quinta-feira, 28 de agosto de 2008

PIAZZA NAVONA - TEATRO DE BERNINI E BORROMINI


Roma é uma das cidades mais míticas do mundo. Dona de uma história glamorosa, que reflete na herança religiosa e cultural dos países cristãos ocidentais, a cidade é um convite para que descubramos as suas ruas, os seus monumentos, a sua história. Conhecida como a Cidade Eterna, na sua paisagem mesclam-se monumentos da Idade Antiga, da época do poderoso Império Romano, com monumentos medievais, renascentistas e barrocos, da época que a cidade estava sob o domínio dos papas e da igreja, antes da reunificação da Itália, e que formavam os Estados Pontifícios.
Na faustosa Roma barroca, encontramos a mítica Piazza Navona (Praça Navona), um dos locais mais visitados do mundo. Sua estrutura barroca é ornamentada por três fontes: a Fontana Dei Quattro Fiumi (Fonte dos Quatro Rios), de Bernini ao centro, a Fontana Del Moro (Fonte do Mouro) e a Fontana Del Nettuno (Fonte de Netuno), nas extremidades. No lado ocidental da praça, ao centro, encontra-se a igreja barroca Santa Agnese in Agone, de Borromini e a seu lado, o belo palácio Pamphili, sede da embaixada brasileira em Roma.
Na Piazza Navona, vislumbra-se um dos pontos mais pulsantes de Roma, percebendo-se o poder que a cidade exerceu sobre o resto do mundo. Vê-se a marca inconfundível de Bernini sobre a cidade; as igrejas e os palácios que a circundam, além dos cafés, nos quais se pode sentar calmamente e sentir-se no centro do charme da história. Descobrir a Piazza Navona é deixar-se seduzir por uma Roma que se mantém eterna no imaginário dos povos há mais de 2000 anos.

Origens da Piazza Navona

A Piazza Navona teve as suas origens quando Tito Flávio Domiciano, imperador de Roma de 81 a 96, mandou que se construísse um estádio para corrida e jogos de competições. O local foi palco de lutas contra animais e entre gladiadores. Os combates de animais puderam ser assistidos até por volta de 1500, quando o local começou a ser visto de fato como uma praça e não um estádio.
Por causa das suas origens, a Piazza Navona preservou as formas de um estádio, com extensão longa e retangular de 240m x 65m, de extremidades estreitas ao norte da praça. As cavea antigas podiam receber 30 mil espectadores, que ali se sentavam para assistir aos combates. Atualmente, os edifícios ao redor da praça foram erguidos nos terraços ou nos alicerces dessas cavea.
O Estádio de Domiciano, com o tempo passou a ser chamado por outro nome. O nome atual teria derivado do fato de ali os romanos assistirem os jogos (agone), ou seja, “in agone” (local de combate), juntamente com “navis” (navio), por causa da forma de sua extremidade arredondada, o que formaria a corruptela posterior de nagone e navone, que em italiano significa “grande navio”.
No século XV, durante o pontificado de Sisto IV (1471-1484), em 1477, o mercado do Capitólio foi transferido para a Piazza Navona, fazendo com que se tornasse um bairro povoado. Diversos palácios foram construídos na área, como o Pallazo Madama, de Sinulfo, tesoureiro de Sisto IV, que seria arrendado ao então cardeal Giovanni de Médici, futuro papa Leão X, e, futuramente, residência da família Médici em Roma.

As Intervenções Arquitetônicas

No século XVI o local já era a área residencial favorita dos nobres que habitavam Roma. Neste século surgem os esboços das duas fontes que hoje fazem parte das extremidades da praça: a Fontana Del Nettuno e a Fontana Del Moro. As fontes foram instaladas no pontificado do papa Gregório XIII (1572-1585).
É no século XVII, durante o pontificado de Inocêncio X (1644-1655), que a Piazza Navona atinge o ápice do seu desenvolvimento arquitetônico e urbano. Em 1645 o papa começa a remodelar a praça. O desenvolvimento arquitetural culminou durante o pontificado de Inocêncio X (1644-1655) que começou a remodelá-la em 1645. Para isto convocou Gian Lorenzo Bernini (1598-1680), autor das colunas da praça São Pedro, no Vaticano, e Francesco Borromini (1599-1667), de origem suíça e responsável por alguns dos maiores exemplos do barroco romano. A Bernini coube restaurar as fontes instaladas por ordem de Gregório XIII, e, construir no centro da praça, a enorme Fontana Dei Quattro Fiumi. A Borromini coube a igreja de Santa Agnese in Agone. Inocêncio X renovaria ainda, o palácio de sua família. É desta época a imponente estrutura barroca que eternizou a arquitetura da Piazza Navona.

As Três Fontes

Três fontes traduzem a beleza barroca da Piazza Navona: a Fontana Dei Quattro Fiumi, a Fontana Del Nettuno e a Fontana Del Moro. Entre elas há uma harmonia arquitetônica que foi formada por um planejamento urbano bem sucedido através dos séculos.
A Fontana Dei Quattro Fiumi, é maior das três fontes, localizada no centro da praça. Na fonte dos rios, Bernini projetou quatro estátuas representando os rios dos quatro continentes: o Nilo, o Danúbio, o rio da Prata e o Ganges. As estátuas estão montadas sobre um obelisco egípcio, sendo circundadas por leões e outros animais fantásticos, tendo no cume uma pomba em bronze, símbolo da paz no mundo e da família Pamphili. Para realçar a rivalidade entre Bernini e Borromini, que fez a igreja de Santa Agnese, os romanos criaram uma lenda em torno da fonte dos rios, que fica em frente a esta igreja. Segundo os romanos, as estátuas duvidam da solidez do projeto de Borromini. A que retrata o rio da Prata, tem a mão erguida, a proteger o corpo do desabamento da igreja; a que retrata o Nilo, traz a cabeça coberta por um véu, a recusar a ver a obra de Borromini.
A Fontana del Nettuno, também conhecida como Chafariz de Calderai, foi construída em 1574, com projetos e desenhos de Giacomo Della Porta. Está situada na parte norte da praça. Em 1878 foi lançado um concurso para que se criasse estátuas que harmonizassem esta fonte com a de Bernini. Venceram o concurso Gregory Zappala e Antonio Della Bitta. Zapalla criou a escultura “A Nereida com Querubins e Cavalos Marinhos”, e, Bitta criou a escultura “Netuno Luta Contra um Polvo”, que traz como tema um confronto físico, já existente na estátua da Fontana Del Moro. Criou-se assim, uma consonância estilística entre as estátuas desta fonte e às das outras duas. Depois das intervenções de Zapalla e Bitta, a fonte passou a chamar-se Fonte de Netuno.
A Fontana del Moro está localizada ao sul da Piazza Navona. Tem este nome devido à representação de um etíope (mouro) a lutar com um golfinho. A obra foi projetada por Bernini, para dar conclusão à fonte de Giacomo Della Porta, construída em 1576, e esculpida por Giovanni Antonio Mari, em 1654. A estátua do etíope é acompanhada por tritões e máscaras, que são cópias das originais hoje postas em algumas fontes dos jardins da Villa Borghese.

A Igreja de Santa Agnese

Além das fontes, a igreja de Santa Agnese faz da Piazza Navona um dos pontos emblemáticos de Roma. Nas linhas barrocas da sua arquitetura, a tradução de um desafio arquitetônico ímpar entre Bernini e Francesco Borromini, artistas imprescindíveis na história da capital italiana, que na primeira metade do século XVII redesenharam lugares míticos de Roma.
Borromini trabalhou sobre um projeto inicial de Carlo Rainaldi, fazendo uma intervenção decisiva e singular no que é igreja de Santa Agnese in Agone, entre 1653 e 1657. Ao construir a fachada da igreja de forma côncava para criar um efeito óptico que ampliasse o desenho da cúpula, gerou-se uma controversa na ocasião, que por ser uma novidade arquitetônica, desencadeou críticas mordazes, e a suspeita popular de que a fachada da igreja não se sustentasse diante do peso. O tempo provou o contrário, quase quatro séculos depois de construída, Santa Agnese in Agone continua imponentemente de pé. Emblemática, a Piazza Navona, é visitada por turistas de todo o mundo. Além das fontes e monumentos, vendedores ambulantes, pintores, artistas de entretenimento, compõem a paisagem do local. A Piazza Navona continua a ser um grande teatro fulgente da Cidade Eterna.

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