sexta-feira, 3 de abril de 2009

A FESTA DE BABETTE - GABRIEL AXEL

No fim dos anos oitenta o cinema dinamarquês passou a estar em evidência, deixando o registro de duas obras-primas: “Pelle, o Conquistador” e “A Festa de Babette”. Distanciando-se de uma Dinamarca contemporânea, os dois filmes, situados no século XIX, mostram um país fechado em suas limitações econômicas, na pobreza vigente de um povo e na riqueza humana, deflagrando personagens sublimes e inesquecíveis.
Filme dirigido por Gabriel Axel, “A Festa de Babette” (Babettes Gaestebud), 1987, foi inspirado no livro homônimo de Karen Blixen – pseudônimo da escritora dinamarquesa Isak Dinesen, alcançando grande sucesso internacional, recebendo vários prêmios, entre eles o Oscar de melhor filme de língua estrangeira.
A Festa de Babette” é um desses filmes que se nos impregna na memória, rasga a nossa pele indiferente, tornando-se reféns da sensibilidade e da emoção. A chave do seu segredo e dos das personagens está à mesa, em um jantar, na comida que se serve. Somos confrontados com um dos momentos de maior prazer do ser humano, o da comida, tantas vezes esquecido ou sublimado. É no banquete de Babette que se revela a vida esquecida das personagens, quer no passado ou em um sonho atrás da porta. É no prazer do gosto, do cheiro de tão atraentes pratos servidos, que quase sentimos o aroma espalhado pela platéia, que se descobre que a vida não é linear, que o cotidiano milenar pode ser interrompido a qualquer momento, revelando não só as obrigações sociais e religiosas de uma existência, como as surpresas do eu adormecido, dos sonhos do que se pretendeu ser e do que nos tornamos.
Babette, uma mulher marcada pela tragédia política do seu tempo, perde tudo, o marido, o filho, a pátria, a profissão de cozinheira de um sofisticado restaurante francês. Exilada na Jutlândia (Dinamarca), ela serve a duas irmãs solteironas, humildes, que não podem pagar pelos seus serviços. Mas Babette resigna-se, precisa apenas sobreviver, sem nunca perder a sua essência. Será ela quem trará para as vidas que a cerca, o momento da redenção ao prazer de viver. Será ela quem gastará uma pequena fortuna, a última da sua vida, em um faustoso jantar, no qual volta, por um dia, a ser ela mesma, despida da mulher exilada e sem raízes.
A Festa de Babette” é uma alegoria de cores pinceladas da rendição humana ante ao sonho e às surpresas da vida, decifradas nos pratos, nos cheiros, nos temperos de um jantar magnificente. É um momento que aguça todos os sentidos da platéia, maravilhada e pronta para degustar cada cena, cada imagem, cada personagem, num dos filmes mais sensíveis de todos os tempos.

Babette Refugia-se em Uma Aldeia da Dinamarca

Numa aldeia de pescadores na península da Jutlândia, no norte da Dinamarca, vivem as irmãs Philippa (Bodil Kjer) e Martina (Brigitte Federspiel), mulheres que chegaram à meia idade desprovidas das vaidades e das paixões. Filhas de um pastor tido na região como um profeta, fundador de uma seita, elas dedicaram a vida e a juventude em concretizar o sonho de pregação do pai, abdicando do amor, das paixões, do casamento e de uma família.
No universo das duas senhoras, inicia-se o filme, com uma voz feminina, em off, acompanhando a câmera, que mostra o andar compassado, de braços dados, das mulheres. Elas trazem nos rostos a expressão suave da bondade e da serenidade de vidas desprovidas dos arroubos passionais e das vaidades materiais. Saem de casa levando cestas nos braços, sendo acompanhadas pela câmera e pela voz em off, transitando pelas casas simples de uma aldeia.
Philippa e Martina, nomes dados em homenagem aos líderes históricos religiosos Felipe Melanchton e Martinho Lutero, gastam o pouco que têm com trabalhos beneficentes, apoiando idosos que não se podem sustentar. Por trás dos seus corpos envelhecidos e mentes bondosas, existiram no passado, duas mulheres de beleza singular, que fechados em um recato imposto pelo pai, não iam às festas ou às reuniões da aldeia. A beleza singela das duas atraía aos rapazes da aldeia, que freqüentavam o culto só para vê-las. Pretendentes não lhes faltaram, mas a todos o pai afastara, pois tinha destinado as filhas para o seu sacerdócio, para ajudantes do seu ministério, achando o casamento e o amor como fúteis frivolidades diante da santidade herdada da divindade de Deus. Assim, um a um, o pastor afastou os pretendentes das filhas, que aceitaram resignadas o destino escolhido pelo pai. Perderam a juventude, sozinhas e solteironas, abrindo as suas vidas para a caridade e a casa para o encontro das pessoas, onde podiam interpretar a palavra de Deus, honrando o espírito do pai, que mesmo depois de morto, continuava presente na vida religiosa de todos.
O cotidiano das duas irmãs será rompido, quando lhes bate à porta Babette (Stéphane Audran). Numa noite chuvosa, chega-lhes a elegante mulher francesa, fugitiva da guerra civil que se abatera sobre a França, em 1871. No furor da guerra, Babette perdera o marido e o filho, executados por suas posições políticas. A ela restara apenas a fuga. Recomendada por um amigo das irmãs Martina e Philippa, refugia-se como empregada na casa delas, passando a viver humildemente, oferecendo os seus trabalhos em troca de abrigo e de uns poucos vinténs. Babette é uma sobrevivente, resignada em um mundo distante do que sempre vivera. Mas a sua verve humana transformará o cotidiano das irmãs e dos que se lhe ladearam durante décadas, movidos pela força linear de um destino considerado imutável. Babette quebrará o que parece ser incondicionalmente linear na vida.

Personagens Reluzidos Pelos Silêncios

Aos poucos, a voz em off faz o contacto entre o espectador e o espaço temporal do filme, deixando que as imagens na tela encontrem o seu momento no tempo, descortinando em flash-back, memórias fragmentadas de vidas esquecidas em algum lugar da sala, do quarto, do passado.
A câmera desperta a cumplicidade de quem a segue, induzindo-nos ao universo cotidiano dos habitantes daquela aldeia de pescadores, volvida na suavidade bucólica dos costumes seculares.
Movidas pelo silêncio das personagens, as imagens compõem, em flash-back constante, o preenchimento desses vazios silenciosos. Passado e presente estimulam a imaginação do espectador, que faz com liberdade permitida, uma leitura própria de cada personagem.
Além das duas irmãs, outras personagens menores, mas igualmente fundamentais na história, são reveladas, como a do velho General Lorenz Lowenhielm (Jarl Kulle), que quando jovem vivia uma vida desregrada, sem perspectivas morais ou futuras, obrigando o pai a enviá-lo para a fazenda de uma tia, próxima à aldeia das irmãs. Ao exilar-se naquela fazenda, o jovem oficial refletia a sua vida, quando foi surpreendido, durante um passeio a cavalo, pela presença mágica da jovem Philippa. Movido por uma doce paixão, ele consegue que a tia o introduza na casa do severo pastor, participando das reuniões e das orações. A partir de então, Lorenz interfere no coração de Philippa, mas a determinação do pai em fazer dela uma mulher devota, sem os vícios da carne ou das tradições do matrimônio, afasta-a de um possível futuro ao lado do jovem. Lorenz passa a ver a amada como uma visão de uma vida futura, mais pura, fundamental para as mudanças no seu ser. O amor juvenil interrompido entre ambos não gerou a dor, a frustração, mas nunca abandonou a sensação de uma perda qualquer.
Os silêncios das personagens rompem-se em cada flash-back, como se procurasse o enredo, a verdadeira história perdida de cada um. Cortes freqüentes e seqüências rápidas, descortinam mais vidas, como a do cantor lírico Achille Papin (Jean-Philippe Lafont), que após encontrar a fama e o sucesso, percorrer vários lugares em turnês, encontra na costa da Jutlândia um momento de paz e descanso. Ali conhece a bela Martina, que lhe fascina pela voz e pela delicadeza. Fascinado, Achille consegue convencer o pastor a deixar que dê aulas de canto à filha, para que ela desenvolva o dom a serviço da pregação. Assim como Philippa, Martina será separada de uma vida futura com Achille em nome dos ideais religiosos do pai. Lorenz e Achille deixaram, em determinado momento do passado, de fazer parte do universo das irmãs, seguindo a vida, que não é reta e nunca pára. Ao deixar de conviver com eles, únicos homens que tocaram além da fé, abalando o coração de cada uma delas, uma nostalgia melancólica sempre soprou nas poucas vezes que elas ousaram rever o passado.

O Bilhete Premiado

Babette chegou à Jutlândia trazida pela chuva. Ao bater à porta de Philippa e Martina, trazia consigo uma carta de Achille Papin. Também o passado das irmãs voltava naquele momento. A carta revelava a triste história daquela mulher, que durante a guerra civil francesa, teve o marido e o filho mortos. Perseguida e sem ter para onde ir, partiu, por sugestão de Achille, para a Dinamarca.
Quando se vêem diante de tão requintada senhora a pedir emprego, as irmãs não se sentem capazes de pagar por seus serviços, pois vivem com muito pouco, e tudo que têm dedicam-no à caridade. Mas Babette não se importa, sobrevivera à morte, perdera tudo, era uma outra mulher, já não precisa das glórias de outrora, precisava apenas sentir-se viva, em segurança, abraçando uma vida humilde, despida de qualquer vestígio de um passado glorioso, reduzido à tragédia através dos conflitos ideológicos do seu país.
Aceita pelas irmãs, Babette inicia uma nova vida, distante daquela França tumultuada de 1871. Torna-se empregada da casa, servindo de cozinheira. Não se lamenta da sorte. Seu estoicismo é determinante para sobreviver. Sua vida está fragmentada na violência que presenciou aos que amava e no presente sem brilho, a servir duas irmãs no crepúsculo iminente de suas vidas.
Em nenhum momento o espectador vê em Babette uma mulher estagnada, pelo contrário, adivinha-se uma ruptura por vir, um lamento, uma explosão silenciosa que jamais eclode. Cada silêncio da personagem traduz-lhe um gesto, uma intenção que se deduz, sem nunca ser revelada. Da ligação com o passado, Babette mantém apenas um bilhete de loteria, que uma fiel amiga renova-lhe todo ano. Será este gesto, aparentemente sem significado, que mudará o percurso de toda a história, quando, catorze anos depois, finalmente chega a notícia de que o bilhete foi agraciado com um prêmio de dez mil francos.

O Centenário do Pastor

Ao saber do bilhete premiado de Babette, Philippa e Martina pressentem que ela irá embora, afinal já tem como voltar à terra natal, já não há uma guerra civil e ela já não tem limitações financeiras. Mas surpreendentemente, Babette não prepara as malas, sabe muito bem que não são as condições financeiras que a separa da sua terra, mas sim as perdas, as dores do tempo, o rompimento de um cotidiano de vida que já não existia. Já não há o que encontrar em França.
O prêmio de Babette veio por ocasião do aniversário do pastor, que se estivesse vivo, completaria cem anos. Para que não se passe em branco a data, Philippa e Martina decidem prestar uma homenagem ao pai, oferecendo um jantar para algumas pessoas da aldeia. É neste momento que se ascende o passado de Babette, que se encontra com a mulher que fora. É um raro momento de poder assumir uma identidade perdida no tempo. Afinal era uma data especial, o centenário do homem que, explicita ou implicitamente, mudara a vida de quase todos os moradores daquela aldeia, que seguiam os princípios rígidos de um cristianismo protestante por ele disseminado.
Inesperadamente, Babette pede às irmãs para fazer um banquete em homenagem à memória do pastor. Babette pede que se lhe conceda a honra de preparar e oferecer um verdadeiro jantar francês, utilizando-se do dinheiro que ganhara com o prêmio. Surpreendidas, as irmãs relutam, mas por fim, aceitam tão inusitado oferecimento.
A partir de então, o filme toma proporções lúdicas, acendendo a alegoria da existência humana através do prazer supremo de um suntuoso banquete. Os momentos que precedem ao banquete mudam o cotidiano de toda a cidade. Babette encomenda vinhos da França, codornas e carnes especiais. O jantar movimenta toda a aldeia, desde a seleção dos alimentos, à entrega de caixas vindas do exterior. As movimentações são visíveis a todos, devido às proporções gigantescas que assumem.
Diante de tanto movimento, Philippa e Martina temem o que pode sair de todo aquele aparato. Estão assustadas, parecem diante de atos desencadeados de um grande drama montado em um palco sem fim. Ante ao desconhecido que se irá desembocar, as irmãs trocam olhares temerosos, quase que arrependidos de terem cedido aos caprichos de Babette. Presumindo uma catástrofe iminente perante os convidados, elas decidem que nada falarão. Calar-se-ão sejam quais forem os resultados daquele banquete.

O Banquete

Entre o jantar e os momentos que o precede, as cenas assumem tomadas rápidas e ligeiras. As imagens retratam um aspecto minucioso, de um realismo e naturalismo mesclados, desencadeados pelo galope e o tilintar dos guizos dos cavalos que conduzem as carruagens que trazem os convidados; pelos sons da cozinha de Babette, desde o barulho das frituras ou da água a derramar-se sobre as tigelas. Cada detalhe da preparação do jantar é mostrado como uma apoteose dilacerante de Babette.
Doze convidados sentam-se à mesa. É a partir da sensação que têm entre o medo da surpresa e o hedonismo de degustarem tão opífaro banquete, que o filme atinge o seu clímax e desvenda a chave do seu mistério. Cada prato servido é mostrado, fazendo que o expectador sinta-se à mesa, capaz de sentir o aroma inebriante de cada um deles. O prazer oferecido pelo banquete de Babette rompe com o marasmo da vida de cada um dos convidados, provando-lhes que, somente a morte destituí qualquer surpresa da vida.
De repente aquela aldeia simples, perdida nas costas frias da Dinamarca, mostrada através do som das ondas do mar, do vento e da chuva, vê-se confrontada com um banquete inusitado, tornando-se um centro faustoso digno do mais requintado salão de Paris. Babette transforma a vida através do prazer primário que vem da comida, e do requinte perfulgente da arte de cozinhar. Abre-se a seqüência de imagens que trazem os pratos, a gradação do cozimento, a apresentação dos sabores, dos aromas que se nos induzem as imagens. O prazer humano é degustado sem medos, sem as amarras do pecado, a vida é resultado dos temperos que advêm das mãos dos homens, neste caso, das mãos delicadas e intuitivas de Babette.
É no meio do jantar que há o encontro entre o passado de Babette e a sua vida atual. O verdadeiro sentido do filme e das intenções de Babette são revelados no momento em que o general Lorenz, ao saborear cada um dos pratos e a deliciar-se com as bebidas, descreve que só sentira aquele prazer há muito tempo, em Paris, em um luxuoso jantar preparado pela maior chef de cuisine da França. A partir desta revelação, não compreendida pelos ingênuos e extasiados convidados, o telespectador encontra a outra Babette, perdida no tempo, mas decifrada naquele momento, em que a imagem descobre-a na cozinha, sendo outra vez, ela própria, sabendo sê-lo pela última vez. Gastara a pequena fortuna que ganhara para ver o prazer que despertava nas pessoas que saboreavam da sua arte, gastara tudo para voltar a ser, por uma noite, a Babette da qual se perdera no tempo e nas adversidades humanas.

O Encontro de Babette com o seu Passado

Quando o banquete é encerrado, tem-se a sensação de que se saboreou cada prato servido. Na sala, extasiados convidados sentem que a vida foi diferente naquele momento, que passado e presente encontraram-se por algumas horas, limando cada melancolia impregnada pelos anos. Agradecidos a Deus e a Babette, cantam um hino religioso, regado pelo sabor de um licor e do café.
Na cozinha, Babette olha para o vazio, como se buscasse a elegia final da sua existência. Sente que cumprira o seu destino, oferecera um momento de alegria e prazer às pessoas simples daquela aldeia com a mesma pompa que o fizera aos nobres freqüentadores do sofisticado “Café Anglais”, em Paris, onde fora uma famosa chef de cuisine.
Desvendado o seu passado pelo reconhecimento do paladar do general Lorenz, Babette tem um momento de puro encontro consigo própria. Toma um copo de vinho da última garrafa que restara. Momento único da procura pelo prazer que oferecera a todos. Olha para o vazio, sabia que ao terminar o vinho, encerraria de vez com o seu passado, jamais voltando a ele. Celebra a si mesma, antes de voltar ao cotidiano do dia seguinte, com a certeza de que a vida embora pareça linear, cavalga por surpresas e prazeres que reluzem a rendição humana, traduzida aqui nas suas alegorias em cada prato servido.

Ficha Técnica:

A Festa de Babette

Direção: Gabriel Axel
Ano: 1987
País: Dinamarca
Gênero: Drama
Duração: 102 minutos / cor
Título Original: Babettes Gaestebud
Roteiro: Gabriel Axel, baseado na obra de Isak Dinesen (Karen Blixen)
Produção: Just Betzer, Bo Christensen, Benni Korzen
Música: Per Norgaard (original), Johannes Brahms e Wolfgang Amadeus Mozart
Direção de Fotografia: Henning Kristiansen
Desenho de Produção: Jan Petersen, Sven Wichmann
Figurino: Annelise Hauberg, Karl Lagerfeld, Pia Myrdal
Edição: Finn Henriksen
Efeitos Especiais: Henning Bahs
Som: Hans-Eric Ahrn
Estúdio: Panorama Film International
Distribuição: Orion Classics
Elenco: Stéphane Audran, Brigitte Federspiel, Bodil Kjer, Jarl Kulle, Jean-Philippe Lafont, Bibi Andersson, Ghita Norby, Therese Hojgaard Christensen, Pouel Kern, Hanne Stensgaard, Vibeke Hastrup, Asta Esper Hagen Andersen, Thomas Antoni, Lars Lohmann, Tine Miehe-Renard, Lisbeth Movin, Holger Perfort, Preben Lerdorff Rye, Ebbe Rode, Erik Petersen, Else Petersen
Sinopse: A fim de escapar da uma repressão em Paris, em 1871, Babette desembarca numa noite de tempestade, em uma aldeia da Jutlândia. Procura as irmãs Martina e Philippa, puritanas senhoras filhas do pastor da região, apresentando-lhes uma carta de recomendação de Achille Papin, um cantor de ópera que, no passado, fora professor de canto de uma delas. Na carta, Papin pede-lhes que acolham Babette em sua casa. Babette pede a elas para trabalhar como criada, tendo em troca apenas um quarto para morar. Relutantes a principio, elas aceitam Babette. Anos mais tarde, Babette ganha um prêmio na loteria. Inesperadamente, resolve gastar todo o dinheiro em um jantar francês, para comemorar o centenário de nascimento do falecido pastor. Os convidados para o jantar, pessoas simples, não conheciam a culinária francesa, os pratos sofisticados que eram servidos no Café Anglais, lugar onde Babette trabalhara como cozinheira. Assim, com a habilidade de fazer as pessoas sentirem prazer através do paladar, Babette transforma o jantar em um banquete que as duas irmãs e os habitantes da pequena aldeia jamais esquecerão.

Gabriel Axel

Gabriel Axel nasceu em Aarhus, Dinamarca, em 18 de abril de 1918. Grande nome do cinema europeu, tornou-se mundialmente conhecido através do filme “A Festa de Babette” (Babettes Gaestebud), de 1987.
Axel passou a maior parte da infância na França, longe da sua terra natal. Em Paris trabalhou no teatro, com Louis Jouvet, o que lhe fez desenvolver o amor pela dramaturgia. Quando retornou para a Dinamarca, trabalhou como ator no Royal Danish Theatre.
Na Dinamarca, Gabriel Axel atuou como diretor de produções de teatro, televisão e cinema. Após dirigir cerca de 16 filmes, retornou à França, onde dirigiu vários projetos para a televisão, construindo um trabalho respeitado e reconhecido pela crítica, obtendo, ao longo da carreira, várias menções honrosas.
A consagração definitiva veio com o filme “A Festa de Babette”, adaptação do livro de Isak Dinesen. O filme conquistou platéias do mundo inteiro, arrebatando o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1988. Na filmografia de Axel, constam sucessos como “Familien Gyldekál” (1975), “Den Rode Kappe” (1967) e “Det Kaere Legetoj” (1968).
Em 2003, Gabriel Axel recebeu prêmio especial pelo conjunto da sua obra no Festival Internacional de Cinema de Copenhague.


Filmografia de Gabriel Axel:

Filmes para a Televisão

1951 – Doden
1952 – Pantalones Bryllup
1952 – Forlovelse Indgaet
1952 – Skyggedans
1952 – Aften
1953 – Et Spil
1953 – En Bjorn
1953 – Hallo, Derude
1953 – Falske Nogler
1953 – Familien Hansen
1953 – Kong Renés Datter
1954 – En Svanesang
1954 – Hvem Ved?
1954 – En Mindefest
1954 – Livet er Skont
1954 – Lapointe og Ropiteau
1954 – Li Som Lidt Ensom
1954 – Tran
1954 – Acharnerne
1955 – En Skefuld Katharsis
1955 – Marguerite
1955 – Motivet
1955 – En Caprice
1955 – En Kvinde er Overflodig
1955 – Altid Ballade
1955 – Scarpins Gavtyvestreger
1955 – Simon og Laura
1956 – Det er Sa Yndigt
1956 – Dronninger af Grankrig
1956 – Doden
1956 – Falske Nogler
1956 – Kong Renées Datter
1956 – Froken Julie
1958 – Mode Ved Midnat
1966 – Om Tobakkens Skadelige Virkninger
1968 – Boubouroche
1977 – Un Crime de Notre Temps
1978 – La Ronde de Nuit
1980 – Le Coq de Bruyère
1980 – Le Curé de Tours
1981 – La Ramandeuse
1981 – Antoine et Julie

Filmes para o Cinema

1957 – En Kvinde er Overflodig
1958 – Guld og Gronne Skove
1959 – Heller for Helene
1960 – Flemming og Kvid
1962 – Det Tossede Paradis
1962 – Oskar
1963 – Vi Har det jo Dejligt
1963 – Tre Piger i Paris
1964 – Paradis Retur
1967 – Den Rode Kappe
1968 – Det Caeré Legetoj
1970 – The Ways of Women
1970 – Amour
1971 – Med Kaerlig Hilsen
1972 – Die Auto-Nummer – Sex Auf Radern
1975 – Familien Gyldenkal
1976 – Familien Gyldenkal Spraenger Banken
1977 – Alt pa er Braet
1987 – Babettes Gaestebud (A Festa de Babette)
1989 – Christian
1994 – The Prince of Jutland (Jutland – Reinado de Ódio)
1995 – Lumière et Compagnie (Lumière e Companhia)
2001 – Leila

Séries para a Televisão

1965 – Regnvejr og Ingen Penge
1981 – Mon Meilleur Noel (episódio: L’Oiseau Bleu)
1985 – Les Colonnes du Ciel (episódios: La Saison des Loups, La Lumière du Lac, La Femme de Guerre, Marie Bon Pain)
1986 – Les Colonnes du Ciel (episódio: Compagnons du Nouveau Monde)

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