terça-feira, 28 de outubro de 2008

MICKEY MOUSE, ADORÁVEL JOVEM DE 80 ANOS


Em 1928 Walt Disney produzia o filme sonoro “Steamboat Willie”, onde a estrela era um camundongo. O filme tornou-se um grande sucesso e, há oito décadas, nascia uma nova estrela, Mickey Mouse. Personagem dos cartoons (desenhos animados), o rato Mickey, desde então, foi o herói de várias gerações de crianças. A partir dele construiu-se o mundo de sonho de Walt Disney, nascendo outras várias personagens do imaginário infantil como o pato Donald, Pateta, Tio Patinhas, e até mesmo a versão americana de um brasileiro, o Zé Carioca.
Nascido no final da década de 1920, Mickey transformar-se-ia em um ícone mundial, sendo na época da Guerra Fria transformando em símbolo do capitalismo e imperialismo norte-americano, amaldiçoado e desprezado pelos mais ortodoxos representantes da esquerda revolucionária que assolou o mundo.
Mickey embalou os sonhos das crianças que cresceram com as suas aventuras, primeiro vividas no cinema, depois transpostas para tiras de jornais, para a televisão e às revistas em quadrinhos traduzidas em várias línguas.
Inocente desenho ou representante da poderosa indústria capitalista, Mickey desde que foi criado gerou polêmicas, seu carisma foi um convite até mesmo para abrir as fronteiras estadunidenses diante dos países vizinhos, sendo porta-voz de uma política diplomática mais estreitada. Ideologias à parte, os mundos mágico e lúdico de Mickey e de seus companheiros encantam, seduzem, fazendo de nós eternas crianças, apaixonadas por este jovem camundongo de 80 anos.

A Criação da Personagem de Mickey

Atolado em dívidas de jogo, o americano Ub Iwerks encontrou uma maneira inusitada de pagar o que devia para Walt Disney, criando para ele o personagem de Mickey. Com uma extraordinária percepção, Disney aceitou o desenho como pagamento. Nascia assim, no dia 18 de novembro de 1928, um dos maiores ícones do universo infantil. Sua estréia aconteceria com estrondoso sucesso no filme de animação “Steamboat Willie”.
Quando criado, a personagem foi batizada com o nome de Mortimer, mas por influência da mulher de Disney, que achava o nome por demais formal para a leveza do desenho, optou-se por chamá-lo de Mickey. O camundongo surgiu vestindo calções vermelhos e sapatos amarelos, menção clara à ordem que Walt Disney era membro: DeMolay – ordem filosófica e fraternal para jovens e crianças entre 12 e 21 anos, fundada nos EUA por maçons locais. O próprio Walt Disney dublaria a voz de Mickey por longos anos, de 1928 a 1946.

Surgem os Amigos do Mickey

Aos poucos, o universo de Mickey vai ganhando personagens que também farão grande sucesso. A namorada Minnie está ao seu lado desde a estréia em “Steamboat Willie”. No filme Mickey está em um barco e Minnie à espera, quase a perdê-lo, intrepidamente ele a “pesca” pela calcinha, trazendo-a para dentro do barco, iniciando uma das mais longas histórias de amor das bandas desenhadas.
Em 1930 Mickey ganhou uma mascote, o cachorro Pluto, um cão treinado para caçar, mas que se mostra sempre um criador de confusão, pondo o dono em situações delicadas. Mesmo com a sua forma atrapalhada, Pluto consegue ajudar o seu dono no fim de cada aventura. Batizado inicialmente de Rover, o nome foi alterado por sugestão da mulher de Walt Disney, ficando Pluto em homenagem à descoberta, na época recente, do planeta Plutão.
Em 1932, surge o melhor amigo de Mickey, o cão de raça bloodhound, Pateta (Goofy, no inglês original). Pateta surgiu quase que por acidente no filme “Mickey’s Revue”, fazendo uma pequena participação com o nome de Dippy Dawg. Sua risada escandalosa a incomodar toda uma platéia caiu nas graças de Walt Disney, que decidiu torná-lo parte do mundo de Mickey. O seu nome seria alterado para Goofy somente em 1934, em “The Orphan’s Benefit”, onde se fixa como personagem de primeiro escalão da turma do Mickey. Pateta é confuso, desengonçado e, a contrastar com Mickey, é pouco inteligente. Mas é dono de uma simplicidade e bondade comovente, sendo um fiel e dedicado amigo.
Em 1934 surge um novo amigo do Mickey, o pato Donald. Personagem sem calças, traz camisa e quepe de marinheiro. Ao contrário de Pateta, que é tranqüilo, Donald tem um temperamento explosivo, às vezes beirando ao irracional. Seu sucesso foi tão grande, que iria adquirir um universo próprio, paralelo ao de Mickey, com direito à família, namorada e aventuras próprias. Nos tempos atuais, talvez o pato Donald seja mais popular do que o próprio Mickey.
Mas nem só de amigos é composto o universo de Mickey, sendo os seus arquiinimigos o João Bafo-de-Onça e o Mancha Negra. Bafo-de-Onça (Black Pete/Pete em inglês) é um vilão anterior ao próprio Mickey. Surgiu em 1927, como vilão do Coelho Osvaldo, primeira personagem de Walt Disney. Em 1928 já se torna inimigo de Mickey em “Steamboat Willie”. Bafo-de-Onça é um gato malandro, ladrão de bancos, que sempre termina, graças à influência de Mickey, atrás das grades. O Mancha Negra (Phantom Blot), surgiu em 1941, na revista “Mickey Mouse Outwits the Phantom Blot”. Mancha Negra veste-se como um fantasma, com um lençol negro sobre o corpo. A personagem ressurgiria como inimigo do Mickey na década de 60. Tornar-se-ia a partir de então, a grande paixão da bruxa Madame Min.
Com o tempo surgiram, sem grande sucesso ou histórias marcantes, os sobrinhos do Mickey. Também vieram o Coronel Cintra (Chief O’Hara, em inglês), o Horácio e a Clarabela.

Evolução e Perfis da Personagem

Com a evolução das histórias, Mickey foi ficando cada vez mais racional e tido como o mais inteligente das personagens de Walt Disney, o que lhe tirou muito da graça e humor que tinha originalmente.
Na década de 70, sob a influencia da Guerra Fria, ele torna-se um exímio detetive (forma politicamente correta de ser um espião), desvendando sempre casos instigantes em Patópolis. Como está mais sério nesta fase, os desenhistas tiram-lhe o aspecto mais infantil do início, fazendo com que perdesse os calções vermelhos para um par de calças azuis, ganha um elegante casaco vermelho (às vezes uma camisa, também vermelha), uma gravata borboleta e os sapatos amarelos são trocados por uns castanhos.
Na década seguinte ele deixa o detetive de lado para cuidar melhor da namorada Minnie, que passa a sofrer as investidas de Ranulfo. Ranulfo, um grande chato, em inglês chama-se Mortimer, curiosamente o primeiro nome com o qual Mickey tinha sido batizado, em 1928.
A partir do universo de Mickey, outros universos de personagens foram criados, e o mundo da fantasia de Walt Disney tornou-se um gigantesco aglomerado de personagens carismáticos, transformando-se numa grande indústria geradora de sonhos, magia, ludismo e dinheiro. Ao contrário do pato Donald, que tem o seu perfil psicológico mantido desde a sua criação, o camundongo Mickey construiu um perfil direcionado como porta-voz da Disney e do próprio Walt Disney, se o mundo exigia que ele fosse mais sério, assim acontecia, se exigia que se tornasse mais confuso, a camuflagem era feita, afinal Mickey, assim como o mundo construído ao seu redor, também é um sobrevivente. Como qualquer celebridade de carne e osso, Mickey tem a sua estrela gravada na Calçada da Fama. Como qualquer astro do cinema, sofreu desgastes, críticas, sendo amado e odiado muitas vezes. Aos oitenta anos, Mickey Mouse continua a ser um ícone do mundo que se construiu a partir de uma mídia nascida no século XX.

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