu a sentença, obrigando Lawrence a repeti-la:
Hermann Goering, o Tribunal Militar Internacional, aqui reunido em Nuremberg, vos condena à pena de morte pelo enforcamento”.
Uma a uma, foram lidas as sentenças:
Condenados a morte, por enforcamento – Hermann Goering, Joachim Von Ribbentrop, Wilhelm Keitel, Ernst Kaltenbrunner, Alfred Rosemberg, Hans Frank, Wilhelm Frick, Julius Streicher, Fritz Sauckel, Alfred Jodl, Arthur Seyss-Inquart e Martin Bormann, sendo este último julgado in absentia, já que tinha fugido, sem jamais ser encontrado, sendo acreditado como morto.
Prisão perpétua – Rudolf Hess, Walther Funk e Erich Raeder.
Outras condenações – 20 anos, Albert Speer e Baldur Von Schirach. 15 anos, Constantin Von Neurath. 10 anos, Karl Donitz.
Absolvições – Hjalmar Schacht, Franz Von Papen e Hans Fritzsche.

As Execuções

As execuções dos onze sentenciados foram marcadas para o dia 16 de outubro de 1946. Jornalistas do mundo inteiro vieram para assisti-las, sendo permitido apenas aos escolhidos por sorteio. Vários eram os parentes das vítimas que queriam assistir à cerimônia, mas poucos foram os que tiveram permissão.
Na véspera das execuções, no dia 15, de madrugada, a imprensa que assistiria à cerimônia de execução dos prisioneiros nazistas, foi convocada por um membro do Tribunal, que comunicou ao mundo, Hermann Goering estava morto. Suicidara-se na sua cela, ingerindo uma cápsula de cianureto de potássio. Ninguém foi responsabilizado e jamais se ficou sabendo quem teria fornecido a cápsula ao ex-nazista e onde ele a teria trazido escondida. O corpo inerte de Goering foi fotografado e mostrado ao mundo inteiro.
No dia 16 de outubro, 45 pessoas foram testemunhas oculares das execuções dos criminosos nazistas. Após subir os treze degraus do patíbulo, o réu tinha as cordas postas em volta do pescoço, eram em seguida, colocados em cima de uma armadilha, que se abria. O condenado caía em um piso tapado por um pano, para que se lhe ocultasse o que iria suceder. Dois médicos americanos foram postos para que se examinasse e confirmasse a morte dos executados.
Do momento da execução, um dos registros mais significativos foi o de Joachim Von Ribbentrop, que ao ser inquirido por um oficial se tinha uma última declaração a fazer, teria respondido: “Deus salve a Alemanha! Faço votos para que o leste e o oeste se irmanem e que a paz possa reinar no mundo”.
Consecutivamente, cada condenado foi enforcado, até o décimo homem. A cerimônia das execuções foi encerrada com o corpo de Goering, que se suicidara algumas horas antes, sendo suspenso na forca. Final tétrico e vingativo, para um tribunal que se proclamara como justiceiro de milhões de mortos pelo terror nazista.
Consumado o cumprimento das sentenças, os corpos dos ex-nazistas foram postos em ataúdes de madeira, rústicos e sem pompas. Foram levados para um dos fornos crematórios onde milhões de prisioneiros, em sua maioria judeus, tinham sido incinerados, sendo ali cremados, tendo as cinzas espalhadas pelo rio Isaar. Estava encerrada uma das páginas mais negras da história da humanidade.

Os Processos de Nuremberg

Após os julgamentos que condenaram os líderes do Terceiro Reich, União Soviética, Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, as quatro nações que ocupavam a Alemanha, decidiram que os outros julgamentos de crimes de guerra deveriam ser realizados em cada uma das zonas de ocupação. Foram realizados os Processos de Guerra de Nuremberg, acontecidos no Tribunal Militar Americano, que oficialmente levaram em conta os demais processos contra juristas, médicos e importantes pessoas de apoio ao governo nazista.
De 1946 a 1949, doze julgamentos foram realizados em Nuremberg, na zona norte-americana, estando divididos em três julgamentos de chefes militares, três dos principais oficiais das SS, três de industriais que se utilizaram dos serviços escravos dos prisioneiros, um julgamento de diplomatas e funcionários do governo, um de juízes nazistas e um de médicos que praticaram experiências letais com seres humanos nos campos de concentração. Muitos foram sentenciados , a maioria à prisão e uns poucos à morte, alguns foram absolvidos.
Fazendo um sumário geral, podemos classificar os processos contra os criminosos de guerra nazistas realizados em Nuremberg em:

Julgamento de Nuremberg:

Tribunal Militar Internacional vs. Hermann Goering – Processo contra os principais criminosos de guerra nazistas, 20 de novembro 1945 – 1 de outubro de 1946.

Processos de guerra de Nuremberg:

Caso I – Processo Contra os Médicos, 9 de dezembro de 1946 – 20 de agosto de 1947.
Caso II – Processo Milch, 2 de janeiro de 1947 – 17 de abril de 1947.
Caso III – Processo Contra Juristas, 17 de fevereiro de 1947 – 14 de dezembro de 1947.
Caso IV – Processo Pohl, 13 de janeiro de 1947 – 3 de novembro de 1947.
Caso V – Processo Flick, 18 de abril de 1947 – 22 de dezembro de 1947.
Caso VI – Processo IG Farben, 14 de agosto de 1947 – 30 de julho de 1948.
Caso VII – Processo de Generais no Sudeste da Europa, 15 de julho de 1947 – 19 de fevereiro de 1948.
Caso VIII – Processo RUSHA, 1 de julho de 1947 – 10 de março de 1948.
Caso IX – Processo Einsatzgruppen, 15 de setembro de 1947 – 10 de abril de 1948.
Caso X – Processo Krupp, 8 de dezembro de 1947 – 31 de julho de 1948.
Caso XI – Processo WilhelmstraBen, 4 de novembro de 1947 – 14 de abril de 1948.
Caso XII – Processo Contra o Alto Comando, 30 de dezembro de 1947 – 29 de outubro de 1948.

Apesar de todas as polêmicas e controversas, os julgamentos de Nuremberg representaram um avanço dentro das leis internacionais. O Tribunal de Nuremberg contribuiu de forma indelével para a evolução do Direito penal internacional, que pela primeira vez responsabilizou criminosos de guerra diante de um tribunal jurídico. Se os ex-líderes nazistas foram arbitrariamente condenados e executados, eles próprios usurparam os direitos à justiça de milhares de pessoas, matando-as sem sequer dar-lhes o direito a um julgamento digno.

Julgamentos de Nuremberg – Os Acusados e as Suas Penas

Martin Bormann – Vice-líder do Partido Nazista e secretário particular de Hitler. Condenação: morte por enforcamento (in absentia).
Karl Donitz - Supremo Comandante da Marinha; feito por Hitler, em testamento, Presidente e Supremo Comandante das Forças Armadas Alemãs. Condenação: 10 anos de prisão.
Hans Frank – Governador Geral da Polônia ocupada. Condenação: morte por enforcamento.
Wilhelm Frick – Ministro do Interior, proclamador das Leis de Nuremberg. Condenação: morte por enforcamento.
Hans Fritzsche – Diretor Ministerial e ajudante de Goebbels no Ministério da Propaganda. Condenação: Absolvido.
Walther Funk – Ministro da Economia e presidente do Banco do Reich. Condenação: prisão perpétua.
Hermann Goering – Comandante da Luftwaffe, presidente do Reichstag, segundo na hierarquia do Reich e ministro da Prússia. Condenação: Morte por enforcamento (suicidou-se na prisão duas horas antes de ser executado).
Rudolf Hess – Vice-líder do Partido Nazista. Condenação: prisão perpétua.
Alfred Jodl – Chefe de Operações da OKW. Condenação: morte por enforcamento.
Ernst Kaltenbrunner – Chefe do Escritório Central de Segurança do Reich (RSHA), no qual incluía a Gestapo. Condenação: morte por enforcamento.
Wilhelm Keitel – Chefe do Alto Comando das Forças Armadas, a Wermacht. Condenação: morte por enforcamento.
Gustav Krupp – Industrial que usufruiu do trabalho escravo. Sem condenação.
Robert Ley – Chefe do Corpo Alemão de Trabalho. Suicidou-se na prisão.
Erich Raeder – Comandante chefe da Armada Alemã. Condenação: prisão perpétua.
Alfred Rosemberg – Ministro dos territórios orientais ocupados do Leste e ideólogo do racismo. Condenação: morte por enforcamento.
Fritz Sauckel – Diretor do programa de trabalho escravo. Condenação: morte por enforcamento.
Hjalmar Schacht – Ex-presidente do Reichsbank. Condenação: Absolvido.
Arthur Seyss-Inquart – Líder da anexação da Áustria e Gauleiter dos Países Baixos. Condenação: morte por enforcamento.
Albert Speer – Ministro dos Armamentos e Produção de Guerra. Condenação: 20 anos de prisão.
Julius Streicher – Editor do jornal anti-semita Der Stürmer e Diretor do Comitê Central para Defesa contra Atrocidades dos Judeus e Boicote de Propaganda. Condenação: morte por enforcamento.
Constantin Von Neurath – Ministro da RREE, protetor da Morávia e da Boêmia. Condenação: 15 anos de prisão.
Franz Von Papen – Ministro e vice-chanceler da Alemanha. Condenação: Absolvido.
Joachim Von Ribbentrop – Ministro das Relações Exteriores. Condenação: morte por enforcamento.
Baldur Von Schirach – Líder da Juventude Hitlerista. Condenação: 20 anos de prisão.

3 comentários:

Anônimo disse...

é preciso que se diga qual a função e qual a acusaçao dirata de cada condenado. Ex.;pr que Doenita foi condenado?? Ee aLBERT sPEER?? Quais as acusações e quais as defesas. Tiveram direito a defesas??? Porque não se julgam por ex.; Hernan Cortes, Aquele general americano que declaou:Indio bom é indio morto. Isso aí não foi julgamento, foi linxamento e queima de arquivo, eles tinha muito a esclarecer.

Anônimo disse...

que fique de exemplo... holocausto nunca mais.

Anônimo disse...

Deveriam lhes raspar os cabelos como prisioneiros, e tbm usarem uniformes de prisão, de preferência, listrado!
É inaceitável que existiram pessoas assim no mundo, espero que nesse julgamente tenha sido enforcada junto com estes conjuntos de carne, tbm a ignorância e crueldade humana!